A fábrica da Volkswagen em Taubaté completa 50 anos de história nesta quarta-feira (14). Os números da unidade são superlativos: 820 carros produzidos por dia, 3.000 funcionários e 8 milhões de veículos produzidos desde o seu nascimento.
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Inaugurada em 14 de janeiro de 1976, a planta tem uma trajetória marcada pela produção de modelos icônicos, desde o Passat, passando pelo Gol, Voyage, Parati, Saveiro e up! Atualmente, são fabricados em Taubaté o Tera, Polo e Polo Track, que são fenômenos de vendas da marca.
A fábrica de Taubaté foi a segunda planta de produção de automóveis da Volkswagen no Brasil. A primeira foi a Anchieta, em São Bernardo do Campo, em 1959. A marca iniciou suas atividades no Brasil em 1953, em um galpão no bairro Ipiranga, em São Paulo.
A planta de Taubaté é considerada uma das mais tecnológicas da Volkswagen em todo o mundo, tendo recebido a plataforma MQB para produzir o Polo Track, em 2023. O sistema é modular e permite o desenvolvimento de mais modelos com uma mesma base.
Durante 2022, a fábrica recebeu investimentos e ferramentais, com mais robôs e um sistema de solda ainda mais moderno.
Com isso, a fábrica está preparada para receber novos veículos – a Volks pretende lançar mais 10 modelos nos próximos anos – e até carros elétricos, que vão equipar os novos modelos da marca a partir de 2026. Os projetos, contudo, ainda não foram revelados, e nem em quais fábricas serão produzidos, mas Taubaté está na disputa.
Quem fala sobre o assunto é o diretor da fábrica da Volks em Taubaté, Vilque Rojas (foto abaixo), que começou na montadora em 1985, na unidade Anchieta, saiu em 2007 e voltou em 2019 para liderar em Taubaté. Leia a entrevista na íntegra.
Como o senhor avalia os 50 anos da fábrica de Taubaté?
São 50 anos de sucesso. A planta começa em 1976 com fornecimento de peças estampadas e conjuntos injetados para planta na Anchieta. Em 1978 produz o primeiro carro que não é o Gol, porque o Gol ele nasce em 1980, na verdade é o Passat.
Em 1980 nasce o Gol, que aí junto com o Gol, todos os derivativos foram produzidos aqui. Gol, Parati, Voyage. Esses carros foram produzidos aqui. O Gol fica por 42 anos sendo produzido. Em 2022 a gente termina a produção do Gol para a implantação da plataforma MQB. Um carro também dentro desse período a gente produziu foi o up!, que é um carro com uma grande aceitação com relação ao público. Agora, nesse ano [2025], o lançamento do Tera, que é um sucesso.
É uma fábrica de alta performance, é uma fábrica reconhecida com uma das fábricas mais produtivas do grupo Volkswagen no mundo todo. Então, é uma fábrica de produção de carros de ícones dentro da marca Volkswagen. O Polo é o carro mais vendido no passeio. O Tera já nesse primeiro ano produzimos 70 mil unidades, dos quais 48 mil foram emplacadas. Os últimos quatro meses foi a SUV mais vendida no Brasil. O mínimo de exportação acima de 20 mil carros já foram exportados para a região, então é um carro de grande sucesso e muito orgulho para nós. É uma fábrica muito é diferenciada, ela se funde com a região. Eu acho que Taubaté é um pouco disso.
Eu venho de São Paulo, então, quando você trabalha na Anchieta, você não encontra ninguém [da empresa] na farmácia. E com certeza, onde eu estou [em Taubaté], tem alguém da Volkswagen. Existe uma ligação muito forte da fábrica junto à região. Isso é uma coisa diferenciada que não se vê em outras fábricas.
Com o lançamento do Tera, a gente fez investimentos significativos. São 81% a mais de ferramentas na estamparia, 81% a mais de robôs, uma nova instalação da pintura, ampliação da capacidade das linhas de montagem. Então, toda uma estrutura foi preparada para o lançamento do Tera, que é um carro diferenciado. Um carro de um projeto nacional reconhecido pelo grupo.
