PREFEITURA

Após decisão judicial, Taubaté muda sistema para registrar ponto

Por Julio Codazzi | Taubaté
| Tempo de leitura: 4 min
Arquivo/OVALE
Novo sistema prevê equipamentos de biometria facial em todas as repartições municipais, mas abre brecha para servidores registrarem ponto via aplicativo de celular
Novo sistema prevê equipamentos de biometria facial em todas as repartições municipais, mas abre brecha para servidores registrarem ponto via aplicativo de celular

Após a Justiça determinar que a Prefeitura de Taubaté alterasse o sistema utilizado para aferir a frequência dos servidores comissionados e dos auditores fiscais de tributos, a administração municipal decidiu trocar o sistema de ponto biométrico usado nas repartições públicas.

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O novo sistema de gestão de ponto poderá custar até R$ 781 mil por ano. A empresa que ficará responsável pelo serviço será definida nessa quarta-feira (15), em um pregão eletrônico.

A empresa ficará responsável por fornecer tanto os relógios de ponto quanto o software de gestão de ponto, além de promover o suporte técnico e o treinamento dos servidores.

Justiça.

Em uma ação protocolada em junho de 2023, a PGJ (Procuradoria Geral de Justiça) contestou o trecho da legislação municipal que dispensava do controle de jornada de trabalho os comissionados e os auditores. Nessa ação, que foi julgada procedente pelo Tribunal de Justiça em setembro daquele ano, a PGJ alegou que esse trecho da norma inviabilizava "qualquer controle, interno e externo, acerca do cumprimento de jornada mínima de trabalho", o que facilitava "a existência dos chamados 'funcionários fantasmas'".

Após o fim desse processo, em março de 2025 (quando os recursos se esgotaram), o Ministério Público solicitou à Prefeitura informações sobre qual medida seria adotada para cumprir a decisão judicial. A resposta foi que seria mantido o controle de frequência manual, que a administração municipal considerava satisfatório. Mas, para a Promotoria, esse sistema era falho.

O MP apontou à Justiça que, em fevereiro de 2025, os servidores que usaram o sistema de frequência manual registraram a entrada e a saída no período da manhã e da tarde sempre nos mesmos exatos horários. Ou seja, segundo o registro, ao longo de um mês, 174 comissionados e 11 auditores não teriam chegado ao trabalho sequer um minuto adiantados ou atrasados.

Em julho de 2025, o MP ajuizou uma segunda ação, dessa vez para pedir que a Prefeitura fosse obrigada a cumprir a decisão do primeiro processo. Ainda naquele mês, a Vara da Fazenda Pública de Taubaté determinou que os comissionados e auditores passassem a utilizar o mesmo controle de ponto que os servidores concursados em até 60 dias úteis. Desde 28 de outubro do ano passado, esse grupo também passou a registrar frequência em pontos biométricos, que marcam com exatidão o horário de entrada e saída nas repartições.

Novo sistema.

No edital da licitação que irá alterar o sistema de ponto biométrico, a Prefeitura alegou que "a contratação de uma empresa especializada tem como objetivo modernizar o controle de frequência dos servidores municipais, substituindo o sistema atual, que apresenta falhas frequentes por ausência de manutenção periódica, exige inserções manuais, não integra com a folha de pagamento e não permite marcação em trânsito".

Com o novo sistema, todas as repartições municipais terão equipamentos de ponto com tecnologia de reconhecimento facial. No entanto, ao contrário do contrato atual, o novo sistema prevê a disponibilização de aplicativo para registro de ponto via celular, o que permitirá que os servidores registrem entrada ou saída do serviço mesmo quando estiverem fora das repartições.

A reportagem questionou que ferramentas serão adotadas para impedir que o registro de frequência pelo celular abra brecha para fraudes. A Prefeitura respondeu que "o uso de aplicativo para registro de frequência será uma ferramenta complementar, adotada quando o registro presencial não for viável", e que "sua utilização poderá ser liberada, mediante acordo com o servidor e autorização da administração, conforme a necessidade do serviço".

A Prefeitura afirmou ainda que "o sistema contará com configurações e mecanismos de controle, como perfis de acesso, vinculação à localização, validações de segurança e auditoria das marcações, garantindo uso adequado, seguro e alinhado ao interesse público".

Sobre a decisão de trocar o sistema atual por um novo, a Prefeitura afirmou que "busca unificar o sistema de controle de frequência, contemplando desde unidades da área urbana até a área rural, além de garantir isonomia no tratamento dos servidores, com regras e ferramentas padronizadas", e que dessa forma "terá melhor confiabilidade, rastreabilidade e transparência das informações, e vai otimizar a gestão de dados de frequência, facilitando auditorias, fiscalização e tomadas de decisão". "Com uma tecnologia mais avançada, a meta é também reduzir falhas operacionais, com integração entre equipamentos (relógios de ponto) e sistema de gestão", completou o município.

A Prefeitura alegou ainda que o "novo modelo de contratação contribui diretamente para o cumprimento" das decisões judiciais a respeito do registro de ponto dos comissionados. "A implantação de um sistema único e integrado permitirá a inclusão de todos os servidores no controle de frequência, independentemente do vínculo ou natureza do cargo, abrangendo servidores efetivos, ocupantes de cargos em comissão e auditores fiscais tributários".

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