Bento, Dinho, Samuel, Júlio e Sérgio, e mais André Kondo.
Vencedor do Prêmio Jabuti em 2025, na categoria Juvenil, o escritor de Taubaté André Kondo viveu seu dia de “sexto” membro da banda Mamonas Assassinas, sucesso avassalador no Brasil em meados dos anos 1990.
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A banda foi formada em Guarulhos (SP), em 1995, pelos músicos Dinho (vocais), Bento Hinoto (guitarra), Samuel Reoli (baixo), Júlio Rasec (teclados e percussão) e Sérgio Reoli (bateria).
O grupo gravou um único álbum de estúdio, Mamonas Assassinas (1995), que vendeu mais de 3 milhões de cópias no Brasil, lançando hits como "Vira-Vira", "Pelados em Santos" e "Robocop Gay".
Os integrantes da banda morreram tragicamente em um acidente aéreo em março de 1996, quando a aeronave na qual voavam, com destino a Guarulhos, se chocou contra a Serra da Cantareira. Os tripulantes também morreram.
Antes da tragédia, porém, os Mamonas Assassinas percorreram o Brasil em shows lotados e disputados entre milhares de fãs. Não foi diferente no Vale do Paraíba, que recebeu a banda em cidades como São José dos Campos, Guaratinguetá e Taubaté.
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Show em Taubaté
Foi na terra de Monteiro Lobato que o também escritor André Kondo viveu sua experiência como “sexto” Mamonas Assassinas. Apaixonado por rock, ele foi assistir ao show da banda em uma casa de espetáculos na cidade.
“Nessa época, eu gostava de ir a shows. Eu escalava o palco e driblava a segurança para pegar autógrafo e tirar fotos com os artistas. Gravei esse show do Mamonas em uma fita cassete”, conta André.
Segundo ele, o show estava muito lotado e difícil de chegar até o camarim da banda, mas ele conseguiu. E foi premiado. Com sua ascendência oriental, André acabou chamando a atenção de membros da banda, que o viram perto da porta do camarim.
“Eles me viram e zoaram, dizendo que eu era primo do Bento. Aproveitei a onda e o segurança me deixou entrar no camarim”, diz André.
“Japonês” do grupo, o guitarrista Bento virou “primo” de André, embora eles não tivessem nenhum parentesco.

André Kondo (à esq.) tirou foto ao lado do seu "primo" Bento, guitarrista dos Mamonas Assassinas
Selfie com Dinho
O escritor de Taubaté aproveitou para interagir com a banda e tirar fotos ao lado dos integrantes e do “primo” Bento.
“O Dinho bateu a foto de uma máquina fotográfica, fazendo uma selfie. Lembro quando entrei no camarim e os caras estavam segurando a maçaneta da porta do banheiro, zoando com o Bento, que estava lá dentro e não conseguia sair. Eles eram autênticos e zoavam uns com os outros o tempo todo”, conta André.
Ele disse que se arrependeu de, anos depois, perder as antenas do Chapolin Colorado que os Mamonas usavam no palco. “Eles me deram as anteninhas do Chapolin Colorado no show. Mas na época que me deu a louca de sair de casa, fiz uma pilha com as coisas que tinha e queimei. Devo ter queimado as antenas”, lembra o escritor.
André diz que guardou também o pôster do show em Taubaté com o autógrafo de todos os Mamonas Assassinas, menos o de Bento, que estava preso no banheiro. “Quando o soltaram, me esqueci de pegar o autógrafo do Bento. Mas foi uma experiência incrível”.
“Ali estavam reunidos amigos genuínos, pessoas como nós. Pessoas que tinham sonhos e que estavam realizando todos de forma intensa. E, mais ainda, permitindo que cada um de nós participasse dessa alegria. Trinta anos se passaram, mas ainda não acredito que eles se foram. Como se fosse a maior das pegadinhas, a mais épica. Eles aparecem e dizem: a gente não morreu não”, escreveu André em postagem no Instagram, sobre o dia em que “substituiu um Mamonas Assassinas”.
“No fim, talvez seja verdade. Pelo menos para mim (e tenho certeza de que para muita gente) eles continuam vivos, sempre quando lembramos de que um sorriso verdadeiro, por mais breve que tenha sido, sempre será eterno.”