A gente tem muito orgulho pelos resultados alcançados pela planta e pelo produto que a gente está lançando.
A gente sabe que as fábricas da Volks competem entre si para receber um projeto novo. Esse sucesso de Taubaté ao longo do tempo deve-se a quais motivos?
Eu acho que a constância. Eu acho que a fábrica ela tem uma constância em cima da busca pela produtividade, a busca pela perfeição. É um time diferenciado. Eu acho que isso é uma coisa que a gente sempre buscou, então é uma planta que trabalha com um alto volume e com carros de alto volume. A busca da alta performance é alinhada com a qualidade, é uma característica da planta de Taubaté. Isso fez com que a planta fosse a primeira planta fora da Europa a ganhar um prêmio internacional.
E durante os últimos quatro anos a gente ganhou, todo ano ganhamos um primeiro ou um segundo lugar de um prêmio internacional. Ela foi a primeira da região. Isso é um motivo de orgulho, mas eu acho que é uma combinação, do time, não é só o gestor, não é o diretor, eu acho que é um grupo, é o time, que diante de desafios, diante de objetivos se une de uma forma extraordinária para entregar resultados extraordinários. E essa evolução tecnológica... Vamos que vamos.
A plataforma MQB foi a grande inovação tecnológica dos últimos anos? A produção do Tera também representou uma inovação na planta de Taubaté? O que significa esse avanço para o futuro da fábrica?
Então, a plataforma o que aconteceu? A planta Taubaté foi a última planta a receber a plataforma MQB. Quando a gente fala na plataforma MQB, é uma plataforma onde vários carros são construídos em cima. Se você virar os carros de ponta cabeça, são semelhantes. Por quê? Fazem-se na mesma plataforma. A plataforma MQB ela traz uma tecnologia agregada muito maior. Os módulos eletrônicos são maiores.
Ela traz o número de tecnologia, o número de pontos de controle que a plataforma tem é muito maior pela modernidade que a plataforma oferece. Então, vir a plataforma para cá, fez com que a planta fizesse um carro mais tecnológico. Hoje a gente tem o Tera com o sistema ADA, sistema de controle de faixa, tudo que a gente tem hoje no carro é o que a gente consegue oferecer.
Isso veio junto com a plataforma que a gente não tinha dentro da outra plataforma, que era a plataforma que fazia o Gol e Voyage. E são plataformas mais antigas. E quando a gente passou para isso, a gente passou a receber um produto dentro dos padrões do Grupo Volkswagen.

Isso dá uma vida futura para a fábrica, garante que ela possa receber vários outros projetos pela frente?
Eu acho que a venda de projetos é uma combinação de coisas. Primeiro, o que a Volkswagen faz muito bem, ela tem um produto competitivo no mercado. Então, tem que ter, eu tenho que ter cliente para isso, eu tenho que ser vendedor. A demanda oferece para isso. E a outra é a competitividade. Por exemplo, quando você vai definir um novo produto, é avaliado um grupo, disponibilidade, capacidade, recurso, resultado, resultado que a planta pode oferecer.
Então, essa combinação toda faz parte da estratégia da companhia como um todo, vai definir para onde vai e se vai ganhar, mas eu posso dizer com certeza, o ritmo que nós temos a gente foi a planta que nos últimos anos recebeu dois projetos significativos, que foi o Polo e o Tera. Então, eu acho que o investimento tão pesado que foi aqui, não quer dizer que é uma planta que tenha continuidade, e aí que sejam mais 50 anos a mais, com a planta que acaba se modernizando, como aconteceu com a produção dos novos produtos.
A gente produzia ano passado só o Polo. Com a vinda do Tera, hoje a gente produz Polo e Tera. Parte do Polo Track foi transferida para Anchieta, que já produziu o Polo no passado. Então, hoje a gente tem o volume do Polo e o volume do Tera produzido aqui na planta. Esses são produzidos aqui na planta. São os dois carros.
A Volks divulgou que todo veículo lançado a partir desse ano seria eletrificado. Que eletrificação será essa?
