O movimento grevista na Urbam (Urbanizadora Municipal S.A.), em São José dos Campos, obteve a adesão em todos os setores da empresa nesta segunda-feira (20). Apesar das tentativas de negociação e de medidas administrativas, o impasse entre os trabalhadores, a empresa e a prefeitura permanece.
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A paralisação, que inicialmente se concentrava em áreas específicas, agora atinge diversas frentes da Urbam.
De acordo com relatos de lideranças do movimento, há trabalhadores parados nas áreas de coleta e varrição; obras com mais de 100 profissionais envolvidos; manutenção, envolvendo prédios públicos da educação e saúde; Central 156 e fiscalização, incluindo equipes de trânsito e radares.
Impasse na negociação
Após fracasso das tentativas de negociação direta, a resolução passou a depender do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-15). A audiência de conciliação está mantida para quarta-feira, dia 22 de abril, às 14h.
A prefeitura terá participação obrigatória, ainda que remotamente, embora tenha solicitado a dispensa do prefeito Anderson Farias (PSD), alegando que seria uma presença onerosa e dispensável.
O desembargador responsável, no entanto, entendeu que, como acionista majoritária da empresa e considerando pautas de interesse público, especialmente no que se refere à saúde da população, a Prefeitura deve estar representada.
Sindicato aponta assédio moral contra funcionários
Ao passo que a adesão ao movimento aumenta, surgem denúncias sobre assédio moral e pressão excessiva durante as atividades laborais, além de questões de insalubridade. As queixas, apresentadas pelo sindicato, são todas negadas pela Urbam, que afirma ter canais de denúncias funcionais e confidenciais para tratar de casos de supostos abusos.
Trabalhadores afirmam receber telegramas convocatórios enviados pelo Departamento de Recursos Humanos da Urbam os pedindo a comparecer com urgência à sede da empresa, na Vila Industrial, para tratar de "assunto de seu interesse". Ao chegarem na unidade, percebem que não há uma pauta concreta, servindo apenas, segundo eles, para gerar receio de represálias e forçar o retorno ao trabalho. Uma tática é vista como uma forma de perseguição e coerção.
Segundo Marcelo Ribeiro, diretor do SEAAC, sindicato que representa os colaboradores da Urbam, os documentos têm data de 15 de abril de 2026.

Segundo o sindicato, a greve continua. Na manhã desta segunda-feira (20), trabalhadores se reuniram em frente ao AME (Ambulatório Médico de Especialidades), embora não seja um dia de trabalho, devido à emenda de feriado.
O que diz a Urbam
Até o fechamento desta reportagem, OVALE ainda não havia recebido posicionamento da Urbam sobre o envio de telegramas. O espaço permanece aberto.
Em posicionamento divulgado na última semana, a Urbam informou que o movimento de greve conduzido pelo sindicato entrou no 5º dia "prejudicando o pleno atendimento dos serviços prestados à população".
"Os serviços essenciais estão sendo mantidos de forma parcial, com atuação contínua das equipes para amenizar os impactos causados pelos grevistas. O serviço 156 funciona normalmente, pelo site, app e telefone", disse a empresa.
Por decisão judicial, permanece obrigatória a manutenção mínima de 70% do efetivo nas atividades essenciais.
A Urbam tem mais de 4.112 funcionários e, pela estimativa da empresa, cerca de 300 aderiram à paralisação. Os principais setores afetados são os de varrição e coleta seletiva.
No próximo dia 22, está marcada uma audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, de Campinas, para a resolução do movimento.
"A Urbam reafirma seu compromisso com a continuidade dos serviços públicos, a transparência na condução do tema e a colaboração com as autoridades competentes", informou.