FRAN GALVÃO

Para corretores de imóveis ou não, a imagem que vende

Por Fran Galvão | Consultora de imagem e estilo
| Tempo de leitura: 3 min
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Para corretores de imóveis ou não, a imagem que vende
Para corretores de imóveis ou não, a imagem que vende

Empreender - especialmente em mercados que envolvem alto valor - vai muito além de técnica, produto ou serviço. Existe uma camada silenciosa, mas extremamente poderosa, que influencia decisões, aproxima ou afasta oportunidades e constrói percepções antes mesmo de qualquer palavra ser dita: a imagem.

Recentemente, adquiri um novo vicio, acompanhar a série Owning Manhattan (Dominando Manhattan) que mostra os bastidores do mercado imobiliário de luxo em Nova York liderado por Ryan Serhant. Fiquei completamente enlouquecida em acompanhar as visitas aos imóveis, as negociações, as discussões entre os corretores e claro, o posicionamento de Ryan - o que é impossível não considerar sua imagem.

E por falar em imagem, esses dias, em meio a segunda temporada, um ponto chamou mais atenção do que as negociações milionárias: a forma como cada corretor constrói sua própria imagem e como isso impacta diretamente o tipo de cliente que ele atrai.

No mercado de luxo, imagem não é sobre estética. É sobre estratégia.

Cada profissional ali funciona como um verdadeiro espelho do cliente que deseja atender. Não se trata de se vestir bem no sentido genérico, mas de comunicar, de forma intencional, valores como confiança, poder, sofisticação ou eficiência.

Há corretoras que apostam em uma estética mais clássica e elegante. A imagem transmite acolhimento, segurança, previsibilidade e naturalmente atrai clientes que valorizam discrição, estabilidade e relações de longo prazo. São vendas construídas com base em confiança e consistência.

Outras optam por um estilo mais ousado, fashionista, com presença marcante. Nesse caso, a imagem comunica ambição, status e autoridade. O público que se aproxima costuma ser mais jovem, mais interessado em reconhecimento e em experiências aspiracionais. Aqui, não se vende apenas um imóvel vende-se um estilo de vida.

Há também aquelas que seguem um caminho mais minimalista, com uma estética limpa e sofisticada, quase silenciosa. Essa escolha transmite inteligência, curadoria, praticidade e refinamento. O resultado? Um público mais seletivo, com alto repertório, que valoriza processos, análise e exclusividade.

E existem ainda as profissionais com uma imagem mais corporativa e estruturada, que comunicam objetividade, foco e competência. Elas atraem investidores, perfis mais racionais, clientes orientados a resultados e eficiência.

O ponto em comum entre todos? Nada ali é por acaso.
A imagem, nesses contextos, funciona como um filtro ou, mais precisamente, como um ímã seletivo. Ela aproxima quem se identifica e, ao mesmo tempo, afasta quem não se conecta. E isso não é um problema. Pelo contrário: é uma das estratégias mais inteligentes de posicionamento.
Quando a sua imagem está alinhada com o público que você deseja atrair, o processo de venda se torna mais fluido. Há menos objeção, mais conexão e, muitas vezes, maior percepção de valor. Em outras palavras: você para de tentar convencer e passa a atrair.

E aqui está o ponto que vai além do mercado imobiliário e que serve para qualquer profissional, em qualquer área.

Todos nós comunicamos algo antes mesmo de abrir a boca. A forma como nos apresentamos, nos vestimos e nos posicionamos envia sinais constantes sobre quem somos, o que valorizamos e, principalmente, sobre o tipo de relação que estamos dispostos a construir.

Ser “neutro demais”, “genérico demais” ou adaptar-se excessivamente a todos os contextos pode parecer seguro, mas, na prática, dilui a mensagem. E quando não há clareza na comunicação, não há força de posicionamento.

Isso não significa seguir tendências ou construir uma imagem artificial. Pelo contrário. Trata-se de alinhar aparência, estratégia e intenção. De entender quem você quer atrair e garantir que sua imagem esteja contando essa mesma história.

Porque, no fim, a pergunta que realmente importa não é se você se veste bem. É se a sua imagem está trabalhando a favor do que você quer construir - ou apenas existindo de forma aleatória.
Entre ser apenas “bonita” e ser estratégica, existe um espaço enorme de oportunidade. E, cada vez mais, são aqueles que entendem isso que deixam de disputar atenção para começar a ser escolhidos.

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