A Polícia Civil vai investigar não apenas as circunstâncias do homicídio ocorrido na manhã desta segunda-feira (26), no Parque Residencial Aquarius, em São José dos Campos, mas também o histórico de comportamento violento atribuído ao autor do crime, o policial civil Zueber Pasqualino Grieco, de 67 anos, preso em flagrante após matar a tiros o namorado da ex-esposa.
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O caso foi registrado como homicídio consumado. A vítima, o contador Wagner Eduardo dos Santos Prado, de 43 anos, morreu após ser atingida por um disparo no tórax dentro de um apartamento. Zueber se entregou à Polícia Militar sem oferecer resistência e alegou legítima defesa.
Crime.
De acordo com informações oficiais, equipes da Polícia Militar foram acionadas via Copom por volta das 8h45 para atender a uma ocorrência de disparo de arma de fogo. No local, os policiais foram autorizados a entrar pela síndica do condomínio. O próprio autor abriu a porta, foi desarmado e permaneceu no imóvel até a chegada das autoridades.
No interior de um dos quartos, a vítima foi encontrada caída no chão, já sem vida. A arma utilizada — uma pistola calibre .40, de uso restrito — foi apreendida, assim como celulares e outros objetos que podem auxiliar na investigação.
Discussão.
Em depoimento, a ex-esposa do policial relatou que estava em processo de separação e mantinha um relacionamento com a vítima havia cerca de 15 dias. Segundo ela, o ex-marido fazia ligações insistentes e teria sido informado, por mensagem, de que ela não estava sozinha no apartamento naquela manhã.
Ainda conforme o relato, Zueber teria entrado no quarto armado enquanto o casal dormia. Wagner, que fazia uso de medicação, acordou durante a ação, momento em que houve agressões físicas e verbais, seguidas de uma discussão. O policial, então, teria sacado a arma e efetuado o disparo fatal.
A mulher afirmou à polícia que já havia sido ameaçada anteriormente pelo ex-marido, que dizia que a mataria caso ela se envolvesse com outra pessoa. Segundo ela, Zueber possuía a chave do apartamento e conseguiu acessar o condomínio sem dificuldades.
Versões divergentes.
O filho do casal, que estava no imóvel, confirmou a existência de uma discussão, mas declarou que Wagner teria avançado contra o pai mesmo após a arma ser exibida. Já o policial civil afirmou que desconhecia o relacionamento da ex-esposa e que teria ido de São Sebastião a São José dos Campos para tratar de assuntos familiares.
Segundo a versão apresentada por Zueber, a vítima iniciou uma agressão física, dando início a uma luta corporal, e o disparo teria ocorrido de forma acidental. Ele alegou ainda que temia ser desarmado durante o confronto.
Histórico.
Além das informações oficiais, relatos obtidos pela reportagem com pessoas próximas à famíçoa, apontam um histórico prolongado de comportamento abusivo, ameaças e violência psicológica ao longo do casamento, que durou décadas.
Segundo uma fonte, que pediu anonimato, Zueber já havia sido preso anteriormente, há cerca de oito ou nove anos, em uma operação interna da própria polícia, possivelmente conduzida pela corregedoria. A natureza da prisão não foi oficialmente confirmada, mas envolveria suspeitas de corrupção ou outros crimes praticados durante o exercício da função.
A mesma fonte afirma que, durante o processo de separação, a ex-esposa passou a viver sob constante medo, apresentando sinais de estresse pós-traumático. A família de São Sebastião, agora também teme possíveis retaliações.
Segundo relatos, Zueber enfrenta um tratamento contra o câncer.
Filho impediu nova execução.
Ainda segundo relatos extraoficiais, após atirar contra Wagner, o policial teria apontado a arma para a cabeça da ex-esposa com a intenção de matá-la, sendo impedido pela intervenção direta do filho mais velho, que estava no local e conseguiu conter o pai.
Essas informações ainda não constam formalmente no boletim de ocorrência e deverão ser apuradas durante a investigação.
Prisão e investigação.
Diante dos fatos, Zueber Pasqualino Grieco foi preso em flagrante por homicídio e permanece à disposição da Justiça. A perícia foi acionada, e o caso será investigado pela Polícia Civil, que deverá analisar as versões apresentadas, o histórico de ameaças, a dinâmica do crime e a alegação de legítima defesa.
O boletim de ocorrência foi registrado no Complexo Policial Judiciário de São José dos Campos.