A família da policial militar Gisele Alves Santana, 32 anos, morta após ser baleada na cabeça no apartamento que dividia com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, 53 anos, lançou uma abaixo-assinado na internet pedindo a expulsão do oficial da Polícia Militar. Neto foi preso pelo crime.
Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp
Em vídeo divulgado nas redes sociais, os pais de Gisele -- Marinalva Vieira e José Simonal -- pedem adesão ao manifesto, que visa pressionar a Polícia Militar para expulsar Neto da corporação.
“Gostaria de pedir a todos um apoio, um abaixo-assinado que a gente está realizando para ele [Neto] perder a patente dele. Quanto mais assinatura nós conseguirmos, melhor. E eu só tenho que agradecer a todos e pedindo esse apoio”, disse o pai de Gisele.
A soldado Gisele morreu, com um tiro na cabeça, na manhã do dia 18 de fevereiro. Ela estava no apartamento que dividia com o tenente-coronel, seu marido, que nasceu em Taubaté e já comandou unidades da PM no Vale do Paraíba.
Leia mais: Tenente-coronel atacou Gisele pelas costas e a matou, diz MP
Leia mais: Gisele sofria violência, diz TJM; tenente-coronel é preso em SJC
Leia mais: Veja os pontos que levaram à prisão de tenente-coronel em SJC
Campanha na internet
O abaixo-assinado lançado pela família de Gisele contava com 12.328 adesões até as 12h deste domingo (29), por meio da plataforma Change.org.
“Gisele era mãe, filha e uma mulher com uma vida cheia de planos. Sua trajetória foi interrompida de forma trágica, deixando não apenas uma família em luto, mas uma sociedade inteira em choque. Não estamos diante de mais um número. Estamos diante de uma vida que foi perdida e de um caso que levanta questionamentos profundos sobre a violência contra a mulher, inclusive dentro de instituições que deveriam proteger”, diz texto da campanha.
“Este caso ultrapassa a dor individual. Ele expõe um problema maior: a necessidade de enfrentar com seriedade qualquer forma de violência, inclusive psicológica, abuso de poder e condutas incompatíveis com os princípios da Polícia Militar, como honra, disciplina, respeito à vida e responsabilidade. Nenhuma farda pode servir de escudo para condutas abusivas. Pelo contrário, ela deve representar proteção, exemplo e compromisso com a lei”, completa o texto, que pede a expulsão de Neto da PM.
“Diante da gravidade do caso, viemos através da nossa voz, pedir a Expulsão do Tenente-Coronel Geraldo Leite Rosa Neto, defendemos que haja apuração rigorosa e com base em tudo que já consta no processo, pedimos a aplicação da sanção máxima: a perda do posto e patente. Este não é um pedido de julgamento antecipado, mas de justiça, responsabilidade e respeito. Por Gisele. Por sua família. Por todas as mulheres.”
Nesta semana, a Polícia Militar abriu um processo para expulsar Neto da corporação, após a morte de Gisele. Osvaldo Nico, secretário de Segurança Pública de São Paulo, disse que o processo corre em paralelo às investigações. Ele afirmou que mesmo que Neto ainda não seja condenado, ele pode ser expulso da Polícia Militar.
Leia mais: Coronel impôs 'cartilha macho alfa' à esposa 'beta'; VEJA PRINTS
Leia mais: Tenente-coronel exigia submissão e sexo antes da morte de Gisele
Leia mais: Esposa de PM pediu divórcio antes de morrer, diz mensagem apagada
Caso é tratado como feminicídio
Inicialmente registrado como suicídio, o caso passou a ser investigado como morte suspeita e, posteriormente, como feminicídio.
O tenente-coronel foi preso e segue detido no Presídio Militar Romão Gomes. A defesa nega o crime e sustenta que a policial teria tirado a própria vida.
A Polícia Civil também apura possível manipulação da cena e outras inconsistências no depoimento do oficial.