A jovem Kaliene Aparecida Scarpa da Silva, de 21 anos, morreu com suspeita de dengue hemorrágica em Taubaté. A família diz que o quadro foi agravado por falhas no atendimento médico e demora na transferência hospitalar, apontando possível negligência no caso.
Moradora do Parque Três Marias, Kaliene é descrita pela família como uma jovem "doce, alegre e cheia de vida”. Segundo a família, a causa da morte foi apontada como dengue hemorrágica. A Prefeitura de Taubaté informou que apura o caso.
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Segundo relato feito a OVALE pela madrinha, Natália Scarpa Ferraz, Kaliene procurou atendimento na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) San Marino no domingo (26) e teria sido diagnosticada com uma virose, sendo liberada sem a realização de exames para dengue -- mesmo diante do cenário de epidemia na cidade, decretada no último dia 24.
“Não fizeram sequer um exame de dengue. Disseram que era só uma virose e mandaram ela para casa”, afirmou a madrinha.
Até quarta-feira (29), Taubaté contabilizava 904 casos positivos de dengue, além de 3.499 notificações descartadas. O município registra um óbito confirmado pela doença e outros cinco em investigação.
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Kaliene passou a apresentar sangramento intenso
O quadro clínico da jovem se agravou rapidamente. De acordo com a família, entre a noite de segunda-feira (27) e a madrugada de terça-feira (28), Kaliene passou a apresentar hematomas e sangramentos intensos -- sinais compatíveis com formas graves da doença.
Desesperados, os familiares retornaram à unidade de saúde, onde, desta vez, a gravidade foi reconhecida. A orientação médica indicava transferência urgente para uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva). No entanto, segundo o relato, a confirmação da vaga só ocorreu horas depois.
“A urgência foi dita às 7h, mas a transferência só foi confirmada às 15h. Perdemos tempo precioso”, disse a madrinha.
Jovem morre após dar entrada no Hospital Municipal
Kaliene foi encaminhada ao HMUT (Hospital Municipal de Taubaté) e chegou à unidade por volta das 16h. Às 16h22, teve o óbito confirmado. “O que custa um exame simples? Custa uma vida?”, questiona a família.
Além da denúncia de possível falha médica, os parentes também alertam para o avanço da dengue na região. Segundo eles, há registros recentes de outros casos na mesma rua onde a jovem morava. “Enquanto esperávamos a liberação do corpo, estavam aplicando veneno contra a dengue. Para ela, já era tarde demais”, disse Natália.
Quem era Kaliene
Descrita como uma jovem “doce, alegre e cheia de vida”, Kaliene trabalhava com crianças em uma creche e sonhava em se tornar perita criminal. “Tinha um sorriso que iluminava tudo. Era amor em forma de pessoa”, disse a madrinha.
Segundo a família, ela era dedicada, afetuosa e tinha planos de construir uma carreira voltada à justiça e ao cuidado com o próximo.
"Era daquelas pessoas raras, de coração limpo, que fazem do mundo um lugar melhor só por existirem", contou a madrinha.
Prefeitura apura o caso
Procurada por OVALE, a Prefeitura de Taubaté informou que foi acionada e que o caso está sendo apurado pela Secretaria de Saúde.
"A Secretaria de Saúde, por meio da Vigilância Epidemiológica e do setor de Urgência e Emergência, está realizando a fiscalização do atendimento prestado na UPA San Marino, gerenciada pela Organização Social Grupo Chavantes, com análise de prontuários e avaliação dos procedimentos adotados.
Após a conclusão desse levantamento, caso sejam identificadas inconsistências, será instaurada sindicância para apuração de responsabilidades junto à entidade gestora", informou a Prefeitura.