OFICIAL PRESO EM SJC

Coronel impôs 'cartilha macho alfa' à esposa 'beta'; VEJA PRINTS

Por Guilhermo Codazzi | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Editor-chefe de OVALE
Reprodução

Uma "cartilha do macho alfa" para submissão da "esposa beta".

Mensagens extraídas do celular do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto revelam que ele impôs uma espécie de “cartilha do macho alfa” à esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, dias antes da morte da vítima. Os diálogos, obtidos pela investigação, expõem um relacionamento marcado por controle, cobranças, humilhações e exigência de submissão.

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As mensagens são parte central do relatório da Polícia Civil, obtido por OVALE. O tenente-coronel foi preso em São José dos Campos nesta quarta-feira (18).

Nascido em Taubaté, ele havia se refugiado no Vale do Paraíba após a morte de Gisele.  Após ser preso, o tenente-coronel foi levado, sem algemas, para o presídio militar Romão Gomes, em São Paulo.

A análise do conteúdo das conversas entre o tenente-coronel e Gisele é considerada um dos principais elementos do inquérito que apura a morte da policial, encontrada com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro, na capital paulista.

Leia mais: Tenente-coronel se dizia ‘rei’ e cobrava ‘submissão’ da esposa

Nos diálogos, o oficial demonstra uma postura dominante e estabelece regras explícitas para o relacionamento. Em uma das mensagens, ele afirma: “Enquanto você estiver casada comigo e vivendo na minha casa, as coisas serão do meu jeito”.

Em outro trecho, o militar vai além e define o papel da esposa: “Autoridade de macho alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa. Como toda mulher casada deve ser”.

Para investigadores, o conteúdo revela uma dinâmica de controle psicológico e submissão.

“Regras” impostas: submissão e obediência

Em uma das mensagens mais emblemáticas, o tenente-coronel define o modelo de relação que exigia: “Marido provedor, esposa carinhosa e submissa. Não tem atrito.”

Ele reforça a ideia de autoridade absoluta dentro da casa:  “Enquanto você estiver casada comigo e vivendo na minha casa, na minha comanda, as coisas serão do meu jeito.”

Nos prints, o oficial deixa claro que considera o casamento uma relação hierárquica, em que a mulher deve obedecer: “Mulher casada comprometida e que o marido é o único provedor do lar tem regras a cumprir.”

Controle sobre redes sociais e comportamento

Outro ponto que chama atenção é o controle sobre a imagem e a presença digital de Gisele. O tenente-coronel determina, por exemplo, como ela deveria se apresentar nas redes:

  • “Fotos juntas no perfil”;
  • “Casados na bio”;
  • “Não cumprimentar homens com beijo no rosto e abraços”;
  • “Não usar roupas ‘tarjas coladas’";

Ele também impõe restrições diretas: “Enquanto você for casada comigo, não admito seguir outros homens e ficar de conversa com outros homens.”

Em outro trecho, ordena: "Pode desativar aquele seu perfil de Instagram que você está sozinha na foto.” Já Gisele reage, denunciando isolamento: “Não tenho ninguém nos meus contatos. Você excluiu todos.”

Dinheiro como ferramenta de pressão

Os prints também mostram o uso do dinheiro como instrumento de controle e cobrança. O oficial lista despesas que pagava: “Aluguel, condomínio, água, luz, mercado…” E estabelece o que considera “contrapartida” da esposa. “Eu contribuo com o dinheiro… você contribui com carinho, atenção, amor e sexo.”

A cobrança aparece de forma direta e recorrente: “Eu só gasto dinheiro e não tenho nada em troca… muito menos sexo.” Gisele rejeita a lógica imposta: “Não vou trocar sexo por moradia.”

Pressão psicológica e desgaste emocional

As conversas evidenciam um ambiente de desgaste constante. Gisele relata cansaço e sofrimento: “Eu cansei de tentar conversar com você sobre nós dois.”

Em outro momento, descreve o fim da relação: “Já não confio em você nem um pouco.” “Quero o divórcio.” “Se considere divorciado.”

Ela também relata episódios de agressão: “Ontem enfiou a mão na minha cara.”

 Reação ao pedido de separação

Quando Gisele afirma estar “praticamente solteira”, a resposta do tenente-coronel é imediata: “Jamais! Nunca será!”

Ele reforça o controle: “Se você quer ter liberdade… tem que ficar solteira.” “Enquanto estiver casada comigo, as coisas serão do meu jeito.”

Para investigadores, esse ponto marca a escalada do conflito.

Investigação

Gisele foi encontrada morta no dia 18 de fevereiro, com um tiro na cabeça, no apartamento onde morava com o oficial. O caso, inicialmente tratado como suicídio, passou a ser investigado como morte suspeita após laudos e depoimentos.

As mensagens são consideradas fundamentais para entender o contexto do relacionamento e a dinâmica entre o casal nos dias que antecederam a morte.

O tenente-coronel nega envolvimento e afirma que a esposa tirou a própria vida.

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