MORTE TRÁGICA

Família de Renata vai processar empresa; SOU 'culpa' a passageira

Por Leandro Vaz e Luyse Camargo | São Sebastião
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Renata Cristina Ferreira Yassu Nakama
Renata Cristina Ferreira Yassu Nakama

A morte de Renata Cristina Ferreira Yassu Nakama, de 26 anos, vítima de um grave acidente na Rodovia Rio-Santos (SP-055), passou a ter novos desdobramentos.

Enquanto a família da jovem afirma que irá processar a empresa responsável pelo transporte coletivo, a concessionária SOU São Sebastião sustenta, em nota oficial, que a passageira acessou uma área proibida do ônibus no momento do acidente.

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Renata teve a morte cerebral confirmada nesta segunda-feira (5), após permanecer internada em estado gravíssimo desde a última sexta-feira (2). O acidente ocorreu no km 117 da rodovia, no bairro Cigarras, em São Sebastião, no Litoral Norte, e provocou forte comoção na região.

A jovem tinha dois filhos pequenos (leia aqui). Conhecida pela alegria de viver, pelo amor aos filhos e pela paixão pela praia e pela corrida de rua, Renata vivia com os filhos e os avós.

Família critica empresa e fala em negligência

Segundo familiares, Renata estava posicionada no chamado “cercadinho” (uma área próxima à porta do ônibus, sem apoio adequado) devido à lotação máxima do veículo. De acordo com testemunhas, o coletivo seguia cheio e teria ignorado ao menos cinco pontos de parada por falta de espaço para novos passageiros.

José Aparecido Caçator Júnior, um dos ocupantes do ônibus, afirmou ter presenciado o momento do acidente e sido o primeiro a prestar socorro. “Vi a hora que ela voou do ônibus. Fui o primeiro a correr para ajudar e ligar para o resgate”, relatou.

Segundo o passageiro, Renata estava de costas para a via quando a estrutura lateral do ônibus cedeu em uma curva, provocando a queda. Ele contou ainda que, após o impacto, a jovem chegou a se levantar, mesmo desorientada.

“Pedi para ela ficar deitada, mas ela levantou. Depois começou a piorar, segurou no guard-rail e não respondia mais”, disse.

Nas redes sociais, o caso vem sendo classificado por usuários como uma “tragédia anunciada”. Há relatos de outros acidentes semelhantes envolvendo a mesma frota. Um passageiro afirma ter sofrido fratura de vértebras em novembro de 2025 após cair de um ônibus. Outra usuária relatou que, apesar do acidente, não recebeu apoio da empresa para tratamento médico.

Empresa diz que passageira desrespeitou orientação

Em nota divulgada nesta segunda-feira (5), a SOU São Sebastião lamentou a morte de Renata, mas afirmou que imagens das câmeras internas do ônibus indicam que a passageira ultrapassou, de forma deliberada, os balaústres de proteção e acessou uma área isolada e sinalizada como proibida.

Segundo a concessionária, os quadros de janela dessa área não são projetados para suportar apoio corporal. A empresa informou ainda que o motorista acionou imediatamente o socorro médico e que o tacógrafo do veículo aponta que o ônibus trafegava dentro do limite de velocidade permitido.

A SOU afirmou permanecer à disposição das autoridades para colaborar com as investigações e reiterou seu compromisso com a segurança na operação do transporte coletivo.

Investigação e providências

O boletim de ocorrência aponta que Renata foi lançada para fora do ônibus após o rompimento da estrutura de uma janela lateral, junto com o vidro da porta principal, que também se desprendeu.

No domingo (4), a Prefeitura de São Sebastião informou que notificou oficialmente a empresa concessionária para prestar esclarecimentos. Em nota, o município lamentou a morte da jovem e manifestou solidariedade à família.

"A empresa Sancetur  - Santa Cecília Turismo Ltda (SOU) já foi formalmente notificada pela Administração Municipal e deverá apresentar, dentro do prazo estabelecido, esclarecimentos detalhados e documentação referente à ocorrência, incluindo registros operacionais, procedimentos adotados após o acidente e medidas preventivas existentes. Paralelamente, o Município mantém acompanhamento administrativo permanente e coopera integralmente com os órgãos competentes", informou a prefeitura.

O caso segue sob investigação.

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