Após ser preso e confessar ter matado a companheira Thalita de Arantes Lima, 41 anos, em São José dos Campos, Wesley Sousa Ribeiro, 31 anos, revelou detalhes do crime em interrogatório à Polícia Civil.
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Ele confessou ter desferido golpes de faca contra a vítima após uma discussão no imóvel onde os dois estavam.
A oitiva foi conduzida pelo delegado Neimar Camargo Mendes, titular da Delegacia de Homicídios, na quarta-feira (6). O documento registra a versão apresentada por Wesley sobre a morte de Thalita.
Durante o depoimento, Wesley disse que mantinha relacionamento com Thalita havia cinco anos. Ele também relatou uso de cocaína, consumo de bebida alcoólica e uma semana marcada por problemas financeiros antes do crime.
Wesley cita briga antes dos golpes
Wesley afirmou que, no sábado, ele e Thalita acordaram sem briga, limparam a casa e pintaram a frente do imóvel. No decorrer do dia, ela teria comprado cerveja, e ele disse que continuou a usar cocaína escondido.
Ele relatou que a discussão começou depois que Thalita viu vídeos da família e passou a chorar. Wesley declarou que a vítima pediu para que ele saísse da casa e ameaçou chamar a polícia caso ele não deixasse o local.
Na versão apresentada à Polícia Civil, Wesley disse que foi até a cozinha, pegou uma faca sem que Thalita percebesse e colocou o objeto debaixo do travesseiro. Depois, afirmou que desferiu os golpes durante a discussão. Ele também declarou que a vítima tentou se defender no início.
“Foi uma briga no sábado. Ela disse que não queria mais, que era para ele sair de casa e ele perdeu a cabeça”, afirmou o delegado Neimar Camargo Mendes, responsável pela investigação.
Fuga do local do crime
Após o crime, Wesley disse ter pegado a chave do carro e o celular de Thalita. Ele negou ter enrolado o corpo da vítima em um cobertor e afirmou que saiu do imóvel em desespero.
No relato, o suspeito contou que saiu de São José dos Campos, seguiu pela Via Dutra, foi até Ubatuba, voltou pela Rodovia dos Tamoios e depois viajou para Itatiaia, no Rio de Janeiro. Ele disse ter dormido em um hotel de domingo para segunda-feira.
Wesley também afirmou que retornou ao imóvel na segunda-feira, pegou pertences e trancou a porta do quarto. Em seguida, voltou a seguir para o Rio de Janeiro.
Faca e celular teriam sido jogados no rio Paraíba
Um dos pontos centrais do depoimento é o descarte de objetos. Wesley declarou que jogou a faca, o celular e outros pertences no rio Paraíba, já no município de Resende (RJ).
Ele também afirmou ter usado o cartão de Thalita para comprar drogas após o crime. Depois, deixou o carro em um estacionamento rotativo em Resende e passou a andar pela cidade até manter contato com a polícia e familiares.
A prisão ocorreu quando Wesley desembarcou de um ônibus em Aparecida, na terça-feira (5). Policiais da Delegacia de Homicídios de São José dos Campos fizeram a abordagem.
Suspeito disse estar arrependido
Ao fim do interrogatório, o delegado perguntou se Wesley estava arrependido. Ele respondeu que sim. A Polícia Civil ainda aguarda laudos periciais e demais elementos para concluir a investigação.
Thalita foi encontrada morta dentro de uma casa na região do Majestic, zona leste de São José, na noite de segunda-feira (4). O caso é investigado como feminicídio. Perícia apontou que ela havia sido morta após levar 13 facadas.
Registros anteriores também apontam que havia histórico de violência doméstica e medida protetiva envolvendo o casal. No interrogatório, Wesley admitiu que existia um procedimento anterior relacionado à violência doméstica.
Mensagens revelaram medo do ex
Semanas antes de ser assassinada, Thalita já havia relatado medo do ex-companheiro em mensagens enviadas a uma amiga.
Em um dos trechos, ela contou que acordou durante a noite e encontrou Wesley segurando uma faca. “Ele falou para mim assim: ‘Toma, chama a polícia. Fala que eu tentei te matar antes que eu faça uma merda’”, relatou a motorista.
As mensagens revelam que Thalita vivia um relacionamento marcado por ameaças, medo e violência psicológica. Ela também possuía medida protetiva contra o ex-companheiro.