CIÊNCIA

Núcleo interno da Terra parou? Entenda o que diz a ciência

Por Da Redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
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Núcleo interno da Terra parou? Entenda o que diz a ciência
Núcleo interno da Terra parou? Entenda o que diz a ciência

Nos últimos anos, a ideia de que o núcleo interno da Terra parou de girar voltou a ganhar destaque na internet e nas redes sociais. O tema surgiu a partir de um estudo científico conduzido por pesquisadores da Universidade de Pequim, que analisaram dados sísmicos acumulados ao longo de décadas para entender melhor o comportamento do interior do planeta.

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A pesquisa sugere que o núcleo interno da Terra pode ter desacelerado e temporariamente ficado mais sincronizado com a rotação do planeta, podendo até iniciar uma mudança gradual de direção. No entanto, cientistas destacam que isso não significa que o núcleo realmente “parou completamente” nem que exista qualquer risco imediato para a humanidade.

A seguir, entenda como funciona o interior da Terra, o que o estudo revelou e por que esse fenômeno é considerado parte de processos naturais do planeta.


Como é formado o interior da Terra

Para entender o debate sobre o núcleo interno, primeiro é importante conhecer as camadas que formam o planeta. A Terra é dividida em quatro partes principais:

  1. Crosta terrestre
    É a camada mais externa, onde vivem os seres humanos e onde estão os continentes e oceanos.

Manto
Fica logo abaixo da crosta e é formado por rochas muito quentes e parcialmente sólidas.

  • Núcleo externo
    Uma camada líquida composta principalmente por ferro e níquel. Essa região é responsável por gerar o campo magnético da Terra.

  • Núcleo interno
    Localizado no centro do planeta, é sólido e extremamente quente.

  • O núcleo interno está situado a cerca de 5.100 quilômetros abaixo da superfície. Apesar das temperaturas extremamente altas, ele permanece sólido devido à pressão gigantesca existente no centro do planeta.

    O núcleo como um todo possui cerca de 3.500 quilômetros de raio, aproximadamente o tamanho do planeta Marte, e concentra aproximadamente um terço da massa da Terra.


    O que significa dizer que o núcleo interno “parou”

    O estudo conduzido pelos cientistas Yi Yang e Xiaodong Song, da Universidade de Pequim, analisou ondas sísmicas geradas por terremotos que atravessaram o interior da Terra ao longo de décadas.

    Essas ondas funcionam como uma espécie de “raio-X natural” do planeta. Ao observar como elas se comportam ao passar pelo núcleo, os pesquisadores conseguem estimar a velocidade de rotação do núcleo interno.

    Durante décadas, os registros sísmicos mostravam pequenas mudanças que indicavam que o núcleo interno girava ligeiramente mais rápido do que o resto do planeta.

    Entretanto, ao analisar dados mais recentes, os cientistas perceberam algo diferente:

    • As variações sísmicas passaram a ser muito menores.

    • Isso indicaria que o núcleo interno desacelerou.

    • Em determinado momento, ele pode ter ficado quase sincronizado com a rotação da Terra.

    Foi justamente essa mudança que levou à interpretação popular de que o “núcleo da Terra parou”.

    Na prática, os cientistas explicam que o núcleo não deixou de girar completamente.


    O núcleo pode mudar de direção?

    Além da desaceleração, os pesquisadores sugerem que o núcleo interno pode inverter gradualmente sua rotação, um fenômeno chamado de retrocesso de rotação.

    Segundo o estudo, isso pode acontecer devido ao equilíbrio entre duas forças principais:

    • Força eletromagnética gerada pelo núcleo externo líquido

    • Força gravitacional exercida pelo manto da Terra

    Quando essas forças se desequilibram levemente, a velocidade de rotação do núcleo pode diminuir, parar momentaneamente em relação ao planeta e depois mudar de direção.

    Os cientistas sugerem que esse processo pode fazer parte de um ciclo natural que ocorre ao longo de décadas.


    O que dizem outros cientistas

    Nem todos os pesquisadores concordam totalmente com as conclusões do estudo. O geofísico Hrvoje Tkal?i?, da Universidade Nacional Australiana, afirma que os dados analisados são consistentes, mas precisam ser interpretados com cautela.

    Segundo ele, o núcleo interno não para completamente. O que os dados indicam é que, em determinados períodos, ele fica mais alinhado com a rotação do restante do planeta.

    O cientista também ressalta que diferentes pesquisas sugerem ciclos de duração diferentes, alguns estimando mudanças entre 20 e 30 anos, enquanto outros apontam ciclos mais longos.


    Estudar o núcleo da Terra é um grande desafio

    Uma das razões para a existência de debates científicos é que nenhum ser humano já chegou perto do núcleo da Terra. Tudo o que se sabe sobre o interior do planeta é obtido por métodos indiretos.

    Os pesquisadores utilizam principalmente:

    • Sismologia (análise de ondas de terremotos)

    • Modelos matemáticos

  • Dados geofísicos

  • Experimentos laboratoriais com minerais sob alta pressão

  • Por isso, muitos cientistas comparam o trabalho dos sismólogos ao de médicos examinando o interior do corpo humano com equipamentos limitados.


    O núcleo da Terra parar é perigoso?

    Uma dúvida comum é se a possível desaceleração do núcleo interno poderia causar catástrofes globais.

    De acordo com os cientistas, não há motivo para preocupação.

    Esse tipo de variação:

    • acontece em escalas de décadas ou séculos

    • faz parte da dinâmica natural do planeta

    • não provoca mudanças imediatas na superfície

    Mesmo alterações na rotação do núcleo interno são extremamente pequenas em relação ao tamanho da Terra.


    Por que entender o núcleo da Terra é importante

    Apesar de não representar um risco imediato, estudar o núcleo interno é fundamental para compreender processos essenciais do planeta, como:

    • Formação do campo magnético terrestre

  • Evolução geológica da Terra

  • dinâmica do manto e das placas tectônicas

  • história térmica do planeta

  • Essas pesquisas ajudam os cientistas a entender como a Terra funciona em escalas profundas e ao longo de milhões de anos.

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