FALTA DE PAGAMENTO

Profissionais denunciam 'calote' de clínica de SJC e Jacareí

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Freepik/Reprodução
Imagem ilustrativa
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Profissionais das unidades da Clínica ABA (Grupo Alvorada) em Jacareí e São José dos Campos denunciam falta de pagamentos e crise de gestão com impacto e interrupção de serviços essenciais para crianças neurodivergentes.

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A instituição nega irregularidades, mas assume readequações impostas por decisões governamentais.

Relatos de inadimplência

Segundo ex-colaboradores e funcionários atuais, os problemas financeiros começaram em dezembro de 2025. O que iniciou com atrasos pontuais evoluiu para o fracionamento de até 50% dos vencimentos e, atualmente, para a ausência total de remuneração para fonoaudiólogos, psicólogos e terapeutas.

"Tem profissionais correndo o risco de ficar sem casa por conta de meses de aluguel atrasados. Outra colega está apresentando problemas cardíacos devido ao estresse extremo da situação", relatou uma trabalhadora sob condição de anonimato.

Demissões 

Os relatos apontam que a crise se agravou em março de 2026, quando boa parte do corpo técnico especializado foi demitida e as unidades teriam passado a operar majoritariamente com estagiários sob supervisão reduzida.

A instituição teria adiado sistematicamente os prazos de pagamento, sem oferecer uma solução definitiva e falhado na quitação das verbas rescisórias de colaboradores desligados em fevereiro.

Insegurança jurídica

Denunciantes suspeitam da regularidade dos processos, alegando que muitos profissionais atuam sem vínculo formal, o que dificulta a via judicial. Uma supervisora de psicologia teria sido impedida de retirar seus pertences da clínica, conseguindo fazê-lo apenas com auxílio de um advogado.

Também afirmam que a instituição já teria declarado falência em outras ocasiões para abrir novos CNPJs, repetindo o padrão de dívidas com novos funcionários.

A situação pode impactar o desenvolvimento de crianças que dependem de acompanhamento contínuo, uma vez que a falta de especialistas compromete a eficácia das terapias para pacientes atípicos na região.

O outro lado: resposta da Clínica ABA

Em nota enviada ao OVALE, a Clínica ABA informou que sua operação foi diretamente afetada por uma determinação da ANS (Agência Nacional de Saúde). Em 14 de março de 2026, foi definida a liquidação da carteira da operadora Ativia, sua principal demandante, o que gerou uma portabilidade em massa de pacientes.

Reestruturação

A clínica justifica que a redução da demanda exigiu uma reestruturação e que "essas mudanças decorrem de uma determinação externa, não sendo uma decisão interna da gestão.” Quanto aos salários, a administração admite a falha, mas afirma que “a situação já está em processo de regularização”. Segundo a nota, os valores em atraso referem-se ao vencimento de 10 de abril, com previsão de quitação total até a próxima segunda-feira (27).

Relata ainda que atua em conformidade com a legislação vigente, adotando diferentes formatos de contratação conforme a natureza de cada função, incluindo regime CLT, prestação de serviços e estágio, todos devidamente formalizados. Em relação à alegação da retirada de pertences, a gestão afirma desconhecer qualquer impedimento dessa natureza até o momento. "De toda forma, a situação será apurada internamente para os devidos esclarecimentos."

Regularidade

A administração também nega veementemente a suspeita de que teria declarado falência e aberto novos CNPJs no passado. "A informação mencionada não procede", diz a nota. "O Hospital Alvorada é uma instituição com mais de 50 anos de atuação, sem histórico de encerramento de CNPJs ou processos de falência", complementa.

Por fim, a clínica esclarece que segue com seus atendimentos normalmente e já está em processo de credenciamento para outros convênios. A operadora Ativia Saúde era apenas uma cliente da clínica e a relação entre as partes era exclusivamente comercial.

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