Cicloativistas se reuniram, no último sábado (18), no Memorial Salviano, localizado na Avenida John Boyd Dunlop, no distrito do Campo Grande, em Campinas, para homenagear o primeiro ciclista atropelado na via. O local é marcado por uma bicicleta branca, conhecida como “ghostbike”, símbolo internacional que remete ao acidente que matou Salviano Pereira dos Santos, de 70 anos, em 1990.
Há 36 anos, o idoso foi atingido por um ônibus enquanto pedalava. Desde então, familiares e ativistas realizam um ato simbólico anual no dia 18 de abril. Neste ano, a programação incluiu limpeza do memorial, plantio de flores e árvores e colocação de cruzes para chamar a atenção de quem passa pelo local.
Emocionada, Sirlene Pereira, filha da vítima, contou que o pai “gostava muito de pedalar e usava a bicicleta para seus deslocamentos”. Já a neta Wanderlyce Pereira reforçou que a data serve para lembrar a cidade da importância das ciclovias: “Se tivesse ciclovias, meu avô não teria morrido”.
Protesto
O ato ocorre em um momento delicado para os ciclistas da região. Só neste ano, pelo menos duas ciclovias foram apagadas no distrito, sendo uma no Parque Floresta e outra no Jardim Florence. Outras vias estão abandonadas e apresentam riscos de acidentes, incluindo quedas graves.
Nas redes sociais do Coletivo Campo Grande, moradores denunciam a falta de segurança tanto em vias sem ciclovias quanto no abandono das estruturas existentes. O integrante do Conselho de Mobilidade de Campinas, Irineu Ramos, afirmou que “desde 2024, a prefeitura de Campinas não entrega novas ciclovias, mantendo estagnado o plano cicloviário do município enquanto assiste, passivamente, ao aumento das mortes de ciclistas na cidade”.