Isso depende de uma questão de estratégia da empresa, mas a partir de 2026 todos os novos lançamentos [serão eletrificados], não significa dizer que o Tera vai ser elétrico, vai ser eletrificado. Não, eu nem vou falar que os novos lançamentos a gente terá isso daí. Isso é parte da estratégia, porque trouxe produtos eletrificados.
A fábrica de Taubaté tem capacidade de fazer produto elétrico. Muda alguma coisa ou não?
Não, não muda, não muda. Mas muda o produto. É outra concepção, é outro produto. A gente tem a eletrificação dentro da plataforma MQB, mas eu falo, isso depende muito da estratégia nossa para frente. Ela tem estratégia com relação de entrar na eletrificação, ser tão competitivo quanto os outros. É nesse sentido que a Volkswagen está encaminhando para isso.
Vai ter algum carro novo produzido em Taubaté?
O que a gente tem hoje é Polo e o Tera. Isso que a gente tem. Os outros modelos que vão lançar fazem parte da estratégia da Volkswagen, que são mais 10 modelos que devem ser lançados dentro do grupo, mais 10 lançamentos que a gente tem até 2028.
Até lá pode ter mais algum veículo sendo produzido aqui? A planta comporta isso?
Não, comporta. Depende da estratégia da fábrica, só isso. A definição, aonde vai ser, qual modelo será. Aí é uma questão da nossa estratégia. O que a gente tem hoje é a continuidade do ciclo de investimento que a companhia tem até 2028. A maioria deles feitos na região. Mais o lançamento de 10 modelos tem uma gama, entre picapes, carros, passeio, tudo, tudo aquilo lá.
Esses 10 modelos necessariamente serão produzidos no Brasil?
Não, é na região. A região é a América do Sul. Na região América do Sul. A gente sempre fala em região. Tanto é que o ciclo de investimento ele passa na região. Sempre fala região, com modelos que serão lançados. São 10 carros que a gente vai receber aqui.
Quais fábricas a Volks tem na América do Sul?
A gente tem no Brasil as três fábricas de veículos: Anchieta, Curitiba e Taubaté. São Carlos é a fábrica de motores. Na Argentina tem General Pacheco (Província de Buenos Aires) e Córdoba que é uma fábrica de câmbio. Vamos falar assim, as seis fábricas hoje que englobam a região SAM [América do Sul, América Central e Caribe].
O fato de os veículos da fábrica Taubaté serem exportados é uma vantagem competitiva para a unidade?
Sim. É uma questão de preço e você tem um produto. O Tera é um produto. Dos 70 mil carros que a gente produziu, mais de 20 mil carros foram exportados. Então é um volume. A aceitação do Tera foi muito grande dentro da região. E tanto que existe aceitação no mercado que o carro daqui a 2 anos, 1 ano e pouco, vai ser produzido na África do Sul, com a direção do lado direito. Mas é um carro como se diz compacto, tecnológico. Um carro voltado a esse produto, voltado à região.
É possível tem um carro hoje com o ciclo de sucesso como teve o Gol, por exemplo, produzido em Taubaté por 42 anos?
Hoje a velocidade, a tecnologia, o avanço que acontece, ele é muito rápido. Acho que ícones que a gente tinha no passado, uns carros, mesmo de outras marcas, como o próprio Fusca ou a própria Kombi. Eu acho que esses ciclos tão grandes, eles não devem acontecer. Às vezes, os nomes ficam. Mas se a gente pegar o que era o Polo lá atrás, para o Polo agora, são carros bem diferentes. O que era o Golf lá atrás e o que é o Golf hoje. A diferença é muito grande. O nome se mantém, mas não dá para comparar. Quando você pega também o Gol. Você pega o último Gol que é a geração, que é o Gol que vem da plataforma que tinha no Polo no ano 2000. Se comparar o que você tinha em 1980, o ‘cara chata’, 1.300, a arte, a produção. A única coisa que eles levam é o nome. Mas são carros que tem alterações tecnológicas muito significativas. O próprio mercado mudou. As pessoas exigem mudanças todo instante. Mercado mudou, os players diferentes, as concorrências são diferentes, a velocidade é outra. A tecnologia mesmo.
