INVESTIGAÇÃO

Vídeo mostra oficial do Vale com arma na cabeça; esposa morreu

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Geraldo Leite Rosa Neto com a arma apontada para a cabeça
Geraldo Leite Rosa Neto com a arma apontada para a cabeça

Um vídeo anexado ao processo que apura a morte da policial militar Gisele Alves Santana, 32 anos, mostra o marido dela, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, 53 anos, segurando uma arma contra sua própria cabeça após receber uma mensagem sobre o término do relacionamento.

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Ambos estavam casados desde 2024 e viviam um relacionamento conturbado, segundo a família da policial. O casal morava em um apartamento na capital, onde os dois trabalhavam, e Neto ainda mantinha uma residência em São José dos Campos. Ele tem histórico de atuação no Vale do Paraíba -- já atuou em Taubaté e São José.

Gisele foi encontrada com um tiro na cabeça dentro do apartamento do casal, no bairro do Brás, região central de São Paulo. Ela foi socorrida e morreu na manhã de quarta-feira (18), após ser levada ao Hospital das Clínicas.

O vídeo de Neto segurando uma arma contra a própria cabeça tornou-se peça importante do mistério que ronda a morte de Gisele. O caso foi primeiro classificado como suicídio, mas depois reconfigurado para homicídio, em razão de novas evidências.

O laudo pericial é aguardado para esclarecer as circunstâncias da morte de Gisele e identificar se houve suicídio ou homicídio. O exame residuográfico será crucial nesse processo. Ele detecta vestígios de pólvora nas mãos através do uso de fita adesiva e reagentes químicos. Mesmo tentativas de lavar as mãos não eliminam completamente os vestígios.

Ambos os envolvidos tinham contato frequente com armas devido à profissão na polícia militar. Portanto, resultados positivos no teste residuográfico são esperados tanto para Gisele quanto para Neto. A trajetória da bala também será analisada minuciosamente pela perícia para entender a dinâmica dos fatos.

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Banho após mulher ser baleada.

O boletim de ocorrência informa que Neto, contrariando orientação dos policiais, tomou banho após a esposa ter sido baleada. Ele justificou a medida dizendo que sabia que ficaria “por longo período fora” e que “precisaria deslocar-se a diversos locais”, motivo pelo qual tomou banho e trocou de roupa.

O documento também mostra que, dias antes de ser encontrada morta, Gisele enviou uma mensagem ao pai pedindo socorro. “Pai, vem me buscar porque eu não aguento mais a pressão”, escreveu, segundo relato da família.

Ela dizia que queria se separar de Neto e pediu para que o pai fosse buscá-la em casa. O registro policial diz que o pai tentou ir até o local, mas que Gisele mudou de ideia e disse que ainda estava conversando sobre o término do casamento.

Na única versão apresentada à polícia até agora, Neto relatou ter sugerido a separação enquanto conversava com a esposa no quarto antes dela ser encontrada morta na sala com um tiro na cabeça. A família contesta essa versão e aponta sinais de um relacionamento tumultuado entre o casal.

Segundo o tenente-coronel, ela teria se trancado no quarto enquanto ele foi tomar banho. Neto diz ter ouvido um barulho e depois encontrou a mulher caída no chão, com a arma em mãos e apresentando intenso sangramento.

Investigação e perícia.

A autoridade policial requisitou perícia no local, exames residuográficos (para detectar vestígios de pólvora nas mãos da vítima e do marido) e análise das imagens das câmeras de segurança do prédio.

O corpo foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal), onde foram solicitados exames necroscópico e toxicológico. Os laudos devem esclarecer a trajetória do disparo, distância do tiro e demais elementos técnicos.

A Polícia Civil informou que aguarda a conclusão dos exames para definir oficialmente as circunstâncias da morte.

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