INDÚSTRIA

Greve ameaça parar Alstom em Taubaté; empresa quer ‘entendimento'

Por Da redação com Jesse Nascimento | Taubaté
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/Sindmetau
Assembleia com trabalhadores da Alstom em Taubaté
Assembleia com trabalhadores da Alstom em Taubaté

Trabalhadores da Alstom em Taubaté aprovaram greve na empresa pelo vale-alimentação, após rejeitarem, em assembleia na sexta-feira (28), a proposta da empresa para o novo benefício.

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Os funcionários estão em estado de greve desde a semana passada. Com o fracasso das negociações na Justiça, a categoria decidiu pela paralisação total das atividades na unidade de Taubaté a partir de segunda-feira (1º), por tempo indeterminado, até que haja uma nova proposta.

De acordo com o secretário de Finanças do Sindmetau (Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté), Fabiano Uchoas, o impasse gira em torno do valor do vale-alimentação, que está sendo implantado na fábrica.

Já foram realizadas cinco reuniões entre sindicato e empresa e, na quinta-feira (27), houve uma audiência de conciliação no TRT (Tribunal Regional do Trabalho), que terminou sem acordo sobre o valor defendido pelos trabalhadores.

“Mais uma vez a empresa se negou a chegar ao valor reivindicado pelos trabalhadores e trabalhadoras para o vale-alimentação. Diante do posicionamento da Alstom, o juiz que conduziu a audiência definiu uma proposta que, apesar de ser aceita pelos metalúrgicos e metalúrgicas, a empresa se recusou a conceder”, afirmou Uchoas.

Empresa.

Em nota, a Alstom disse que tem “responsabilidade de tomar decisões que assegurem os mais de 1.400 empregos” no Brasil. A companhia francesa disse lamentar o anúncio feito pelo sindicato sobre a paralisação nas atividades da planta a partir de segunda.

Alstom afirmou que as reivindicações do sindicato “ultrapassam o que é possível atender com responsabilidade e visão de longo prazo”.

A empresa frisou que fez propostas “compatíveis com a sustentabilidade da operação em Taubaté, incluindo reajuste do PLR acima da inflação e a implementação de um novo benefício de vale-alimentação”.

“A Alstom lamenta o anúncio feito pelo Sindimetau sobre a paralisação das atividades em Taubaté. A Companhia realizou diversas tentativas de negociação, mas tem a responsabilidade de tomar decisões que assegurem os mais de 1.400 empregos que gera no Brasil hoje. Nesse sentido, entende que as reivindicações apresentadas pelo sindicato ultrapassam o que é possível atender com responsabilidade e visão de longo prazo”, diz a nota da companhia.

“Alinhado a esse compromisso, a empresa apresentou propostas compatíveis com a sustentabilidade da operação em Taubaté, incluindo reajuste do PLR acima da inflação e a implementação de um novo benefício de vale-alimentação. A Alstom espera avançar em um entendimento equilibrado para todos, de forma a viabilizar a retomada total das operações da unidade o mais breve possível”, completou.

Por usa vez, Uchoas reforçou que o Sindmetau permanece aberto ao diálogo: “Com a decisão pela greve, vamos aguardar a posição da empresa para retomar ou não as conversas”.

Apesar da divergência em relação ao valor do vale-alimentação, houve avanço nas discussões sobre a PLR (Participação nos Lucros e Resultados), com valores já estabelecidos até 2027.

Produção.

A Alstom produz trens e conta atualmente com aproximadamente 700 trabalhadores e trabalhadoras na planta de Taubaté, instalada na cidade desde 2015. A unidade integra projetos de mobilidade para cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Santiago (Chile), Taipei (Taiwan) e Bucareste (Romênia), reforçando a importância da fábrica para a cadeia industrial do Vale do Paraíba.

A greve na Alstom Taubaté por vale-alimentação deve impactar diretamente a produção de trens na fábrica instalada em Taubaté, no Vale do Paraíba, responsável por projetos de mobilidade urbana no Brasil e no exterior. A unidade já foi destaque por ciclos de expansão e geração de empregos na cidade.

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