O Centro Pedagógico Casa dos Pandavas, mantido pelo Instituto Pandavas, foi surpreendido no final de janeiro com a decisão da Prefeitura de Monteiro Lobato de interromper o fornecimento da merenda escolar para o ano letivo de 2026.
A parceria, que já durava 35 anos, garantia não só a merenda, mas também o transporte escolar, sendo respaldada pela Lei Municipal nº 867/91, que autoriza o município a colaborar com os alunos da instituição filantrópica.
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Interrupção
De acordo com o Instituto, o processo de interrupção começou na primeira semana do ano.
A diretoria foi convocada pela Secretaria Municipal de Educação para tratar do calendário escolar, mas acabou sendo questionada sobre o caráter filantrópico da escola.
A instituição encaminhou a documentação comprobatória, que atesta a condição de entidade beneficente (CEBAS), no entanto, no dia 28 de janeiro, foi surpreendida com um ofício ( nº 024/2026 ) emitido pela Prefeitura comunicando que apenas o transporte escolar seria mantido durante o ano letivo.
O documento oficial não apresenta explicação para o corte da merenda ou apontamentos sobre a escola que justifiquem a medida.
Em conversa com OVALE, Cindy Qualio, gestora da unidade, explicou:
"Dos nossos 107 alunos, 85 são bolsistas. É uma escola que tem um caráter filantrópico muito forte e essa merenda é fundamental para a permanência desses alunos na escola. O que a gente recebeu foi um ofício dizendo que não seria mais fornecida a merenda, sem nenhuma justificativa, sem nenhum diálogo anterior."
Falta de Diálogo
O Instituto Pandavas relata dificuldades em estabelecer um canal de comunicação com a gestão municipal.
No dia 29 de janeiro, representantes da escola tentaram uma reunião presencial com o prefeito Edmar Araújo (PSD) para entregar um novo ofício solicitando a revisão da medida, mas o chefe do Executivo teria se recusado a recebê-los.
A gestão do Instituto ressalta que tenta agendar uma audiência com o prefeito desde outubro de 2025, sem sucesso.
"A gente tentou o diálogo, estivemos na prefeitura, protocolamos o ofício, mas o prefeito não nos recebeu. A gente quer transparência, a gente quer entender o que está acontecendo para que as nossas crianças não sejam prejudicadas", acrescenta Cindy.
Planejamento e situação atual
A interrupção foi comunicada a poucos dias antes do retorno às aulas em 2 de fevereiro, o que compromete o planejamento orçamentário e a organização da escola, que atende crianças e adolescentes do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental.
Algumas doações e um baixo estoque estão garantindo a alimentação dos alunos nesses primeiros dias, de acordo com a gestora.
"Nesse momento a gente está contando com a doação da comunidade, das famílias, de parceiros, pra gente conseguir servir essa merenda agora no início das aulas. Mas a gente sabe que isso é uma solução paliativa, a gente precisa de uma solução definitiva."
Outro lado
Até a publicação desta reportagem, OVALE tentou contato com a Secretaria de Educação de Monteiro Lobato.
A pessoa indicada como responsável, a secretária Josiane Dell’Osso, não foi localizada para comentar os fatos devido ao cumprimento de agenda no município. O espaço para manifestação continua aberto.