Dizem que o carro como status, como a gente tem praticamente até essa geração, tende a desaparecer. O carro tende a ficar como utilitário mesmo, como um serviço, sem muita importância para modelo. O senhor acredita que vai acontecer isso, que o carro vai deixar de ser um ícone pessoal?
Eu acho que a gente está passando por uma transformação, acho que se virar um serviço, ele vai ter demanda, de uma forma ou outra. Eu acho que isso com relação a tudo, os mercados são muito estranhos. Você pega o seguinte, por exemplo, o Brasil não se usa cheque. As pessoas não tem um cheque. Se você pensar na parte bancária, a gente não fala em cheque. Se você for aos Estados Unidos, um país de alta tecnologia, isso que mais se usa é cheque. Um pagamento com cheque.
Então, eu acho que o carro, essa questão das mudanças que a gente está em cima, a gente estava conversando em cima das novas gerações que vêm, elas vão mudar. Acho que existe um processo de mudança. Eu não vejo ainda uma quebra de demanda. Eu acho que as pessoas, em função de um comportamento diferente, vão se alterar. É igual um conceito.
Muitas pessoas acham que não é importante ter uma casa. Na nossa geração, primeira coisa que você tinha que ter era uma casa. Se você não tinha uma casa, você não tinha nada. Você tem que ter a casa. E o carro era a segunda coisa que você tinha. Eu acho que tem muito ainda para acontecer. Eu tenho dois filhos. Os dois têm carro, mas um já é [de usar] Uber, é metrô. E o outro, se ele for até a padaria, ele vai de carro. Então, o carro é uma sensação de poder, é uma sensação de status, é uma sensação de segurança, é um bem que tem. Mas acho que muita coisa vai acontecer, ele tem muita surpresa e muitos negócio que vão se alterar.
Como a empresa vê a formalização do acordo Mercosul-União Europeia?
Isso pode ter um impacto para nós, a gente vai ver como é que vai se compor isso daí, mas eu acho que tudo aquilo que cai barreiras, facilita e é interessante para as partes. Eu acho que a gente vê de uma forma positiva, acredito eu. Mas acho que essa é a visão. Mas a gente tem muita coisa ainda para acontecer. É um acordo que demorou só para assinar 30 anos, para assinar, então 30 anos. Imagina só.
A planta de Taubaté está no limite de produção?
Nós aumentamos a capacidade e saímos de 714 para 820 carros por dia. Esse foi o grande desafio da planta. Para isso, a gente recebeu o aumento de capacidade na montagem final, 81% a mais de ferramentas, 81% a mais de robôs, instalações de partes móveis, instalações de assoalho. Então, a gente hoje está em dois turnos full capacity, com 820 carros por dia. Saiu de 714 foi para 820.
E vocês não pensam em ter terceiro turno aqui? Como é que funcionou?
É uma coisa muito complexa. A estratégia das fábricas é trabalhar em dois turnos. E para um terceiro turno a gente não vê, não vê isso. Isso depende de vários fatores. Todo mundo quer vender mais carro, mas ir para o terceiro turno, a gente já teve experiência no passado, que depois você cai a demanda e o que você faz com 30% do pessoal que está trabalhando? Então, hoje estamos trabalhando em full capacity em dois turnos, todas as unidades.
Os semicondutores andaram faltando há algum tempo. Essa questão preocupa a Volkswagen?
Isso preocupa toda a cadeia. Porque um chip que vai num carro, ele vai num celular. E a produção é muito concentrada em alguns países. São poucos. Nós temos a questão que vocês viram na reportagem em cima da questão da Tailândia, do Canadá. Da empresa da China que o Canadá comprou e aí tem os insumos.
O que a gente tem hoje como estrutura global é o monitoramento dessa questão de distribuição de semicondutor para assegurar a produção dos nossos modelos comuns como um motor. Então, é um monitoramento que a gente faz como toda commodity, mas hoje isso é concentrado.
