A aluna Carolina Ferreira, de 21 anos, diz ter sido vítima de ameaças após ter sido estuprada por um professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista), de São José dos Campos. A denúncia foi feita pela estudante nesta última quarta-feira (29), em postagem nas redes sociais.
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A denúncia é um desdobramento de uma série de relatos feitos pela estudante, que afirma ter tido o sonho de se formar em odontologia interrompido após o episódio, ocorrido em 2023, quando ela tinha 18 anos. Na época, Carolina morava em Taubaté e estudava na unidade da Unesp em São José.
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Segundo a jovem, o estupro teria ocorrido após ela aceitar uma carona oferecida por um professor na saída da faculdade. Após o episódio, ela relata que passou a sofrer ameaças frequentes dentro do ambiente universitário.
“Durante o tempo que fiquei na faculdade, várias vezes ele cruzou comigo e me ameaçou. Chegou a mostrar fotos da minha família no celular dele, dizendo que sabia quem eram e que, se eu falasse alguma coisa, teria consequências”, afirmou.
Relato aponta violência e trauma
Carolina afirma que a violência teve impacto profundo em sua saúde física e emocional. “Meu cérebro bloqueou memórias, transformando tudo em fragmentos confusos. Enquanto isso, meu corpo respondia com desmaios, sangramentos e sintomas sem explicação”, disse.
Apesar das dificuldades, ela tentou continuar frequentando a universidade, mas afirma que o ambiente se tornou insustentável.
Segundo a estudante, o trauma somado às ameaças a impediram de seguir na graduação. “Chegou um ponto em que eu não conseguia mais entrar na faculdade sem entrar em crise. Foi quando tranquei minha matrícula e contei aos meus pais”, relatou.
Sem condições emocionais de formalizar uma denúncia naquele momento, Carolina afirma que decidiu abandonar o curso e abrir mão da carreira que sonhava seguir. “Abri mão de tudo. Eu estava em choque, com medo, tentando apenas sobreviver”, declarou.
A Unesp confirmou, em nota enviada a OVALE, que recebeu a denúncia de estupro feita pela estudante, mas afirmou que "não dispunha de elementos para dar sequência" à queixa.
Repercussão e novas denúncias
O caso gerou repercussão dentro da comunidade acadêmica. A Associação Atlética Acadêmica Cervantes Jardim divulgou nota de repúdio e cobrou medidas efetivas por parte da universidade.
Após a divulgação do relato, outras estudantes também passaram a relatar episódios de assédio na mesma unidade, reforçando o debate sobre segurança no ambiente universitário.
Até o momento, não há confirmação de investigação formal sobre o caso por órgãos competentes. A vítima afirma que não denunciou anteriormente por medo e falta de condições emocionais.
A Unesp enviou uma nota oficial a OVALE, em que "manifesta seu firme repúdio a qualquer forma de assédio no ambiente universitário e reafirma seu compromisso com a promoção de um espaço acadêmico seguro, respeitoso e acolhedor para toda a comunidade".
Veja abaixo íntegra da nota da Unesp
"A Direção do Instituto de Ciência e Tecnologia, câmpus de São José dos Campos da Unesp, manifesta seu firme repúdio a qualquer forma de assédio no ambiente universitário e reafirma seu compromisso com a promoção de um espaço acadêmico seguro, respeitoso e acolhedor para toda a comunidade. Solidarizamo-nos com todas as pessoas que possam ter vivenciado situações de desrespeito. Reforçamos que a Universidade dispõe de canais institucionais adequados para acolhimento, orientação e encaminhamento dessas ocorrências. As denúncias podem ser formalizadas por meio de canais oficiais, que asseguram o tratamento responsável, com sigilo, imparcialidade e possibilidade de anonimato, bem como o devido acompanhamento dos casos:
- Ouvidoria Geral da Unesp: https://sistemas.unesp.br/ouvidoria/pages/externo/manifestacao.xhtml?idUnidade=1
- Ouvidoria Local: https://sistemas.unesp.br/ouvidoria/pages/externo/manifestacao.xhtml?idUnidade=30
- Direção da Unidade: diretor.ict@unesp.br
"Ressaltamos que todos os casos devidamente denunciados são e sempre serão rigorosamente apurados, em conformidade com as normas institucionais e a legislação vigente, com a adoção das providências cabíveis. Destacamos, ainda, que o ambiente universitário conta com medidas permanentes de segurança, incluindo controle de acesso com reconhecimento facial, presença de agentes de portaria e vigilância, além de sistema de monitoramento por câmeras, visando à proteção de todos que circulam na Instituição.
A Universidade também disponibiliza suporte por meio do Programa Acolhe Unesp (https://www2.unesp.br/portal#!/ouvidoria_ses/acolhe-unesp24870/) e, no âmbito do ICT/CSJC, a Seção Técnica de Saúde conta com profissionais capacitados para acolhimento presencial. Reiteramos nosso compromisso com a integridade, o respeito mútuo e a convivência ética. Permanecemos à disposição para acolher, orientar e agir com responsabilidade sempre que necessário", diz a nota.