HOMICÍDIO

URGENTE: Ataque em São José deixa morto, ferido e desaparecido

Por Jesse Nascimento | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 5 min
Reprodução

Homicídio no Jardim Santa Inês 1 é investigado pela Polícia Civil após um homem ser encontrado morto em uma área de mata na rua Doutor Domingos de Macedo Custódio, na zona leste de São José dos Campos, na noite de segunda-feira (2). A ocorrência também envolve uma vítima ferida internada no hospital e um terceiro homem que não foi localizado.

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Segundo o registro, a Polícia Militar acionou o sistema para perícia de local com a informação inicial de que havia um homem localizado em zona de mata, com sangue pelo corpo, e com vestígios de sangue e garrafa quebrada nas proximidades.

Na apresentação formal, os policiais relataram que foram acionados via Copom (Centro de Operações da Polícia Militar) para atender uma ocorrência inicialmente tratada como possível homicídio e tentativas de homicídio.

Ao chegarem, constataram que o cadáver estava atrás de um muro, em área de mata, aproximadamente 20 metros para dentro da vegetação, com manchas de sangue em um muro branco e garrafas de vidro quebradas no chão. A área foi isolada com fita zebrada.

A vítima encontrada sem vida foi identificada como Daniel Moura de Sousa, de 26 anos. Ele era autônomo e, conforme o boletim, foi localizado por familiares depois de buscas ao longo do dia.

O homem encontrado ferido foi socorrido e internado no Hospital Municipal de São José, na Vila Industrial. Outro homem, apontado como integrante do grupo, não foi localizado até o registro do caso.

O caso

De acordo com a narrativa colhida pela PM junto a familiares e moradores, após as agressões o terceiro homem teria fugido. Em seguida, segundo relato atribuído à esposa dele, moradores teriam dito que ele foi socorrido e colocado em um veículo por desconhecidos, e desde então não houve confirmação do paradeiro. A Polícia Civil registrou que, até aquele momento, ele não havia sido encontrado.

Diante da solicitação de perícia, a autoridade policial requisitou o trabalho do Instituto de Criminalística e designou policiais civis para acompanhar a diligência. Compareceram ao local perito e fotógrafo identificados no registro, além de investigadores do plantão.

Como as informações preliminares ainda não indicavam autoria, a ocorrência também teve apoio da equipe especializada de Homicídios, acionada para atuação em local de crime e início de diligências. Fotografias do local, segundo o registro, foram anexadas ao procedimento.

Aniversário

A companheira de Daniel, ouvida formalmente, afirmou que vivia com ele em união estável há cerca de seis anos. Ela relatou que, na noite de 1º de março, estavam comemorando o aniversário dela na casa da sogra, quando Daniel saiu de carro com os outros dois homens, sem informar o destino. A princípio, ela imaginou que o trio tivesse ido comprar mais bebida.

Com a demora, familiares passaram a tentar contato. Em uma tentativa de ligação, Daniel chegou a atender e disse apenas que estava “no Santa Inês”, mas a chamada caiu. Depois, ela afirma que não conseguiu mais falar com ele. As buscas continuaram pela madrugada e ao longo do dia, passando por unidades de pronto atendimento e pela própria região do bairro.

Ela também relatou que mensagens enviadas ao celular de Daniel apareciam como entregues e que percebeu indícios de que o aparelho teria sido desbloqueado por terceiros, embora não tenha notado movimentações financeiras ou alterações relevantes naquele momento. Já no fim da tarde/noite de segunda (2), familiares decidiram vasculhar a área próxima ao ponto indicado e localizaram o corpo em um terreno baldio.

Policiais civis foram ao hospital para colher a versão do homem, internado na Vila Industrial. Segundo ele, o trio saiu do churrasco e decidiu dar uma volta de carro. Ao passar pela região do Santa Inês, estacionaram atrás de um caminhão apenas para urinar.

Michael relatou que, ao descer do veículo, cerca de cinco indivíduos se aproximaram xingando e dizendo que eles não poderiam urinar ali. Em seguida, um dos homens teria indicado que urinassem em um “buraco” dentro da área de mata, sob ameaça de consequências caso não obedecessem. Ele disse que, enquanto ele e Daniel entravam no matagal, Eduardo permaneceu no carro.

O ataque

Na sequência, Michael afirma que foi cercado por mais pessoas, recebeu um soco no rosto e, logo depois, uma garrafada de whisky na cabeça (a garrafa teria se quebrado). Ele descreveu agressões com socos e chutes e menciona também golpes com cabo de madeira, contra ele e os acompanhantes.

O homem internado disse que conseguiu fugir correndo e pedindo ajuda, sem conseguir apoio. Ele contou que pulou para o quintal de uma residência e sofreu cortes profundos nas pernas ao passar por grades com pontas, e que dois agressores ainda tentaram persegui-lo. Segundo a versão registrada, um morador interveio e ajudou parcialmente, mas depois pediu que ele saísse por medo de represálias.

Ele relatou ainda que seguiu por um pasto até alcançar a Via Dutra, atravessou a pista já muito ferido e perdeu forças pouco depois, sendo localizado por uma equipe da Força Tática, que providenciou o socorro. O boletim menciona ferimentos na cabeça, escoriações no rosto e cortes nas pernas, além de atendimento inicial e internação.

Boletim de ocorrência

O registro foi lavrado, em tese, como homicídio consumado, com qualificadoras por motivo fútil e por recurso que dificultou a defesa da vítima, além de homicídio tentado pelas agressões contra as demais vítimas. A Polícia Civil ressalta que se trata de tipificação provisória e que o caso pode ser reenquadrado conforme avanço das investigações.

Entre as diligências pendentes citadas no boletim estão: oitiva de testemunhas, juntada de laudos periciais, busca de imagens e outras medidas investigativas a critério da autoridade policial da circunscrição.

Ponto de tráfico

Os policiais militares relataram que a área fica próxima a um ponto de tráfico conhecido (a cerca de 150 a 200 metros), mas, até aquele momento, não havia informação concreta sobre envolvimento das vítimas com drogas ou dívidas, conforme conversa informal com familiares. A autoria permaneceu desconhecida no registro, com menção a um grupo numeroso de agressores.

Quem tiver informações que possam ajudar a Polícia Civil a identificar os autores e esclarecer o paradeiro de “Dudu” pode denunciar de forma anônima pelo Disque Denúncia 181 ou acionar o 190 em situações de emergência.

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