A volta às aulas na rede estadual nessa segunda-feira (2) teve um episódio que chamou atenção em Caçapava: uma reportagem da TV Vanguarda flagrou erros de português em escola cívico-militar durante o ensino de comandos de ordem unida.
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No quadro da Escola Estadual Professora Luciana Damas Bezerra, palavras como “descançar” e “continêcia” apareceram escritas de forma incorreta e foram corrigidas durante a atividade, com a ajuda de alguém da escola.
A unidade é uma das sete escolas estaduais da região que passaram a operar no modelo cívico-militar. No programa, policiais militares da reserva atuam como monitores, com foco em disciplina, orientação e atividades cívicas, enquanto o conteúdo pedagógico permanece sob responsabilidade dos professores.
Segundo a reportagem, durante a monitoria realizada na sala, foram registradas duas grafias incorretas no quadro: “descançar” (o correto é descansar) e “continêcia” (o correto é continência). Após alguns minutos, o monitor que escrevia na lousa foi até a porta, conversou com alguém, voltou, conferiu o quadro e fez as correções, primeiro em “descansar” e, em seguida, em “continência”.
O momento ocorreu durante a apresentação de comandos típicos de ordem unida, conjunto de movimentos padronizados que incluem instruções como “sentido”, “descansar” e “continência”. O flagrante gerou repercussão justamente por envolver erros de português em escola cívico-militar em uma atividade voltada à disciplina e à hierarquia.
Ordem unida é uma prática de organização e padronização de movimentos, muito usada em instituições militares. No contexto escolar, ela costuma aparecer em atividades cívicas e de disciplina, como orientação de postura, formação de filas e rituais ligados a símbolos nacionais. No modelo cívico-militar, essas ações ficam sob a atuação do núcleo de monitores.
Procurada, a Secretaria da Educação do Estado informou que o conteúdo pedagógico é elaborado e aplicado pelos docentes da escola e que, neste início de implementação, os monitores estão repassando orientações relacionadas a atividades de disciplina e promoção de valores cívicos. A pasta também afirmou que os monitores passam por avaliações periódicas de desempenho para verificar adaptação e permanência nas unidades.
As normas do programa indicam que os monitores devem atuar em atividades extracurriculares e de convivência, com atribuições como orientar alunos para manter o ambiente organizado e disciplinado, apoiar ações de cultura de paz e integrar projetos cívicos (por exemplo, atividades ligadas a civismo e organização escolar). A implementação do modelo no Estado também prevê capacitação específica para os monitores.
A Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado) afirmou, em nota, que repudia a implantação de escolas cívico-militares em São Paulo. A entidade critica o uso de verbas da Educação para a contratação de militares aposentados e diz que a medida foi imposta sem ouvir a comunidade escolar. O sindicato também sustenta que o modelo é inconstitucional e autoritário.
Na região, sete escolas estaduais iniciaram o ano letivo dentro do modelo cívico-militar. Confira a lista:
Taubaté – EE Newton Câmara Leal Barros
Pindamonhangaba – EE Prof. Rubens Zamith
Caraguatatuba – EE Antônio Alves Bernardino
Caçapava – EE Prof.ª Luciana Damas Bezerra
São Sebastião – EE Prof.ª Maísa Theodoro da Silva
Cruzeiro – EE Prof. Abrão Benjamim
Piquete – EE Prof.ª Leonor Guimarães