A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa nesta quinta-feira (21) em uma operação do Ministério Público e da Polícia Civil de São Paulo contra lavagem de dinheiro do PCC (Primeiro Comando da Capital).
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Na mesma operação, há um mandado de prisão contra Marco Herbas Camacho, o Marcola, chefe da facção, que já está preso. Parentes de Marcola também estão na mira.
É a segunda vez que Deolande é presa. A influencer já havia sido alvo de operação bilionária em setembro de 2024. Na época, Deolane foi presa no Recife durante uma operação da Polícia Civil de Pernambuco que investigava uma organização suspeita de movimentar cerca de R$ 3 bilhões em um esquema envolvendo apostas ilegais e ocultação de patrimônio.
Ela chegou a usar tornozeleira eletrônica após investigação sobre lavagem de dinheiro ligada a jogos de azar e voltou à prisão dias depois.
Inicialmente, Deolane permaneceu presa na Colônia Penal Feminina do Recife. Dias depois, conseguiu habeas corpus e foi colocada em prisão domiciliar mediante medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de se manifestar nas redes sociais ou conceder entrevistas.
Nova operação
Quase dois anos depois, Deolane voltou a ser alvo de uma grande operação policial. Desta vez, a ação foi conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil em uma investigação sobre lavagem de dinheiro do PCC.
Segundo as autoridades, o esquema envolveria uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, no interior paulista, apontada como empresa utilizada pela cúpula da facção para movimentações financeiras ilegais.
O ponto de partida do caso ocorreu em 2019, quando a polícia apreendeu bilhetes e manuscritos no interior da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, com dois detentos. O material indicava a dinâmica interna da facção, a atuação de lideranças encarceradas e possíveis articulações de ataques contra agentes públicos.
A partir dessas informações, a Polícia Civil instaurou três inquéritos, que aprofundaram gradualmente a estrutura criminosa investigada.
Ação na casa de Deolane
No total, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão, na casa de Deolane, que tem 21,6 milhões de seguidores no Instagram.
Nos últimos dias, a advogada passou os dias em Roma, na Itália. O nome dela chegou a ser incluído na lista da Difusão Vermelha da Interpol, mas ela retornou ao Brasil na quarta-feira (20).
A operação também cumpriu mandados de busca e apreensão na casa dela, e em outros endereços ligados à influenciadora.
Transportadora e esquema de lavagem de dinheiro
O primeiro inquérito levou à identificação de referências internas da facção e citava a atuação de uma “mulher da transportadora”, apontada como responsável por levantar endereços de agentes públicos.
A investigação avançou e chegou a uma empresa sediada em Presidente Venceslau (SP), posteriormente apontada como instrumento de lavagem de dinheiro do crime organizado. O caso resultou na 'Operação Lado a Lado', que identificou movimentações financeiras incompatíveis com a atividade declarada e crescimento patrimonial sem lastro econômico.
Durante a fase ostensiva da 'Operação Lado a Lado', a apreensão de um celular revelou conversas com integrantes da cúpula da facção e indícios de movimentações financeiras suspeitas, além de conexões com uma influenciadora digital de grande alcance nacional.
A partir desse material, surgiu a 'Operação Vérnix', que aprofundou a análise de um esquema mais amplo de lavagem de capitais, envolvendo empresas, patrimônio e transações financeiras de alto valor.
De acordo com a investigação, foram identificados indícios de incompatibilidade patrimonial, utilização de pessoas jurídicas para movimentação de valores e operações financeiras sem justificativa lícita comprovada.
Deolane passou a ser investigada por suposta participação em um sistema de circulação de recursos milionários, com aquisição de bens de alto padrão e utilização de estruturas empresariais para ocultação de origem de valores.
Medidas judiciais e bloqueio de bens
Com base nas provas reunidas, a Polícia Civil, com manifestação favorável do Ministério Público, obteve da Justiça a decretação de seis prisões preventivas, bloqueio de valores superiores a R$ 327 milhões, sequestro de 17 veículos, incluindo automóveis de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões e apreensão e restrição de quatro imóveis.
Três investigados são apontados como estando fora do Brasil, na Itália, Espanha e Bolívia. Por esse motivo, foi solicitada a inclusão dos nomes na Lista Vermelha da Interpol, por meio de difusão internacional, para localização e eventual prisão.
O foco da investigação, segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, é enfraquecer a capacidade econômica da organização criminosa por meio da identificação, bloqueio e apreensão de ativos de origem ilícita.
* Com informações da Rádio Itatiaia