Nos últimos anos, a ideia de que o núcleo interno da Terra parou de girar voltou a ganhar destaque na internet e nas redes sociais. O tema surgiu a partir de um estudo científico conduzido por pesquisadores da Universidade de Pequim, que analisaram dados sísmicos acumulados ao longo de décadas para entender melhor o comportamento do interior do planeta.
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A pesquisa sugere que o núcleo interno da Terra pode ter desacelerado e temporariamente ficado mais sincronizado com a rotação do planeta, podendo até iniciar uma mudança gradual de direção. No entanto, cientistas destacam que isso não significa que o núcleo realmente “parou completamente” nem que exista qualquer risco imediato para a humanidade.
A seguir, entenda como funciona o interior da Terra, o que o estudo revelou e por que esse fenômeno é considerado parte de processos naturais do planeta.
Como é formado o interior da Terra
Para entender o debate sobre o núcleo interno, primeiro é importante conhecer as camadas que formam o planeta. A Terra é dividida em quatro partes principais:
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Crosta terrestre
É a camada mais externa, onde vivem os seres humanos e onde estão os continentes e oceanos.
Manto
Fica logo abaixo da crosta e é formado por rochas muito quentes e parcialmente sólidas.
Núcleo externo
Uma camada líquida composta principalmente por ferro e níquel. Essa região é responsável por gerar o campo magnético da Terra.
Núcleo interno
Localizado no centro do planeta, é sólido e extremamente quente.
O núcleo interno está situado a cerca de 5.100 quilômetros abaixo da superfície. Apesar das temperaturas extremamente altas, ele permanece sólido devido à pressão gigantesca existente no centro do planeta.
O núcleo como um todo possui cerca de 3.500 quilômetros de raio, aproximadamente o tamanho do planeta Marte, e concentra aproximadamente um terço da massa da Terra.
O que significa dizer que o núcleo interno “parou”
O estudo conduzido pelos cientistas Yi Yang e Xiaodong Song, da Universidade de Pequim, analisou ondas sísmicas geradas por terremotos que atravessaram o interior da Terra ao longo de décadas.
Essas ondas funcionam como uma espécie de “raio-X natural” do planeta. Ao observar como elas se comportam ao passar pelo núcleo, os pesquisadores conseguem estimar a velocidade de rotação do núcleo interno.
Durante décadas, os registros sísmicos mostravam pequenas mudanças que indicavam que o núcleo interno girava ligeiramente mais rápido do que o resto do planeta.
Entretanto, ao analisar dados mais recentes, os cientistas perceberam algo diferente:
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As variações sísmicas passaram a ser muito menores.
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Isso indicaria que o núcleo interno desacelerou.
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Em determinado momento, ele pode ter ficado quase sincronizado com a rotação da Terra.
Foi justamente essa mudança que levou à interpretação popular de que o “núcleo da Terra parou”.
Na prática, os cientistas explicam que o núcleo não deixou de girar completamente.
O núcleo pode mudar de direção?
Além da desaceleração, os pesquisadores sugerem que o núcleo interno pode inverter gradualmente sua rotação, um fenômeno chamado de retrocesso de rotação.
Segundo o estudo, isso pode acontecer devido ao equilíbrio entre duas forças principais:
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Força eletromagnética gerada pelo núcleo externo líquido
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Força gravitacional exercida pelo manto da Terra
Quando essas forças se desequilibram levemente, a velocidade de rotação do núcleo pode diminuir, parar momentaneamente em relação ao planeta e depois mudar de direção.
Os cientistas sugerem que esse processo pode fazer parte de um ciclo natural que ocorre ao longo de décadas.
O que dizem outros cientistas
Nem todos os pesquisadores concordam totalmente com as conclusões do estudo. O geofísico Hrvoje Tkal?i?, da Universidade Nacional Australiana, afirma que os dados analisados são consistentes, mas precisam ser interpretados com cautela.
Segundo ele, o núcleo interno não para completamente. O que os dados indicam é que, em determinados períodos, ele fica mais alinhado com a rotação do restante do planeta.
O cientista também ressalta que diferentes pesquisas sugerem ciclos de duração diferentes, alguns estimando mudanças entre 20 e 30 anos, enquanto outros apontam ciclos mais longos.
Estudar o núcleo da Terra é um grande desafio
Uma das razões para a existência de debates científicos é que nenhum ser humano já chegou perto do núcleo da Terra. Tudo o que se sabe sobre o interior do planeta é obtido por métodos indiretos.
Os pesquisadores utilizam principalmente:
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Sismologia (análise de ondas de terremotos)
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Modelos matemáticos
Dados geofísicos
Experimentos laboratoriais com minerais sob alta pressão
Por isso, muitos cientistas comparam o trabalho dos sismólogos ao de médicos examinando o interior do corpo humano com equipamentos limitados.
O núcleo da Terra parar é perigoso?
Uma dúvida comum é se a possível desaceleração do núcleo interno poderia causar catástrofes globais.
De acordo com os cientistas, não há motivo para preocupação.
Esse tipo de variação:
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acontece em escalas de décadas ou séculos
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faz parte da dinâmica natural do planeta
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não provoca mudanças imediatas na superfície
Mesmo alterações na rotação do núcleo interno são extremamente pequenas em relação ao tamanho da Terra.
Por que entender o núcleo da Terra é importante
Apesar de não representar um risco imediato, estudar o núcleo interno é fundamental para compreender processos essenciais do planeta, como:
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Formação do campo magnético terrestre
Evolução geológica da Terra
dinâmica do manto e das placas tectônicas
história térmica do planeta
Essas pesquisas ajudam os cientistas a entender como a Terra funciona em escalas profundas e ao longo de milhões de anos.