MEIO AMBIENTE

Comam busca R$ 1,25 mi para produzir inventário energético em SJC

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 5 min
Divulgação/PMSJC
Ponto de carregamento de ôninus elétricos na região sul de São José
Ponto de carregamento de ôninus elétricos na região sul de São José

Aprovado em duas etapas no Comam (Conselho Municipal de Meio Ambiente) de São José dos Campos, a elaboração do inventário energético municipal segue agora em busca de recursos para sair do papel. O financiamento pode ser feito pelo Fumcam (Fundo Municipal de Conservação Ambiental). O custo é estimado em até R$ 1,250 milhão.

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A finalidade do inventário é fazer um diagnóstico energético completo da cidade, apontando o consumo, a geração e as fontes de fornecimento de energia elétrica em São José.

No Comam, a proposta foi aprovada na Câmara Técnica de Energia, em novembro de 2025, e na plenária no último dia 26 de fevereiro. Por unanimidade, o Conselho referendou apoio e interesse.

Com isso, no dia 26 março, o colegiado concluirá o rito regimental, ao finalizar com a deliberação junto ao Fumcam para a aplicação dos recursos. Após a aprovação no Comam, a responsabilidade por produzir o inventário é da Prefeitura de São José dos Campos. Há possibilidade de parcerias com órgãos dos governos estadual e federal.

Iniciativa estratégica

De acordo com o conselho, trata-se de iniciativa estratégica de caráter técnico e institucional voltada à consolidação de informações sobre geração, consumo, eficiência e sustentabilidade energética no município.

Com a crescente urbanização, a expansão industrial e a necessidade de transição para uma economia de baixo carbono, apontou o Comam, torna-se essencial dispor de instrumentos que permitam diagnosticar, planejar e otimizar o uso da energia em escala local.

A aprovação ocorre em meio à transição energética do sistema de transporte público de São José dos Campos, que deixará de ser realizado com ônibus movidos a diesel e passará a contar com veículos elétricos. Serão 400 ônibus elétricos no sistema até setembro de 2026, frota que demandará fornecimento constante de energia.

“Aquilo que não é medido não é gerenciado. Estamos ingressando numa sociedade eletrificada. Para isso precisamos saber a nossa capacidade de suporte. O que temos de geração, o que consumimos e o que geramos”, disse Jeferson Rocha, coordenador da Câmara Técnica Energia Comam de São José e relações institucionais da ONG Iepa (Instituto Ecológico e Pesquisas Ambientais).

“Essa conta tem que fechar, do contrário podemos colapsar, incluindo o nosso sistema de mobilidade urbana com os ônibus elétricos”, completou. Segundo Rocha, a iniciativa é pioneira. “Será o primeiro inventário municipal do Brasil”, afirmou.

“O município tem enfrentado desafios relacionados ao crescimento urbano, à mobilidade e à necessidade de reduzir emissões associadas ao uso de combustíveis fósseis. O inventário surge como ferramenta essencial para compreender a dinâmica energética municipal, permitindo a formulação de políticas públicas baseadas em dados concretos e indicadores técnicos”, diz texto do Comam.

Objetivos

O inventário compreende objetivos específicos, como o de levantar dados de consumo energético por setor (residencial, comercial, industrial, público e transporte) e mapear a geração local de energia, incluindo fontes renováveis (solar, hídrica, biogás e biomassa).

Também prevê identificar potenciais de geração distribuída e oportunidades de eficiência, avaliar emissões de gases de efeito estufa associadas ao consumo energético, desenvolver indicadores de eficiência e balanço energético municipal, criar um banco de dados georreferenciado (SIG) com informações de consumo e geração e integrar o inventário às políticas estaduais e nacionais de energia e meio ambiente. Por fim, estabelece a divulgação dos resultados em relatório técnico e plataforma digital pública.

O desenvolvimento do inventário será estruturado em seis fases, que contemplam planejamento, coleta, tratamento e análise de dados, bem como ações de capacitação técnica e participação social.

A primeira fase é de planejamento e mobilização, prevista para durar dois meses, com a constituição da equipe técnica, definição de metodologia, cronograma, orçamento e parcerias.

Parte-se para a fase 2, de levantamento de dados, entre os meses três e cinco. Serão considerados: consumo de energia elétrica por setor econômico, geração distribuída e conectada à rede, consumo de combustíveis fósseis e biocombustíveis, dados de mobilidade urbana e transporte de cargas e passageiros e eficiência energética em prédios públicos e privados.

Na fase 3, prevê-se a análise e integração de dados, nos meses seis e oito, para o processamento estatístico e cruzamento de bases de dados, elaboração de balanços energéticos, mapas temáticos e indicadores de emissões de CO?. Também serão elaborados relatórios técnicos preliminares e modelos de projeção de consumo e geração futura.

Nessa etapa, o Comam sugere a realização de um Workshop Técnico Nacional e Estadual, no oitavo mês de preparação do inventário energético de São José.

O evento abordará a situação energética nacional e estadual, as diretrizes metodológicas aplicáveis aos municípios, o intercâmbio de dados e boas práticas e a validação técnica da metodologia municipal.

Os resultados incluirão um relatório técnico do workshop e um termo de cooperação técnica com os órgãos parceiros.

Na fase 4, de georreferenciamento e modelagem, nos meses nove e dez, está prevista a criação de uma plataforma SIG para mapear a distribuição espacial do consumo e da geração, os pontos de ineficiência e as oportunidades de expansão de energias limpas. O sistema servirá de base para políticas urbanas e de sustentabilidade.

Na etapa 5, de validação pública e relatório final, no 11º mês, haverá a elaboração do relatório consolidado e realização de audiência pública para validação dos resultados e recebimento de contribuições da sociedade civil, setor privado e instituições acadêmicas.

Por fim, na fase 6, de divulgação e implementação, no 12º mês, está prevista a publicação do Inventário Energético Municipal, criação de um painel digital interativo e encaminhamento de recomendações às secretarias municipais e estaduais envolvidas.

“A iniciativa é uma forma de começarmos a ter um diagnóstico energético, começando por São José e, quem sabe, depois estendendo a todo o Vale do Paraíba”, afirmou Rocha.

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