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'É inaceitável', diz AEITA após esquema de Epstein em game

Por Da Redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
'É inaceitável', diz AEITA após esquema de Epstein em game
'É inaceitável', diz AEITA após esquema de Epstein em game

A repercussão do caso envolvendo um jogo apresentado por alunos do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), inspirado no esquema de abusos do financista norte-americano Jeffrey Epstein, ganhou novos desdobramentos nesta quarta-feira (11). A AEITA (Associação dos Engenheiros do ITA) divulgou uma nota pública de repúdio ao episódio e pediu apuração rigorosa dos fatos.

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Na manifestação, a entidade classificou como inaceitável tratar com banalidade a violência sexual em um ambiente acadêmico de excelência ligado à Força Aérea Brasileira. Para a associação, iniciativas desse tipo contribuem para a normalização de abusos e ferem princípios éticos e direitos humanos fundamentais.

O episódio ocorreu no campus do Instituto Tecnológico de Aeronáutica, em São José dos Campos, onde um grupo de estudantes apresentou, durante uma aula, o protótipo de um jogo eletrônico que faz referência ao escândalo envolvendo Epstein. O caso veio à tona após reportagem publicada pelo portal G1.

Segundo a AEITA, a associação se solidariza com alunos e alunas que demonstraram indignação diante da apresentação e defende que o episódio seja investigado com seriedade e transparência. A entidade também cobra providências compatíveis com a gravidade da situação.

Entre os pontos destacados na nota, a associação reforça a necessidade de protocolos claros para prevenção e enfrentamento de casos de assédio, discriminação e violência de gênero dentro da instituição. A entidade também pede a existência de canais de denúncia seguros e protegidos para estudantes e membros da comunidade acadêmica.

Além disso, a AEITA afirmou que está disposta a colaborar com o ITA em iniciativas voltadas à formação ética e à promoção de ambientes acadêmicos mais seguros e inclusivos. A proposta inclui ações de sensibilização sobre direitos humanos, equidade de gênero e prevenção à violência.

O caso segue gerando repercussão entre estudantes e ex-alunos da instituição. Procurada, a Força Aérea Brasileira, responsável pelo ITA, ainda não havia divulgado posicionamento oficial sobre possíveis medidas administrativas relacionadas ao episódio até a última atualização desta reportagem.


O caso foi revelado inicialmente pelo portal G1. Durante uma aula matinal, um grupo de alunos homens apresentou o protótipo de um game intitulado “A Fuga de Sid”. O projeto gerou indignação por utilizar como pano de fundo um dos casos de crime sexual mais notórios da história recente dos Estados Unidos.

Na proposta apresentada, a protagonista do jogo é Júlia, uma adolescente de 15 anos que é sequestrada e mantida em uma ilha por seis homens. O objetivo da personagem é conseguir gasolina e um barco para escapar do local. A polêmica se intensificou pelo fato de a mecânica do jogo envolver a manipulação emocional dos sequestradores.

A gameplay foi descrita como um jogo de diálogo onde cada NPC (personagem não jogável) é dotado de modelos de linguagem. Para progredir, a personagem precisa enganar os vilões através de conversas e do controle manual de suas expressões faciais, que interferem diretamente no comportamento deles. Caso a confiança dos NPCs caia abaixo de certo nível, o jogador perde a partida.

Confira a nota na íntegra:

A AEITA manifesta repúdio ao episódio ocorrido no ITA, em que alunos apresentaram um jogo que simula a ilha de Epstein.

É inaceitável tratar com banalidade a violência sexual em um ambiente acadêmico de excelência, vinculado à Aeronáutica. Um fato dessa natureza contribui para a normalização de abusos contra meninas e afronta princípios éticos fundamentais e os direitos humanos.

A AEITA solidariza-se com os alunos e alunas que expressaram sua indignação e defende que o caso seja objeto de apuração cuidadosa, com as devidas providências, bem como o fortalecimento de protocolos de prevenção à violência de gênero. Como associação de ex-alunos, colocamo-nos à disposição para contribuir com ações de formação e sensibilização ética e inclusiva.

Diante disso:

Defende que o episódio seja apurado com seriedade e transparência, com responsabilização compatível com a gravidade dos fatos.

Reforça a importância de que o ITA implemente e/ou fortaleça protocolos claros de prevenção e resposta a casos de assédio, discriminação e violência de gênero, com canais de denúncia seguros e protegidos.

Coloca-se à disposição para colaborar, em diálogo com a comunidade iteana, em iniciativas de formação e sensibilização sobre ética, direitos humanos, equidade de gênero e ambientes acadêmicos seguros.