A Prefeitura de São José dos Campos lançou oficialmente, nesta sexta-feira (24), o programa São José Social, iniciativa que promete organizar as políticas públicas voltadas à população em situação de rua. O anúncio foi feito durante reunião no Paço Municipal.
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A proposta busca integrar diferentes setores (como governo, comércio, igrejas, ONGs e universidades) em uma atuação conjunta baseada em planejamento, dados e coordenação.
Programa aposta em integração e organização
Segundo o prefeito Anderson Farias (PSD), o projeto vai além de uma ação isolada e propõe uma mudança na forma de atuação social no município.
"O que a gente lança não é um programa. O que a gente lança, na verdade, inicia todo um processo de um grupo de trabalho. Quando a gente fala do social, nós estamos falando aqui de várias áreas. A gente fala social, a primeira coisa que vem à cabeça: a pessoa em vulnerabilidade, que precisa de uma cesta básica, certo? Ou as pessoas que estão em situação de rua, né? É muito mais do que isso. A gente tem essa missão. O que a gente quer, principalmente, na nossa proposta, é organizar as informações e as ações. Será que se a gente fizesse um trabalho junto, organizado, será que a gente não conseguiria atingir mais pessoas? Ou então, focar em locais ou pessoas ou comunidades que estão mais precisando", afirmou o prefeito.
A iniciativa pretende centralizar dados e otimizar recursos já existentes, ampliando o alcance das políticas públicas.
Diagnóstico aponta dependência química
O programa foi estruturado a partir de um diagnóstico conduzido ao longo do último ano pelo vice-prefeito de São José, coronel Wilker Lopes (MDB). O levantamento indica que cerca de 80% da população em situação de rua enfrenta dependência química, principalmente de crack e álcool, além de problemas de saúde mental e ruptura de vínculos familiares.
O São José Social será baseado em quatro frentes principais:
- Segurança: monitoramento de comportamentos criminosos;
- Saúde: tratamento de dependência química e doenças associadas;
- Assistência social: ampliação do suporte especializado;
- Reinserção: requalificação social, familiar e profissional;
Outro ponto destacado é a origem dessa população. Segundo a Prefeitura, muitos dos moradores em situação de rua vêm de outras cidades. Atualmente, entre 250 e 300 pessoas por mês são encaminhadas de volta aos municípios de origem.
Campanha contra esmolas é retomada
O programa também retoma a campanha “Não Dê Esmola, Dê Cidadania”. A gestão municipal argumenta que a doação direta de dinheiro contribui para a permanência nas ruas.
A estimativa é de que grande parte dos valores doados seja direcionada ao consumo de drogas, o que dificulta o acolhimento nos serviços públicos.
Rede de apoio e acolhimento
A cidade conta com uma estrutura formada por Cras, 11 abrigos, equipes psicossociais e apoio do PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador) para reinserção no mercado.
O modelo prevê acolhimento humanizado, incluindo a possibilidade de entrada com animais de estimação em alguns casos.
Orientação à população
A Prefeitura orienta que moradores evitem doações diretas e acionem os serviços especializados pelos telefones 153 ou 156, contribuindo para o encaminhamento adequado das pessoas em situação de vulnerabilidade.