Um trio foi preso em flagrante em Taubaté após a Polícia Civil apontar que um adolescente de 13 anos e a mãe dele foram coagidos a participar de uma “busca” por cavalos furtados, em uma ocorrência que se estendeu por cerca de 10 horas.
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O caso foi registrado no plantão da Polícia Civil de Taubaté como sequestro e cárcere privado, exercício arbitrário das próprias razões e lesão corporal. A ocorrência teve como referência a região do Areão e terminou com a condução de todos os envolvidos ao plantão policial durante a madrugada desta quinta-feira (19).
Segundo o boletim de ocorrência, a informação inicial apurada no plantão é que dois equinos teriam sido furtados por adolescentes. A partir disso, três homens (todos adultos) passaram a conduzir e coagir um adolescente de 13 anos, a mãe dele e um casal para realizarem buscas em diferentes pontos da cidade e áreas de pasto, do meio da tarde até a madrugada.
O chamado que levou a equipe da Polícia Militar ao local descreve um grupo de pessoas tentando localizar animais. Ainda conforme o registro, a PM foi acionada via Copom e, ao chegar, encontrou a movimentação na região do Areão.
O relato que sustenta a versão inicial da ocorrência descreve um período prolongado de deslocamentos e pressão para que o adolescente e os demais envolvidos indicassem onde estariam os animais. De acordo com o histórico, a dinâmica teria começado por volta de 15h30 e avançado pela noite, com paradas em locais diferentes e tentativas de checagem em áreas de pasto.
O boletim descreve que, ao longo da noite, um dos animais foi recuperado — uma égua de pelagem castanha, de 13 anos, avaliada em R$ 3.500, conforme anotação inserida no documento. O segundo animal citado no registro não havia sido localizado até o momento em que a Polícia Militar interveio e conduziu todos ao plantão.
Os três homens foram presos em flagrante e formalmente indiciados pelos crimes apontados no registro. A autoridade policial registra que a situação de flagrante ficou caracterizada pela manutenção das vítimas sob controle por horas, com a condução ao plantão logo após a intervenção da PM.
Em um dos trechos do despacho, consta a decisão de manter a prisão em flagrante. “Considero configurado o estado flagrancial”, disse o delegado que atendeu a ocorrência.
O documento também aponta que a conduta, nesta fase inicial, foi enquadrada nos crimes de sequestro/cárcere, exercício arbitrário das próprias razões e lesão corporal, com instauração de inquérito policial.
Relato das vítimas
Conforme as declarações colhidas no plantão, o adolescente teria sido acusado de envolvimento no desaparecimento dos animais e, por isso, teria sido colocado sob pressão para indicar paradeiros e acompanhar buscas. A mãe do adolescente também relata que foi junto para tentar protegê-lo durante a movimentação, afirmando que permaneceu sob controle do grupo até a chegada da polícia.
O boletim registra ainda a menção a agressões. Em um trecho, a ocorrência cita que o adolescente afirmou ter recebido agressões sem lesões aparentes. Em outro ponto, a mãe menciona marcas e vermelhidão no rosto do filho após tapas, além de escoriação relacionada a arame farpado durante as buscas.
Há ainda a narrativa de um casal que teria sido compelido a ajudar na procura, por medo, até a apresentação de todos à unidade policial.
O boletim traz as versões apresentadas pelos três indiciados, com negativa de crimes e justificativas sobre como se envolveram na ocorrência. Abaixo, os principais pontos com trechos em aspas, conforme o registro.
O indiciado que se apresenta como proprietário de uma égua castanha relata que o animal teria sido furtado de uma fazenda e que ele fez diligências para recuperar o bem. No registro, ele afirma que agiu para tentar localizar os animais e sustenta que acionou a polícia: “Nega os crimes que lhe são imputados” e “sustenta álibi de trabalho em fazenda com câmeras”.
Outro indiciado afirma que foi chamado para auxiliar nas diligências para encontrar a égua e que esteve em área de mata e buscas, sem localizar um dos animais. A versão registrada indica que ele também nega as imputações e, por meio do defensor, menciona como chegou ao local: “Nega as imputações”.
O terceiro indiciado relata que percebeu a ausência do animal em data anterior, que vinha procurando por conta própria e que foi informado sobre um possível paradeiro. Ele afirma que apenas acompanhou os dois amigos e que não colocou outras pessoas no veículo. O registro também aponta negativa de crimes: “Nega quaisquer crimes que lhe são atribuídos”.
O caso agora segue para a delegacia responsável pela área do fato, com a continuidade das diligências, análise de versões, eventual checagem de mensagens e confirmação das circunstâncias descritas em boletim.
O boletim enquadra o caso também como exercício arbitrário das próprias razões, que é quando alguém tenta “resolver” uma suposta injustiça por conta própria, fora dos meios legais. Em situações assim, a orientação é sempre acionar as forças de segurança e evitar confrontos ou coação.