A família de Genésio de Sousa cobra a Justiça em Caçapava após o idoso de 81 anos morrer prensado por um carro contra um carrinho de reciclagem. O acidente ocorreu no Residencial Esperança, na noite de quinta-feira (21). O motorista de 61 anos foi liberado no local pela Polícia Militar, sem condução à delegacia e sem teste do bafômetro, situação que revoltou moradores e parentes da vítima.
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Genésio morreu horas depois de ser socorrido pelo Samu à Fusam. O caso foi registrado pela Polícia Civil como homicídio culposo na direção de veículo automotor, previsto no Código de Trânsito Brasileiro.
O acidente aconteceu por volta das 19h50, na rua Governador André Franco Montoro. A primeira ocorrência feita pela Polícia Militar ainda no local constava apenas como acidente com vítima. Depois da morte, o boletim foi atualizado com a tipificação de homicídio culposo.
Família questiona liberação do motorista
O filho da vítima, Marcelo, afirmou que o pai estava parado ao lado do carrinho de reciclagem, encostado próximo a outro veículo, quando foi atingido durante a tentativa de manobra do motorista.
“Ele prensou o meu pai contra o outro veículo, o Gol. Meu pai bateu a coluna, a cabeça e desceu”, relatou.
Segundo o filho, após atingir Genésio, o motorista deu ré e deixou o local. Moradores do bairro, revoltados com a situação, foram atrás do condutor e o obrigaram a retornar ao ponto do acidente.
Filho diz que motorista estava alterado
Marcelo afirmou que o motorista aparentava alteração no momento em que voltou ao local. “Todo mundo falando que ele tinha bebido, estava alterado”, disse.
A família questiona por que o condutor não foi levado à delegacia pela Polícia Militar e por que não houve registro formal de teste de bafômetro ou exame clínico para apurar eventual alteração da capacidade psicomotora.
“Eu acho que ele deveria ter sido, no mínimo, conduzido à delegacia, feito o boletim de ocorrência, não ser liberado no local”, afirmou Marcelo.
Idoso teve ferimentos graves
Depois do atropelamento, Genésio foi levado à Fusam, passou por cirurgia e morreu horas depois. Segundo o filho, o idoso teve hemorragia interna e ferimentos graves no abdômen.
“Meu pai foi para o hospital, fez cirurgia, teve hemorragia interna. Meu pai veio a óbito hoje às 3h10 da manhã”, disse Marcelo.
A família afirma que não busca acordo financeiro, mas responsabilização. “A gente só quer Justiça. Remédio não vai trazer mais meu pai. A gente só quer que não aconteça isso mais com nenhuma outra família”, afirmou o filho.
Motorista não foi conduzido à delegacia
O principal ponto de revolta é a atuação inicial após o acidente. Segundo familiares, mesmo com a vítima gravemente ferida, o motorista foi liberado no local pela Polícia Militar e não passou por teste do bafômetro.
Marcelo também relatou estranhamento durante o atendimento posterior na delegacia. Segundo ele, até um investigador teria questionado a ausência de condução do motorista à unidade policial.
“Ele falou: ‘eu só não estou entendendo o porquê que ele não foi conduzido a uma delegacia’. Está todo mundo nessa estranheza, sem entender”, afirmou o filho.
Família deve constituir advogado
A família informou que pretende constituir advogado após o velório e o sepultamento de Genésio. O objetivo é acompanhar o inquérito, reunir provas e cobrar responsabilização pelo acidente fatal.
“É o mínimo em respeito à memória do meu pai. É o mínimo, e isso vai acontecer”, disse Marcelo.
O carrinho usado por Genésio ficou danificado após o impacto. A família mostrou o ponto atingido e relatou que a estrutura foi prensada contra o abdômen do idoso, o que pode ajudar a perícia a entender a dinâmica do acidente.
O laudo pericial e o exame necroscópico devem indicar a causa da morte e a relação entre as lesões e a manobra feita pelo motorista.
A família também busca imagens de câmeras da região. Segundo Marcelo, há tentativa de localizar vídeos do acidente para anexar ao inquérito policial.
O que a Polícia Civil deve apurar
A Polícia Civil deve investigar a dinâmica do atropelamento, o comportamento do motorista após o impacto, a possível fuga do local, a ausência de teste de bafômetro e a conduta adotada no atendimento inicial da ocorrência.
O caso consta como homicídio culposo na direção de veículo automotor. A eventual inclusão de outras circunstâncias no inquérito dependerá das provas, dos depoimentos, de imagens, do laudo do IML, da perícia do local e da análise da autoridade policial.
A morte de Genésio causou comoção no Residencial Esperança. Moradores relataram que ele era conhecido e querido no bairro, onde circulava com o carrinho de reciclagem.
O velório foi marcado para este sábado (23), e o sepultamento está previsto para o domingo, às 9h, no Parque das Hortênsias.
Testemunhas ou pessoas que tenham imagens do acidente podem procurar a família ou a Delegacia de Polícia de Caçapava para colaborar com a investigação