O diagnóstico realizado para a implantação do projeto São José Social indicou que 80% dos moradores de rua em São José dos Campos utilizam drogas, com predominância de álcool e crack.
O levantamento, apresentado pelo vice-prefeito de São José, coronel Wilker Lopes (MDB), aponta que as mulheres compõem 10% desse grupo e que a ruptura de laços familiares é o fator central da condição de vulnerabilidade.
Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp
Características
Durante a reunião de lançamento do programa, Wilker afirmou que São José tem um "semáforo rico", termo que designa a prática de entrega generosa de esmolas pelos munícipes.
Essas doações custeiam o consumo de substâncias e contribuem para a permanência dos indivíduos nas ruas, desestimulando a procura por serviços de reinserção. Outro ponto abordado foi a relação qualidade x preço das substâncias ilícitas comercializadas na região.
Estratégia
A estratégia do município para quebrar esses fatores, que criam a ambiência favorável para que grupos se estabeleçam em determinados locais, envolve o trabalho conjunto entre secretarias, forças de segurança e instituições.
O pontapé inicial foi o lançamento da campanha "Não dê esmolas, dê dignidade", que visa alterar o comportamento da população e desmobilizar os pontos de concentração de grupos nas vias públicas.
A prefeitura pretende conscientizar munícipes de que o município já custeia auxílio a essas pessoas por meio de abrigos, tratamento para dependência química, suporte para doenças associadas, qualificação profissional e auxílios para que mulheres busquem autonomia financeira.
Problema mundial e reflexo local
"A problemática de pessoas em situação de rua é um problema do mundo, da humanidade, principalmente pós-pandemia. E nós também não vemos e não vimos, pelo menos até o momento, ninguém que tenha tirado totalmente esse problema da sua agenda. É um desafio constante. Alguns tiveram mais êxito, outros menos êxito, mas todos eles continuam tendo que lidar com isso diariamente, a sociedade tem que enfrentar esse problema diariamente", diz o coronel.
No âmbito técnico, a gestão municipal definiu que o termo "pessoas em situação de rua" será aplicado aos cidadãos naturais de São José dos Campos. O diagnóstico identificou que uma grande parcela desta população é oriunda de outros municípios.
Em 2025, 2.735 pessoas foram reconduzidas às cidades de origem, com custo de R$ 133.899,60.
Atualmente, a administração realiza o recâmbio de 250 a 300 pessoas por mês e busca parcerias com o Ministério Público e outras prefeituras para redução dessa frequência.
Encaminhamentos
O plano inclui a identificação de indivíduos com mandados de prisão em aberto ou participação em furtos e agressões, que são encaminhados ao sistema prisional. Para o restante do público, composto por pessoas com questões psiquiátricas, conflitos familiares ou migrantes que precisam de acolhimento, o projeto prevê protocolos de atendimento específicos para cada perfil identificado.
"Na minha singela opinião, eu acho que a solução disso não tá apenas pela questão de governo de maior ou menor competência, e sim na integração de toda a força do município e da sociedade, com um único objetivo. Todos nós temos muita força e energia para resolver esse problema e estamos fazendo isso", finaliza Wilker.