A família de Carlos Alberto Chagas Júnior, 21 anos, que morreu após ser baleado na cabeça por um policial militar em São José dos Campos, cobra investigação sobre a conduta do policial militar que atirou no jovem, que morreu dias depois no hospital.
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Os familiares contestam a versão apresentada pela SSP (Secretaria de Segurança Pública) de São Paulo de que o joseense morreu após confronto com a Polícia Militar e de que estaria armado.
Carlos Alberto morreu dias após ter sido baleado na cabeça por um policial militar. Ele estava em uma moto com registro de furto e sem capacete quando desobedeceu a ordem de parada. Na sequência, foi atingido por um tiro na cabeça. O caso aconteceu na noite de 25 de janeiro, na região sul da cidade, e segue em investigação.
Em nota enviada a OVALE, a SSP disse que as polícias Civil e Militar investigam a ocorrência em São José dos Campos.
Na ocasião, segundo a pasta, equipe da Rocam (Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas) realizava o acompanhamento de uma motocicleta com suspeita de furto.
“Durante a ação, houve confronto e o suspeito foi atingido. Ele foi socorrido, mas não resistiu e faleceu no dia 27 de janeiro. Com o indivíduo, foi apreendido um revólver calibre .38. Foi confirmado que a moto utilizada era produto de furto. O caso foi registrado pela Central de Polícia de São José dos Campos e é investigado”, afirmou a pasta.
A família nega que Carlos Alberto estivesse armado. “A moto que ele estava seria de um amigo que ele pegou para dar uma volta. Ele deu fuga, sabemos que fez errado, mas estão falando que ele estava armado. Ele não atirou”, disse a tia. “Fez errado, mas arma não estava com ele. Mataram meu sobrinho na covardia”, completou.
Carlos Alberto deixou um filho pequeno e a mulher grávida. Segundo a tia, ele estava desempregado e iria começar um trabalho como ajudante de pedreiro um dia depois de ter sido baleado. Ele teve seus órgãos doados, podendo salvar até oito vidas.
Investigação
OVALE apurou que familiares já prestaram depoimento para investigadores da Corregedoria da Polícia de São Paulo, que apura a conduta do policial militar que atirou em Carlos Alberto. Tanto a arma do policial quanto o revólver que supostamente estaria com o jovem foram apreendidos.
A investigação interna também teve acesso às câmeras dos policiais e requisitou exame de pólvora das mãos de Carlos Alberto, para averiguar se há sinais de que ele tenha atirado com a arma.
Segundo o boletim de ocorrência, Carlos Alberto estava em uma moto com registro de furto e pilotava sem capacete. O documento aponta que, em consultas aos históricos de ocorrências criminais, nos sistemas policiais, não há anotações contra o rapaz.
A perseguição passou por bairros como Parque Interlagos e Campo dos Alemães, e terminou com disparos e colisão com veículo estacionado.
No documento, a Polícia Civil registra a ocorrência como flagrante para apuração dos crimes relacionados e reconhece a existência de legítima defesa na intervenção do agente estatal. O texto ressalta que eventual excesso poderá ser verificado pela autoridade responsável pela investigação, especialmente com a análise de imagens de câmeras corporais.
O boletim também aponta que uma equipe de apoio localizou uma arma de fogo caída no chão, próxima ao local onde Carlos Alberto tombou, sendo o material apresentado e devidamente lacrado. Trata-se de um revólver calibre 38, com dois cartuchos íntegros, que no BO foi relacionado ao suspeito. A ocorrência também registra a apreensão de armamento relacionado ao policial que efetuou os disparos.