Uma rotina de atendimentos médicos preventivos transformou-se em indignação para as famílias dos alunos da Escola Municipal Sílvio Silveira Mello Filho, em Jacareí.
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Pais denunciam que crianças foram submetidas a exames médicos sem roupas, contrariando o informativo oficial enviado pela escola, que afirmava que esse procedimento não seria adotado.
O caso ocorreu no último dia 8 de abril, no Complexo Educacional Paulo Freire, durante visita das equipes do programa "Saúde Nota Dez", iniciativa conjunta das secretarias de Saúde e Educação de Jacareí. As crianças do 1º ano do ensino fundamental da escola foram levadas para o local para passar por avaliação médica.
Relatos de mães
A mãe de uma criança de 6 anos disse a OVALE que a escola pediu autorização dos pais para levar as crianças ao local da avaliação, mas não para tirar as roupas.
Bilhete enviado pela equipe gestora da unidade escolar dizia textualmente que não haveria a “realização de exames que envolvam a retirada de roupas pelos estudantes, tampouco será administrado vermífugo ou aplicada qualquer vacina”.
No entanto, as crianças tiveram que tirar as roupas para passar por exame, incluindo um na área dermatológica.
“Minha filha chegou relatando que os amigos tiraram a roupa, ficando apenas com trajes íntimos, algumas em grupo de quatro crianças, outras individuais. Algumas não tiraram a roupa e outras tiraram e ficaram sozinhas com a enfermeira”, disse a mãe.
“Teve criança que chegou em casa com uniforme trocado. Então, eles não tiraram as roupas em um lugar reservado, individual como a secretaria alega. Eles estavam realmente em grupos. Com qual autorização eles mandam as crianças se despir para fazer exame?”, questionou a mãe.
Menino teria ficado sem roupa
Retalos de mães à TV TH+ Vale apontaram que as meninas ficaram de calcinha e sutiã e os meninos apenas de cueca. Um dos meninos que não usava roupa íntima no momento teria ficado nu durante o atendimento.
O procedimento teria ocorrido em salas onde alunos de ambos os gêneros foram mantidos juntos, muitas vezes sem a presença de professores ou responsáveis, apenas perante profissionais de saúde desconhecidos.
"Nunca pediram autorização para arrancar a roupa das crianças", disse uma mãe. "Por que não avisaram? Por que não pediram uma autorização? Se tivesse pedido, a gente teria mandado um top por baixo, um short por baixo, alguma coisa que não deixasse eles tão expostos assim."
Crianças ficaram sozinhas com adulto
Segundo a mãe de aluna ouvida por OVALE, crianças chegaram a ficar sozinhas com profissionais da saúde numa sala.
“Aqui [bilhete] afirma que todo o circuito de exame seria acompanhado por alguém. E não foi. A minha sobrinha mesmo ficou sem roupa, apenas de calcinha, com uma ‘médica’ numa sala. Alguém assegura o que aconteceu nessa sala?”, disse a mãe.
“O bilhete da Secretaria em nenhum momento avisou que vai tirar a roupa das crianças. O da escola também não. Eles alegam que a culpa é da escola, mas a escola também não foi avisada da conduta deles”, apontou.

Bilhete enviado aos pais pela Secretaria de Educação / Reprodução
Outro lado
Procurada, a Prefeitura de Jacareí informou que, periodicamente, realiza o Programa “Saúde Nota 10” com o objetivo de identificar e prevenir possíveis doenças e outros problemas em estudantes atendidos pela rede municipal de ensino. A iniciativa teve início há 13 anos e, desde então, “obteve sucesso significativo na identificação e no encaminhamento de crianças para importantes tratamentos”.
O programa é realizado por meio de um circuito composto por diferentes salas, na qual, em cada uma delas, as crianças passam por avaliações conduzidas por servidores da área da saúde. Para a realização do exame dermatológico, assim como em consultas clínicas, informou a Prefeitura, a retirada do uniforme é “importante ferramenta para análise de anormalidades”.
“O atendimento, feito de forma reservada, é organizado com separação de gênero e acompanhamento profissional. Assim como no exame dermatológico, todas as outras etapas do programa são monitoradas por profissionais da área. Acrescenta-se que não houve mudança no processo em relação à realização em anos anteriores”, disse a administração.
Neste sentido, o município reconhece a existência de um “ruído de comunicação” no bilhete enviado pela EMEIF Silvio Silveira para a comunidade escolar antes da realização do procedimento e que, assim que obteve conhecimento sobre as queixas dos pais, agendou e realizou uma reunião presencial na unidade escolar para melhor esclarecimento. O encontro foi realizado na segunda-feira (13).
A Prefeitura acrescentou que, previamente à realização das próximas edições do programa, será reforçado o pedido de autorização para cada etapa do circuito de atendimentos.
“O município destaca, por fim, que a divulgação de informações inverídicas sobre o programa podem resultar em graves prejuízos e retrocessos no atendimento oferecido. Os casos têm sido acompanhados pela Procuradoria Municipal”, afirmou a administração municipal.