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Taubaté: após corte, cartão tem 360 famílias em fila de espera

Por Julio Codazzi | Taubaté
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Após número máximo de beneficiários em programa de transferência de renda de Taubaté cair pela metade, fila de espera chegou a 360 famílias, sendo 71% delas chefiadas por mulheres
Após número máximo de beneficiários em programa de transferência de renda de Taubaté cair pela metade, fila de espera chegou a 360 famílias, sendo 71% delas chefiadas por mulheres

Um mês após o novo corte no número de beneficiários do programa de transferência de renda de Taubaté, que mudou de nome de Cartão Mesa Taubaté para Alimenta + Taubaté, a fila de espera chegou a 360 famílias. A informação foi repassada pela Prefeitura à Câmara, em resposta a requerimento da vereadora Talita (PSB), que faz oposição ao governo Sérgio Victor (Novo).

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Dessas 360 famílias, 256 são chefiadas por mulheres, 209 possuem crianças ou adolescentes em sua composição e 183 são monoparentais (com a presença apenas do pai ou da mãe) - esses são alguns dos critérios de priorização do programa, definidos em lei.

Questionada pela reportagem sobre as 360 famílias na fila de espera, a Prefeitura afirmou que "cerca de 200 delas serão contempladas no próximo mês, uma vez que as famílias anteriormente beneficiadas ou não retiraram o novo cartão (mesmo após comunicação via aplicativo WhatsApp, SMS e canais oficiais) ou foram substituídas após recorrente análise realizada pelas equipes técnicas, que inclui critérios como renda per capita familiar; quantidade de pessoas no núcleo familiar; presença de crianças; existência de pessoas com deficiência; grau de vulnerabilidade social; e outros".

Ainda com relação à fila de espera, a Prefeitura alegou que "as famílias que procuram o serviço e solicitam o benefício passam por avaliação social individualizada e seguem sendo acompanhadas pela rede de assistência social do município", e "quando identificada necessidade imediata, essas famílias podem receber atendimento eventual, como cestas básicas ou cartões emergenciais, conforme critérios técnicos e disponibilidade dos programas assistenciais".

A Prefeitura completou que "monitora continuamente os indicadores sociais e a efetividade do programa, podendo promover novos ajustes futuros, sempre com base em critérios técnicos, responsabilidade social e uso adequado dos recursos públicos".

No governo Sérgio, número de beneficiários caiu pela metade

O novo contrato do programa entrou em vigor em abril desse ano, com a saída da empresa beOne, que atuava desde o começo da iniciativa, em 2022, e foi substituída pela BPF Cartões.

Com o novo contrato, foi ampliado o corte promovido pelo governo Sérgio no programa. Pelo contrato com a beOne, o número máximo era de 3.900 beneficiários por mês. Em dezembro de 2024, no último mês da gestão do ex-prefeito José Saud (PP), eram 3.725 beneficiários. Esse patamar foi mantido em janeiro de 2025, no primeiro mês do governo Sérgio, quando 3.733 famílias foram atendidas.

Em fevereiro de 2025, no segundo mês da gestão Sérgio, houve uma queda brusca para 2.785 beneficiários. Em março, nova redução, para 2.368. O patamar foi mantido para abril, com 2.382 famílias atendidas. De maio do ano passado em diante, após a repercussão negativa dos cortes, a Prefeitura deixou de divulgar o número exato de atendidos. A única informação passada desde então é que seria observado um teto de 2.700 beneficiários até o fim do contrato.

No novo contrato, o número máximo de famílias que podem ser atendidas pelo programa caiu quase pela metade, passando para 2.000 cartões, o que representa uma redução de 48,71%.

Valor mensal do programa está defasado

Os créditos são repassados aos cartões até o quinto dia útil de cada mês. Em 2022, quando o programa foi criado, o valor era de R$ 129. Em 2023, passou para R$ 179. E desde março de 2024 está em R$ 188.

A lei que criou o Cartão Mesa Taubaté estabelece reajuste mensal do valor, mas o governo Sérgio não fez essa revisão em 2025. Como a inflação em 2024 foi de 4,83%, o crédito mensal deveria ter passado para R$ 197,08 no ano passado.

E, como a inflação de 2025 foi de 4,46%, o programa deveria prever R$ 205,47 de crédito a partir de 2026. Mas o edital do novo contrato prevê um valor de R$ 198 por beneficiário.

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