A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu alerta na última semana informando que medicamentos e suplementos com extratos concentrados de cúrcuma podem causar, em casos raros, danos no fígado. Como medida preventiva, a agência determinou a atualização das bulas dos remédios e anunciou que vai exigir advertências mais claras nos rótulos dos suplementos.
A cúrcuma, também conhecida como açafrão-da-terra, é amplamente usada como tempero na alimentação. Segundo a Anvisa, não há risco relacionado ao consumo culinário da planta. A preocupação envolve produtos com extratos concentrados da substância, principalmente quando usados por via oral.
O que motivou o alerta
A decisão foi tomada após análises de dados internacionais e relatos de efeitos adversos em outros países. Agências reguladoras do Canadá, França, Alemanha, Itália e Austrália identificaram casos raros, mas potencialmente graves, de hepatotoxicidade, isto é, lesão no fígado, associados ao uso de cápsulas e medicamentos com cúrcuma ou curcumina (substância extraída da planta).
Em alguns registros no exterior, os pacientes evoluíram para insuficiência hepática e, em situações extremas, houve morte. Os especialistas apontam que o problema parece ser uma reação idiossincrática — incomum e individual, que não acontece com a maioria das pessoas.
No Brasil, até o momento, foram registradas 13 notificações de eventos adversos relacionados a medicamentos com cúrcuma e apenas uma notificação envolvendo suplemento alimentar. Nenhum dos casos relatados no país envolveu dano hepático.
Dose limitada e novas exigências
Hoje, suplementos alimentares no Brasil podem conter extrato de cúrcuma com limite máximo de 130 mg por dia de curcumina. Outro composto derivado da planta, os tetraidrocurcuminoides, tem limite de 120 mg diários.
A Anvisa informou que vai reavaliar o uso desses ingredientes em suplementos para verificar se serão necessárias novas medidas de segurança.
Além disso:
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As bulas dos medicamentos deverão trazer alerta sobre risco de lesão hepática e orientação para interromper o uso diante de sintomas.
Suplementos passarão a ter advertência obrigatória no rótulo.
Produtos que utilizem técnicas para aumentar a absorção da curcumina no organismo poderão ser alvo de revisão.
A substância piperina — encontrada na pimenta-do-reino e usada em outros países para aumentar a absorção da curcumina — não é autorizada como ingrediente em suplementos no Brasil.
Quais são os sintomas de alerta
A Anvisa orienta que pacientes procurem atendimento médico se apresentarem sinais como:
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Pele e olhos amarelados (icterícia);
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Urina escura;
Náuseas e vômitos;
Cansaço excessivo;
Falta de apetite;
Dor abdominal.
Pessoas com doenças no fígado, problemas na vesícula biliar, úlcera ou que fazem uso de anticoagulantes, imunossupressores ou certos medicamentos contra o câncer devem evitar o uso sem orientação médica.
Orientação ao consumidor
A agência reforça que suplementos alimentares não são medicamentos e não podem prometer tratamento ou cura de doenças. O órgão recomenda que consumidores leiam atentamente os rótulos, respeitem as doses indicadas e não sigam orientações divulgadas na internet que prometem “potencializar” os efeitos da cúrcuma por meio de combinações caseiras.
Este é o primeiro alerta nacional da Anvisa sobre risco hepático associado à cúrcuma em produtos concentrados.