Após a rescisão do contrato do São Paulo com a Milclean, de Taubaté, a empresa afirmou que o caso tem “acusações infundadas” que serão enfrentadas pela companhia da região.
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“A Milclean prestou todos esclarecimentos necessários à imprensa para elucidação do ocorrido, bem como está tomando todas medidas legais necessárias para enfrentamento das acusações infundadas”, disse a empresa, por meio de nota.
Além de rescindir o contrato com a empresa de Taubaté, o São Paulo ingressou com uma ação judicial contra a Milclean, cobrando R$ 1 milhão e rescisão por justa causa. O rompimento ocorreu após auditoria interna detectar problemas na prestação do serviço.
Segundo o clube, a empresa fornecia menos funcionários do que o previsto em contrato, sem descontar proporcionalmente nos valores pagos pelo clube. A ação do São Paulo aponta a verificação de até 1.500 faltas mensais desde setembro de 2024. O contrato previa tolerância de até 60 ausências por mês.
Na época do contrato, o São Paulo informou que a Milclean foi escolhida como concorrente de menor custo para o serviço.
Posição da Milclean
Por meio de nota, a Milclean disse que “grande parte das informações divulgadas ocorreu de forma distorcida, não refletindo a realidade dos fatos”.
“Cabe esclarecer que a alegada alteração do número de funcionários se deu de comum acordo entre as partes, devidamente documentada, pois houve incremento do número de equipamentos”, informou a empresa.
“A Milclean conduz de forma responsável suas atividades, pautadas no respeito e na parceria com seus clientes e parceiros e o tema está sendo tratado com a devida seriedade. Reafirmamos nosso compromisso com a transparência e a construção de relações sólidas e de confiança com todos”, completou a empresa.
Ação judicial
A ação judicial pede o pagamento de R$ 615,4 mil por a Milclean não cumprir o contrato e R$ 2 milhões como restituição de valores pagos além do serviço recebido, de setembro de 2024 a março de 2026.
Entretanto, o clube desconta R$ 1,6 milhão. Essa quantia é referente aos serviços prestados de janeiro a março de 2026, que ainda não foram quitados. Resta R$ 1 milhão em cobrança à empresa de limpeza.
De acordo com o contrato, assinado pelo ex-presidente Júlio Casares no fim de 2024, o pagamento mensal do São Paulo a Milclean é de cerca de R$ 570 mil para contar com 96 funcionários por dia na limpeza da sede social. O acordo é válido até 14 de junho de 2027.
Presidente da FPF
A Milclean foi aberta em 1998, em Taubaté, com capital social de R$ 20 mil e chegou a declarar R$ 20 milhões em 2018, como constatam as movimentações na Jucesp (Junta Comercial de São Paulo). A empresa é do empresário Otávio Alves Corrêa Filho, conselheiro vitalício e ex-dirigente do Esporte Clube Taubaté.
Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol e que também presidiu o Taubaté, já foi sócio da Milclean. Ele vendeu sua fatia da empresa em 2021 por R$ 3,9 milhões.
Reinaldo, que presidiu o Esporte Clube Taubaté no final da década de 1980, é alvo de inquérito instaurado pelo MP (Ministério Público de São Paulo) e conduzido pela polícia para apurar suspeitas de gestão fraudulenta, falsidade ideológica e possível lavagem de dinheiro.