Nunca foi tão alto o número de motociclistas mortos em acidente de trânsito no Vale do Paraíba quanto no primeiro trimestre de 2026, o mais mortal da série histórica do Infosiga, que começa em 2015.
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De janeiro a março de 2026, 47 motociclistas morreram em acidentes de trânsito na região. Eles representaram 58,75% do total dos 80 óbitos no trânsito.
O número de mortes e o percentual são os maiores da série histórica do Infosiga para o primeiro trimestre. Eles superam até mesmo os três primeiros meses de 2015, até então o ano com mais mortes em acidentes de trânsito na região, com 417. Naquele ano, 42 motociclistas perderam a vida na região, representando 41,58% do total de óbitos.
Depois de 2015, a morte de motociclistas caiu para 19 no primeiro trimestre de 2017, até agora o período com menos acidentes fatais envolvendo motos da série histórica.
Nos anos seguintes, considerando os três primeiros meses do ano, o número de motociclistas mortos voltou a subir e chegou a 38 em 2022 e a 39 no ano passado, batendo o recorde em 2026, com as 47 mortes.
Redução no total de mortes
O aumento acontece no ano em que o total de mortes em acidentes de trânsito caiu 23% no Vale do Paraíba na comparação entre o primeiro trimestre de 2026 e o de 2025, reduzindo de 104 para 80 óbitos.
As 80 mortes nos três primeiros meses de 2026 representam o menor número de óbitos desde 2023, quando 75 pessoas perderam a vida em acidentes na região.
Na contramão, os motociclistas tiveram um aumento de 20,5% nas mortes neste ano na comparação com o ano passado. Foram 47 óbitos em 2026 contra 39 no primeiro trimestre do ano passado.
Hospital
Os acidentes envolvendo motociclistas seguem entre as ocorrências mais frequentes atendidas no Hospital Municipal de São José dos Campos e acendem um alerta sobre a necessidade de mais prudência no trânsito.
Entre março de 2025 e março de 2026, a unidade registrou 2.075 atendimentos relacionados a acidentes com moto, número que evidencia tanto a gravidade do problema quanto o impacto direto na rotina da assistência hospitalar.
Na prática, os dados representam uma média de 173 ocorrências por mês, cerca de 40 por semana e quase seis atendimentos por dia envolvendo esse tipo de acidente.
O volume elevado mostra a importância da conscientização de motociclistas, motoristas e demais usuários das vias sobre a necessidade de uma convivência mais segura e responsável no trânsito.
“Os acidentes de moto também trazem um impacto social muito importante. Muitas vezes, o paciente precisa se afastar do trabalho por semanas ou até meses, dependendo da gravidade da lesão. Isso gera consequências não apenas para a recuperação física, mas também para a vida profissional, para a renda familiar e para a seguridade social. É uma situação que ultrapassa o ambiente hospitalar e afeta diretamente a vida das pessoas”, disse a médica Laís Pinheiro, coordenadora da equipe de Ortopedia do Hospital Municipal.
Campanha
No começo de outubro do ano passado, o Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo) lançou uma campanha para reduzir as mortes de motociclistas no estado.
Segundo o órgão estadual, a campanha foi lançada para mudar comportamentos de risco. O alvo principal é o excesso de velocidade.
“Imagine que você vem dirigindo a sua moto a 50 km/h e algo inesperado acontece. Você levaria alguns segundos até conseguir parar por completo. Agora, imagine que você estivesse vindo a 60 km/h”, diz o texto da campanha, que é interrompido pelo som da batida. “10 km acima do limite. A diferença entre a vida e a tragédia.”
A campanha, cujo tema é “Não corra. A velocidade não perdoa”, foi desenvolvida em parceria com a Iniciativa Bloomberg para a Segurança Viária Global (BIGRS), com apoio técnico da Vital Strategies.
A peça para TV é protagonizada por Bruno Santos, um motociclista que sobreviveu a um sinistro. “Você está tendo a chance de aprender isso neste vídeo. Eu aprendi aqui, nesta rua”, diz ele de sua cadeira de rodas.