CASO NO SUPREMO

STF: Associação de genro de Fux recebeu R$ 200 milhões na região

Por Da redação | São Sebastião
| Tempo de leitura: 3 min
Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil
Terminal de petróleo em São Sebastião
Terminal de petróleo em São Sebastião

Um genro do ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), faz parte de uma associação que recebeu cerca de R$ 200 milhões da Prefeitura de São Sebastião. Trata-se do Nupec (Núcleo Universitário de Pesquisas, Estudos e Consultoria), contratado em julho de 2022, sem licitação, para representar o município na disputa pelos royalties de petróleo contra Ilhabela.

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Como a cidade recebeu cerca de R$ 1 bilhão pelos royalties do petróleo, após seis anos de disputa judicial, com o valor depositado na conta da Prefeitura em 2023, o contrato previa o pagamento de 20% do valor em honorários para o Nupec, o que dá cerca de R$ 200 milhões.

A contratação sem licitação e o valor foram questionados na justiça. No final de outubro de 2025, o STF, em decisão liminar (provisória) do ministro Dias Toffoli, reconheceu a legitimidade do contrato entre a Prefeitura e o Nupec e que o honorário estava dentro do valor de mercado. A falta de licitação foi considerada válida porque o caso exigia especialização profissional.

Caso no STF

O caso envolvendo o Nupec e a Prefeitura de São Sebastião terá implicações no STF, com relação à atuação de parentes de ministros em processos analisados pela Corte.

Nesta terça-feira (14), a Segunda Turma do STF, da qual faz parte o ministro Fux, começa a julgar um caso que trata da contratação de advogados junto a órgãos públicos, sem a exigência de licitação, para causas relacionadas à exploração de petróleo, cujas cifras são milionárias.

O caso que começa a ser julgado não tem ligação direta com o Nupec, associação que tem como membro um genro de Fux, mas seu desfecho pode balizar outra ação, essa sim protagonizada pela entidade cujo parente do ministro integra.

São Sebastião

O caso de interesse do Nupec também é da relatoria de Toffoli. Trata-se da decisão em caráter liminar (provisória) que reconhece a legalidade de um contrato firmado entre a entidade e o município de São Sebastião, pelo qual o Nupec pode receber R$ 200 milhões por honorários.

Chegaram ao STF atas do Nupec com a assinatura do genro de Fux, além de uma petição na qual ele representa a entidade em São Sebastião.

Como a decisão no caso que está pautado para esta terça pode influenciar o julgamento da liminar de Toffoli que beneficiou o Nupec, ainda não pautada pelo ministro, há uma ala do STF que prega a provocação da suspeição de Fux já no caso desta terça, o que aumenta a guerra interna que se desenrola nos bastidores do Supremo.

Procurada, a Nupec ainda não comentou. O espaço segue aberto para a manifestação.

O que diz a Prefeitura

A Prefeitura de São Sebastião informou que os valores referentes aos honorários contratuais devidos ao Nupec (Núcleo Universitário de Pesquisas, Estudos e Consultoria) foram pagos em 2025, em cumprimento a decisão liminar proferida pelo STF (Supremo Tribunal Federal), no âmbito do processo que trata da redistribuição dos royalties do petróleo.

“Os valores permaneceram integralmente depositados em conta judicial durante toda a tramitação processual, sem ingresso, movimentação ou disponibilidade financeira nos cofres do Município. A liberação ocorreu diretamente pela instituição financeira depositária, por ordem judicial, às partes legalmente habilitadas, sem participação administrativa, financeira ou operacional da Prefeitura”, disse a administração municipal.

“O contrato previa remuneração correspondente a 20% sobre o resultado econômico efetivamente obtido na demanda judicial, condicionada ao êxito da ação. A aplicação do percentual decorreu dos termos contratuais e foi submetida à apreciação do Poder Judiciário, no curso do processo, que reconheceu sua validade e determinou sua execução nos limites fixados na decisão liminar”, informou.

Segundo a Prefeitura, o pagamento seguiu rito exclusivamente judicial, com execução automática pela instituição financeira responsável, a partir de valores vinculados ao processo e mantidos sob custódia do Judiciário. “Não houve empenho, liquidação, ordem de pagamento ou qualquer ato de execução orçamentária por parte do Município”, apontou.

“O caso integra a execução de decisões judiciais relacionadas à redistribuição dos royalties do petróleo, em curso no âmbito do Poder Judiciário, de cumprimento obrigatório pela administração pública, nos termos das determinações judiciais vigentes”, completou o governo municipal.

* Com informações do UOL

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