Para a gente ter noção de escala, um modelo como Tera utiliza quantos semicondutores?
Computador você tem em torno de mais de 20 computadores no caso desse carro. Mais de 20 módulos de controle você tem no caso desse veículo. Dependendo da configuração. Então, você tem controle de porta, controle de combustível, controle de ar-condicionado, controle de sistema de freio, controle de segurança, controle dos bancos, explosão de airbag, tudo isso. Hoje o carro, na verdade, ele é um computador. Quanto mais tecnológico, mais computador.
Antes você levava um carro lá na fábrica, ele levantava o motor, via a vareta de óleo e começava a abrir. Limpava as válvulas. Hoje o cara pega e não abre, ele engata uma CPU e faz um diagnóstico, e fala: "O carro tá com problema disso, disso, disso". Se a gente aumentar a potência, a gente pegava, o cara tinha que pegar o cabeçote, puxar, trocava isso. Agora o cara vai lá e pluga a muda a curva do motor. Ele aumenta a capacidade, a potência do carro. Hoje o carro é muito mais um computador. Você não tem aquela oficina mais suja.
Quantos funcionários vocês têm em Taubaté?
Mais ou menos 3.000. A gente tem uma coisa interessante da planta. Isso que a gente entrou de 2019 até 2026, a gente aumentou 500% o número de mulheres na produção. Ainda é pouco, a gente saiu de 3% para 15%, ainda é pouco, mas a gente tem como política 50% das novas contratações são mulheres.
E por incrível que pareça, a montagem final que é a área que tem mais pessoas, é a área que tem o maior número de pessoas, mais de 1.000 pessoas trabalhando na montagem final, ela é comandada por duas mulheres, uma comanda o primeiro turno, uma comanda o segundo turno.
Então é uma área que a gente está trabalhando muito, a gente tem ações muito voltadas à diversidade da equipe. Não é a comparação, é a visualização desses potenciais femininos. Então a gente tem monitores, a gente tem líderes, a gente tem supervisoras, coisas que o ano passado a gente não tinha. E a tendência é cada vez aumentar isso. A gente vê um grande resultado com relação a isso.
Como é a relação da fábrica com a mão de obra? Vocês se envolvem na formação, parcerias? Imagino que a fábrica se preocupe com a com a mão de obra?
Primeiro, é o desenvolvimento pessoal, como o nome fala, ele é pessoal. Então, você quer ser um engenheiro, é claro que a fábrica não vai dar essa situação. O que acontece hoje, a gente tem o trabalho junto ao Senai, onde a gente tem um volume de pessoas que são filhos de funcionários, que fazem o Senai automaticamente. E dentro daquilo, quando a gente tem incentivos tecnológicos e tem novas tecnologias entrando, é claro que isso demanda o treinamento, e a criar a habilidade das pessoas que estão aqui.
A gente mandou uma engenheira para fazer curso em Portugal, para ser uma especialista em adesivos. A gente tem várias vários cursos que são dados às pessoas em função das novas tecnologias que a gente está introduzindo na fábrica. Então, novos robôs, novos sistemas de segurança, novos sistemas de monitoramento, novas instalações, junto disso é feito o treinamento.
Existem treinamentos obrigatórios que têm que ser feitos por segurança. Alguns operadores necessitam disso, que tem trabalho em risco. E tem a necessidade de comportamental. A gente entende também que é importante você ressaltar a questão comportamental. A gente preza muito isso. É uma fábrica onde a gente entende que não é só uma fábrica, mas isso é um mantra de que as pessoas são o centro de tudo. Se a gente quiser mudar alguma coisa, a gente tem que cuidar dessas pessoas.
Havia uma informação tempos atrás de que a fábrica de Taubaté poderia fechar. Isso foi real?
Sendo uma fábrica mais produtiva, não tem sentido [fechar], não tem uma previsão. Acho que isso é um zum-zum-zum que a gente conseguiu virar, pela entrega do resultado que a gente fez, pela constância no resultado que está sendo entregue.
