A rotina de dezenas de famílias da rua Felisbina de Souza Machado, no Jardim Imperial, na zona sul de São José dos Campos, virou um verdadeiro pesadelo desde a abertura de uma cratera gigante que interditou casas e um prédio residencial com 34 apartamentos. Sem previsão oficial para a solução do problema, moradores relatam falta de informações, ausência de apoio da Prefeitura e dificuldades para recomeçar a vida longe de casa.
“Está sendo um pesadelo. Ninguém falou nada, não deram orientação nenhuma além de evacuar o prédio”, desabafa uma moradora, que precisou deixar o apartamento às pressas. Segundo ela, a família conseguiu retirar apenas alguns pertences. “Tiramos o que deu. Móveis, geladeira, fogão, tudo ficou lá.”
De acordo com os relatos, circulam apenas boatos sobre o tempo necessário para resolver a situação. “Ouvimos que pode levar no mínimo 120 dias, mas ninguém deu uma resposta oficial. A gente vive de incerteza”, afirma.
Sem alternativa, muitas famílias passaram a depender da solidariedade de parentes. “Eu e meu marido estamos na casa da minha sogra. Outras famílias também estão espalhadas, cada uma para um lado”, conta a moradora. Ela relata ainda que não houve qualquer tipo de auxílio financeiro. “Não ofereceram ajuda de custo para aluguel. Nada. Nenhum apoio da Prefeitura.”
Na noite de sábado, moradores foram informados de que uma assistente social estaria oferecendo encaminhamento para abrigo. A proposta, no entanto, não atendeu à realidade das famílias atingidas. “Tem famílias com quatro crianças, tem gente com animais. Abrigo não resolve essa situação”, critica.
O que diz a Prefeitura
A Prefeitura de São José dos Campos informou que subiu para quatro o número de casas interditadas, além de um prédio com 34 apartamentos, todos desocupados de forma preventiva para garantir a segurança diante do risco de novos desabamentos. Segundo a administração municipal, os moradores foram orientados e estão, neste momento, acolhidos em casas de familiares.
O local permanece isolado e sinalizado. Equipes da Defesa Civil, Guarda Civil Municipal (GCM) e da Secretaria de Obras, além das concessionárias EDP, Sabesp e Comgás, atuam na área para avaliação técnica e definição das providências necessárias. O monitoramento segue contínuo.
Crateras e medo constante
A nova cratera se abriu na mesma rua onde, há cerca de 11 dias, um outro buraco de grandes proporções engoliu um caminhão após fortes chuvas. A distância entre os dois pontos é de aproximadamente 300 metros, o que aumenta o temor de novos desmoronamentos.
Segundo a Defesa Civil, os moradores só poderão retornar aos imóveis após vistoria técnica e liberação oficial, quando não houver mais risco à segurança. Enquanto isso, famílias seguem sem prazo, sem respostas claras e convivendo com a insegurança de não saber quando — ou se — poderão voltar para casa.