O ex-candidato a vereador de São José dos Campos Eduardo Guedes da Cunha, 42 anos, que se apresentava nas redes sociais defendendo bandeiras conservadoras, foi preso por roubo no último dia 12 de novembro em Pavão (MG), próximo a Teófilo Otoni. Ele estava acompanhado do joseense Ricardo Coutinho de Souza, também detido.
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Segundo o boletim de ocorrência da Polícia Militar de Minas Gerais, a dupla teria invadido a residência de uma mulher identificada como Daniela Mendes, se passando por policiais e portando armas. A vítima relatou ter sido rendida, ter a casa revirada e obrigada a desbloquear um celular para que os suspeitos realizassem um Pix de R$ 550, além de terem levado dinheiro e o próprio aparelho.
Suspeitos fugiram, mas foram interceptados pela PM
Após o roubo, a Polícia Militar montou um esquema de monitoramento nas estradas da região. Os suspeitos estavam em um Meriva prata com placas de São José dos Campos, conduzido por Eduardo, quando foram localizados a caminho de Teófilo Otoni. Em um bloqueio policial, o veículo foi interceptado.
Dentro do carro, os militares encontraram: uma arma de airsoft com potencial lesivo; esferas de aço usadas como munição; cocaína e maconha; soco inglês e canivete; algemas, aparelho de choque, facão e um machado.
Os dois homens foram presos em flagrante por roubo, e o caso segue sob investigação da Polícia Civil de Minas Gerais. De acordo com a corporação, Eduardo foi encaminhado para o Presídio de Teófilo Otoni (MG), onde passaria por audiência de custódia.
Eduardo concorreu a vereador em São José dos Campos em diferentes eleições. Na disputa de 2024, pelo Avante, recebeu 423 votos. Nas redes sociais, costumava se apresentar como defensor de valores conservadores, segurança pública e família tradicional. No Instagram, o perfil dele aparece com quase 64 mil seguidores.
Versão do suspeito
Em depoimento à polícia, Eduardo afirmou que havia viajado a Teófilo Otoni para ajudar um homem a construir uma cerca, atividade que disse exercer como serralheiro. Ele também declarou estar com depressão, ter câncer e que passou a usar drogas recentemente.
No registro policial, disse ainda que foi até a casa da vítima para comprar cocaína, e que teria feito transferências a Daniela entre os dias 3 e 12 de novembro, totalizando R$ 1.100.
A reportagem de OVALE tentou contato com a defesa do ex-candidato, mas não obteve retorno até o momento. O espaço segue aberto.
Polícia desconfiou de versão
O delegado de Polícia Leonardo dos Santos Diniz, de Minas Gerais, ratificou a prisão em flagrante de Eduardo e Ricardo e disse que versão apresentada pelo ex-candidato a vereador não era "crível".
“Considerando não ser crível que os conduzidos se deslocaram de São José dos Campos para Teófilo Otoni para ‘fazer uma cerca’, ratifico a prisão dos conduzidos por roubo qualificado e uso de substância entorpecente”, afirmou o delegado em despacho policial.
Segundo Diniz, não foram encontrados “nenhum entorpecente, nem mesmo vestígios de drogas ou balança de precisão” na casa de Daniela (vítima), o que “refuta o alegado pelos conduzidos que compareceram na residência da vítima para adquirir drogas e compraram seu telefone celular”.
“Foi encontrada uma arma de pressão, o celular da vítima e pequena quantidade de drogas com os conduzidos, além de uma cédula de R$ 50, exatamente como narrado pela vítima”, completou o delegado.