DI FRANCO

STF diante do espelho da desconfiança

Por Carlos Alberto Di Franco |
| Tempo de leitura: 1 min
Consultor do Grupo Estado, colunista dos jornais Estadão, OGlobo e Gazeta do Povo
Divulgação

A mais recente pesquisa AtlasIntel não pode ser tratada como um dado trivial. É um alerta grave. Quando 60% dos brasileiros afirmam não confiar no Supremo Tribunal Federal, não se está diante de uma oscilação de humor coletivo, mas de uma crise profunda de legitimidade institucional.

A percepção de que ministros se aproximaram indevidamente de personagens centrais do escândalo do Banco Master agrava um quadro já deteriorado. A confiança pública - ativo essencial de qualquer Corte constitucional - foi seriamente abalada. Sem confiança, decisões judiciais perdem força moral, ainda que preservem sua validade formal.

O problema central não é apenas jurídico. É político no sentido mais elevado do termo: diz respeito à credibilidade das instituições que sustentam a República. A leitura majoritária de falta de independência e imparcialidade compromete a autoridade do STF e contamina todo o sistema de Justiça.

Não há saída pela retórica. Tampouco por manifestações corporativas ou autocomplacentes. A reconstrução da confiança exige gestos concretos: transparência rigorosa, distanciamento inequívoco de partes interessadas e absoluto respeito aos limites constitucionais.

O STF precisa reencontrar sua vocação original: ser um tribunal constitucional, não um ator político. Guardião da Constituição, não protagonista de agendas. A história mostra que Cortes fortes são, antes de tudo, discretas, técnicas e previsíveis.

O recado das ruas é claro. Ignorá-lo será aprofundar a crise. Enfrentá-lo, com humildade e firmeza, é o único caminho para restaurar a autoridade perdida.

Carlos Alberto Di Franco é consultor do Grupo Estado, colunista dos jornais Estadão, OGlobo e Gazeta do Povo

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