Então, vejo dois modelos que foram investidos aqui, um volume significativo, novas contratações, dois casos de sucesso. A gente não vê, como se diz, a possibilidade que isso volte a acontecer.
Há alguma possibilidade de novas contratações em Taubaté?
Nós estamos em full capacity e dentro daquilo que a gente tem, lembrando que a gente teve um momento significativo do efetivo nos últimos anos. Tanto pela contratação, tanto pela mão de obra técnica, a gente evoluiu muito de pessoal técnico, engenheiros, eletricistas, mecânicos. A gente tem hoje o pessoal para fazer 820 carros, que é o volume. Dentro daquilo, não existe demanda, não existe a necessidade de contratação. Não dá para falar sobre isso, é o cenário dentro daquilo que a gente tem como volume.
Na questão da inteligência artificial, como que isso é trabalhado dentro da fábrica e como que isso é colocado nos modelos que estão sendo desenvolvidos?
O próprio Otto, que é o lançamento da Tera, que é a inteligência artificial. O Tera hoje ele já sai com o Otto, que é uma inteligência artificial feita pela Volkswagen, um melhor assistente que faz pergunta, conversa, tudo. É bem interessante. Até a cara dele é uma lembrança. E dentro do processo, um grande exemplo são as Smart Cars.
As Smart Cars hoje você têm câmeras que reconhecem, reconhecem essa interferência de peças, são câmeras que você coloca. Tem, por exemplo, controles do motor, onde as câmeras vão aprendendo. Então, o sistema, eles aprendem, eles se utilizam da inteligência artificial para a gente garantir, por exemplo, a avaliação de peças de superfície.
A gente tem inteligência artificial para garantir que dentro de um vão do motor, se falta algum componente, se existe uma interferência de componente, se não tem falta de uma etiqueta ou alguma coisa, ele é inerente ao processo nosso, tanto uma avaliação disso, como até para a manutenção. Você tem monitoramento onde você, em função de resultados que você coleta, a máquina aprende aquilo e ela consegue ter uma previsibilidade quando aquela peça vai poder ser trocada, vai precisar ser trocada, se existe um risco, não existe um risco. Então, é uma ferramenta que a tendência é aumentar o máximo possível. Até na nossa vida pessoal.
Você tem hoje algumas ferramentas que são para analisar relatórios, analisar, responder, você tem o CoPilot, que é uma ferramenta usada por nós. Você pega, você recebe, você avalia, faz. Então, como eu te disse, hoje a gente encontra no processo e encontra nos produtos nossos. E a tendência é subir isso numa escala exponencial.
Como é vista a fábrica de Taubaté pela matriz da Volkswagen, na Alemanha?
Para mim, a fábrica de Taubaté é uma referência. O ano passado a gente foi para a Alemanha e na verdade foi a Bruna, que é a nossa gerente de engenharia industrial. Ela foi lá para mostrar o que Taubaté faz diferente. A gente é referência, a gente é referência para o grupo. Tanto é que a região que mais cresceu, o melhor registrado de todas regiões, é a região SAM.
E Taubaté foi o ano passado para apresentar para mais de 150 pessoas. Das 150 pessoas, havia duas mulheres, uma era a Bruna e outra era uma pessoa da China. E a Bruna foi lá e apresentou os resultados de Taubaté, como uma referência em produtividade. Isso nos dá muito orgulho com a nossa vida.
Então, algumas coisas que a gente faz pela nossa cultura, pela nossa sinergia, pela questão de você ter que ser criativo dentro das ferramentas que você tem. E a criatividade fala assim: "A falta de recurso, às vezes”, entre aspas. Não é a falta, mas eu falo o seguinte: controle, a busca, é o fato de a necessidade de ser mais produtivo, faz com que você busque inovação.
Muitos dos prêmios que a gente ganha hoje são em função desse mais certo que a região tem. E isso é reconhecido também. O pessoal vem aqui e fala. Tanto é que México vem aqui aprender com a gente. Espanha já veio aqui aprender com a gente. Eles vêm saber o que vocês fazem de diferente aqui. É uma somatória de tudo. As pessoas são muito engajadas. É um diferencial.