TARSILA DO AMARAL

Campos do Jordão cobra volta de 'Operários' ao Palácio Boa Vista

Por Guilhermo Codazzi | Campos do Jordão
| Tempo de leitura: 2 min
Editor-chefe de OVALE
Reprodução/Acervo do Estado de São Paulo

Ícone do modernismo brasileiro, o quadro Operários (1933), deixou um vazio no Palácio Boa Vista, em Campos do Jordão, desde que foi retirado, em 2019. Agora, moradores da cidade se mobilizam para trazer a obra de 'volta para casa'.

Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp

A obra, de Tarsila do Amaral (1886-1973), permaneceu no Palácio Boa Vista entre 1970 e 2019, quando foi transferido, na gestão do governador João Doria (à época no PSDB), para o Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, sede do governo estadual.

Nesta quarta-feira (29), dia do aniversário de Campos do Jordão, a Academia de Letras de Campos do Jordão publicou um manifesto, solicitando ao governo do Estado de São Paulo o retorno da obra ao local onde permaneceu por quase cinco décadas. O pedido será protocolado nesta quinta (30).

Obra marcou a identidade cultural da cidade

Obra na parede do Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo | Divulgação: Governo de SP

Pintado em 1933 por Tarsila do Amaral, o quadro Operários é uma das obras mais emblemáticas da arte brasileira. A pintura retrata o processo de industrialização do estado de São Paulo e a diversidade de trabalhadores que migraram de diferentes regiões do país para atuar nas fábricas no início do século 20.

Durante quase 50 anos exposto no Palácio Boa Vista, o quadro passou a integrar o imaginário cultural de Campos do Jordão, tornando-se referência para visitantes e moradores.

Manifesto cobra retorno e reforça valor simbólico

O manifesto destaca que a retirada da obra rompeu um vínculo histórico entre o quadro e a cidade.

“Não se trata apenas de uma obra de arte, mas de um símbolo que passou a fazer parte da identidade cultural de Campos do Jordão. Sua retirada deixou uma lacuna que ainda é sentida pela população”, afirmou a OVALE, o presidente da Academia de Letras de Campos do Jordão, Carlos Gouvêa.

Ele também reforçou que o retorno do quadro ao Palácio Boa Vista representaria um resgate histórico. “Queremos que Operários volte para o lugar onde foi apreciado por gerações. É uma questão de memória, de pertencimento e de respeito à história cultural da cidade”, declarou.

Fachada do Palácio Boa Vista, em Campos do Jordão | Divulgação/Governo do Estado de SP

Impacto no turismo e na memória

Os organizadores do movimento defendem que o retorno da obra pode fortalecer o turismo cultural no município, conhecido por seu acervo artístico e arquitetura.

Para eles, a ausência do quadro compromete parte da experiência cultural oferecida no Palácio Boa Vista, um dos principais pontos turísticos da cidade.

Procurado por OVALE, até o momento, o governo do Estado de São Paulo não comentou o pedido. O espaço segue aberto para posicionamento oficial.

Comentários

Comentários