Em depoimento à Polícia Civil após ser preso em São José dos Campos, no último dia 18, o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, afirmou que vivia uma espécie de “seca” sexual com a esposa, a soldado PM Gisele Alves Santana, de 32 anos, morta com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro.
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A declaração integra um novo conjunto de versões apresentadas pelo oficial no inquérito, que investiga a morte como possível feminicídio.
No depoimento, o tenente-coronel afirmou que o casal já não mantinha uma rotina conjugal. “A gente não estava mais tendo uma vida de casal”, disse. Segundo ele, os dois não dormiam juntos desde o fim de julho ou início de agosto, embora a “atração física continuasse forte”.
Em outro trecho, o oficial relata que havia passado meses sem manter relações sexuais com a esposa.
Após a prisão, o tenente-coronel mudou a sua versão inicial sobre a morte da esposa, e admitiu, em novo depoimento, que manteve relação sexual com a vítima horas antes do crime. A polícia investiga, agora, se a relação foi ou não consensual.
A mudança de posição declaração ocorreu após a perícia identificar esperma no corpo da policial (ler aqui).
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‘Testosterona alta’ e justificativa
Durante o depoimento, prestado no 8º DP (Distrito Policial) de São Paulo, o militar também citou exames médicos para justificar sua libido. “Minha testosterona deu 939, faixa de homem entre 16 e 21 anos”, afirmou.
"Daí a gente estava ali abraçado, se beijando, fazia muito tempo que a gente não tinha relações sexuais. Só para o senhor ter ideia, eu passei no endocrinologista dia 28 de janeiro junto com ela, agora em 2026, e o resultado do exame de sangue meu, eu posso mostrar para o senhor. Deu minha testosterona 939, sem fazer reposição hormonal, 939. É a faixa etária de homem entre 16 e 21 anos. (...) Imagem eu ali meses, quase ali sem ter relação sexual", afirmou o oficial.
O tenente-coronel alegou que sempre teve mais desejo sexual do que a esposa: “Eu tenho mais libido que ela”.
A fala surge após questionamento do delegado, que apontou que mensagens do casal indicavam o contrário, de que Gisele não queria mais manter relações com o marido.
Mensagens mostram pressão por sexo
Conversas extraídas do celular do tenente-coronel, obtidas pela investigação, revelam cobranças diretas por sexo dentro do relacionamento.
Em um dos trechos, ele condiciona a dinâmica do casal a uma espécie de troca: “Investe amor, carinho, atenção, dedicação, sexo... mas nem isso você faz”. Gisele rejeita a imposição e responde: “Não vou trocar sexo por moradia”.
Para investigadores, o conteúdo reforça um padrão de comportamento marcado por controle e pressão psicológica.
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‘Macho alfa’, ‘rei’ e submissão
Nas mensagens, o oficial também se autodenomina “macho alfa”, “rei” e “soberano”, exigindo que a esposa fosse “submissa” e “obediente”. O material faz parte da investigação e é citado como elemento que ajuda a contextualizar o relacionamento do casal antes da morte.
A nova fala do tenente-coronel ocorre após a perícia identificar material genético no corpo da vítima, o que levou à mudança no depoimento. Inicialmente, o oficial havia apresentado outra versão sobre o que ocorreu no dia da morte.
Relatórios técnicos apontam inconsistências e indicam que Gisele pode ter sido atacada pelas costas, com indícios de manipulação da cena.
Defesa nega feminicídio
A defesa do tenente-coronel sustenta que o caso se trata de suicídio e afirma que a tese será comprovada ao longo do processo.
Segundo o advogado, não houve feminicídio nem fraude processual.