Um homem de 45 anos foi morto violentamente com golpes na cabeça, com um pedaço de madeira, e encontrado com um carnê de IPTU sobre o corpo. Segundo o registro policial, o documento se mostrou fundamental para revelar a motivação do crime.
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O homicídio aconteceu numa casa na rua Emiliano Campedelli, no Jardim Casa Branca, em Caraguatatuba, na tarde da segunda-feira (2). Um homem de 44 anos foi preso em flagrante e indiciado pelo crime. O boletim de ocorrência indica que autor e vítima moravam no imóvel, que seria fruto de ocupação irregular.
A Polícia Militar foi acionada e encontrou o corpo de Vanilson Batista Pinheiro, 45 anos, registrado no boletim de ocorrência como autônomo. Ele tinha múltiplas lesões graves na cabeça e estava caído próximo à área da lavanderia da residência, onde havia desorganização e marcas de sangue.
A casa estava revirada e, sobre o corpo da vítima, foi localizado um carnê de IPTU, elemento que posteriormente se revelou fundamental para descobrir a motivação do crime, uma disputa pela posse do imóvel.
Moradores da vizinhança mostraram imagens aos policiais nas quais o indiciado, identificado como Flávio Fernandes dos Santos, 44 anos, conhecido como “Cabelo”, aparece entrando no imóvel com um pedaço de madeira nas mãos (foto abaixo), objeto posteriormente localizado com vestígios de sangue.
Uma mulher de 36 anos, ouvida na delegacia, declarou que presenciou o momento em que Flávio retornou ao imóvel e desferiu um violento golpe na cabeça da vítima, após longa discussão iniciada ainda durante a madrugada. O motivo do crime seria a disputa pela posse da casa.

Briga e agressão
A polícia apurou que Flávio e Vanilson dividiam o imóvel, o qual seria fruto de ocupação irregular. A testemunha relatou que ambos iniciaram uma discussão durante a madrugada e, já na parte da manhã, após nova altercação, Flávio saiu do local e retornou pela porta da frente portando um pedaço de madeira.
Diante das ameaças e da tensão crescente, a mulher tentou convencer seu companheiro de 22 anos, também arrolado como testemunha, a deixar o local. Logo em seguida, ela disse ter presenciado o momento em que Flávio desferiu o golpe fatal na cabeça de Vanilson. Assustada, a mulher disse que fugiu da residência e procurou ajuda.
Ao atender a ocorrência, um policial militar disse que o indiciado Flávio, ao ser abordado, tentou resistir, sendo necessário o uso de contenção física. O homem também atribuiu falsamente a autoria do crime a outras pessoas presentes na casa, mas as versões se mostraram frágeis e desprovidas de qualquer sustentação.
Na delegacia, a testemunha confidenciou que os quatro que estavam na residência faziam uso de entorpecentes, e que a discussão começou na madrugada por conta da casa. Pela manhã, Vanilson teria tentado expulsar Flávio da residência, o que acirrou os ânimos.
A mulher confirmou que a motivação do crime era a posse da casa e que Flávio dizia repetidamente que ficaria com o imóvel “a qualquer custo”.
Indiciado nega
Em depoimento, o indiciado confessou que teve discussão com a vítima e que ambos estavam exaltados. Admitiu que segurava um pedaço de madeira, mas negou ter desferido o golpe fatal. Declarou que, após a discussão, deixou o local e que outros teriam cometido o crime.
De acordo com o BO, ele “tentou imputar a autoria a terceiros, mas suas alegações são desmentidas pela testemunha ocular e pelas imagens colhidas”. Ele também reconheceu que a discussão foi motivada pela disputa da casa.
Após os depoimentos e as imagens, a autoridade policial confirmou a prisão em flagrante de Flávio, cuja defesa não foi localizada. O espaço segue aberto.
“Há justa causa para a prisão, considerando o conjunto de elementos que apontam para a responsabilidade penal do indiciado, tanto por prova testemunhal firme como por evidência material do crime. A autoria está claramente imputada a Flávio Fernandes dos Santos, com base no relato preciso da testemunha ocular, nas imagens que o mostram com o instrumento do crime e na ausência de qualquer fato concreto que indique participação de terceiros”, apontou o delegado.
Diante disso, o estado de flagrante foi confirmado pelo crime de homicídio. A polícia também representou pela conversão do flagrante em prisão preventiva.