Um adolescente de 16 anos expeliu uma gaze que havia sido esquecida dentro dele durante uma cirurgia realizada há mais de um ano, em Caçapava. O caso aconteceu no Hospital Fusam (Fundação de Saúde e Assistência do Município de Caçapava), para onde ele foi levado nesta quarta-feira (22) para retirar a gaze inteira de dentro do organismo.
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Segundo a família, o jovem tinha 15 anos, em 29 de dezembro de 2024, quando foi baleado numa ocorrência em que morreu a irmã dele, Rayane Cristina Dantas, na época com 19 anos. Ela foi assassinada no bairro Pinus do Iriguassu 1, em Caçapava. O jovem também foi baleado, mas sobreviveu.
O adolescente levou um tiro no abdômen e passou por cirurgia logo após o crime. Desde então, segundo a família, ele sente desconforto e dores na região da barriga, além de ter que usar uma bolsa de colostomia.
Dores se intensificaram
No entanto, as dores se intensificaram há dois meses e, nesta quarta-feira (22), ele começou a expelir um pedaço da gaze que foi deixada dentro dele, como afirma a família, que aponta negligência no caso. A gaze só foi inteiramente tirada após ele ser levado ao Hospital Fusam.
“Ele sentia dores e desconforto há um ano. Há dois meses, essa dor aumentou muito, indo e vindo. Hoje de manhã ele estava sentindo dores e a gaze saiu para fora. Levamos ao pronto-socorro da Fusam. O médico tirou e era uma gaze inteira”, disse uma tia do adolescente.
Boletim de ocorrência
Segundo ela, a família vai registrar um boletim de ocorrência sobre o caso e procurar a justiça para processar o hospital.
“Não se esquece uma gaze dentro de uma pessoa. Ele sentiu muitas dores. Na época da cirurgia, ele operou em um domingo, às 5h30, e na quarta-feira seguinte o médico deu alta. Não foram nada cuidadosos com o tratamento dele.”
“Ele não conseguiu ir para escola. Ficou quatro meses sem conseguir andar. Bolsa e dores. Ficou traumatizado com o caso”, afirmou ela.
Segundo a tia, o prontuário da cirurgia não traz as informações sobre o que o médico fez no adolescente. “Não entendemos isso. Estamos correndo atrás disso há um ano, pedindo informações”.
Outro lado
Procurado pela reportagem de OVALE, o Hospital Fusam informa que o caso foi devidamente encaminhado para avaliação técnica do prontuário, seguindo os fluxos institucionais de análise assistencial.
"Caso seja identificada necessidade, o material será direcionado às comissões éticas competentes, conforme critérios definidos pela Diretoria Técnica", diz a instituição.
"Ressaltamos que houve ausência do paciente aos acompanhamentos ambulatoriais previamente orientados, no período de seguimento pós-operatório, o que pode ter impactado na continuidade adequada do tratamento. Nesta data, o paciente retornou à unidade para continuidade da assistência."
"Destaca-se que o acompanhamento regular no pós-operatório é fundamental para a identificação precoce de intercorrências, e situações como a relatada poderiam ser avaliadas de forma antecipada caso o seguimento tivesse ocorrido conforme orientado", informa o hospital.
"O Hospital FUSAM reforça seu compromisso com a assistência segura, ética e responsável, mantendo todos os protocolos de qualidade e segurança do paciente, com a devida apuração técnica sempre que necessário, respeitando integralmente o sigilo das informações em saúde", completa a nota.