Policiais, membros do Ministério Público e do Judiciário e agentes das forças de segurança em geral estão na mira do PCC (Primeiro Comando da Capital), maior e mais temida facção criminosa do país.
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Eles são alvos do grupo criminoso por estarem na linha de frente do combate ao PCC, que criou uma elite chamada de “Sintonia Restrita” cujo objetivo é monitorar e planejar o assassinato de autoridades e agentes públicos.
Portanto, quem combate o PCC está permanentemente no alvo da facção criminosa, que não costuma esquecer seus principais desafetos.
Em 23 de outubro de 2005, a facção assassinou aquele que era considerado o inimigo número 1 do PCC: José Ismael Pedrosa, 70 anos. Ele foi emboscado por membros da facção quando chegava em casa, em Taubaté. Morreu com dez tiros ao volante de seu carro.
Pedrosa havia sido diretor da Casa de Detenção, no Carandiru, quando 111 presos foram mortos por policiais militares em 2 de outubro de 1992, e diretor da Casa de Custódia de Taubaté, berço do PCC.
Mais recentemente, em 15 de setembro, o ex-delegado Ruy Ferraz Fontes foi morto a tiros na cidade de Praia Grande, no litoral paulista. Os matadores também pertenceriam ao PCC.
Alvos do crime.
Para o promotor de justiça Alexandre Castilho (foto abaixo), membro do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público, o problema surge quando o profissional deixa o cargo público, como ocorreu com Pedrosa e Ruy. Ambos foram mortos quando não mais exerciam o cargo na polícia.
“Enquanto você está na ativa no Estado, isso não é um problema. O problema é quando você se aposenta. Aí, de fato, você não tem mais a estrutura do Estado para lhe defender”, disse ele durante entrevista ao Documento OVALE Cast, uma grande reportagem em formato de podcast.
“Essa é a grande batalha, inclusive do [promotor de Justiça] Lincoln Gakiya. Ele tem colocado essa questão que a preocupação não é quando você está na ativa, porque esse é o nosso trabalho. A preocupação é quando você deixa o Estado”, afirmou.
Por seu trabalho no combate ao PCC, o promotor Lincoln Gakiya é considerado atualmente o principal alvo da facção criminosa.
Gakiya foi um dos responsáveis por transferir a alta cúpula do PCC para presídios de segurança máxima, em fevereiro de 2019. Entre os presos estava Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder máximo do PCC, condenado a mais de 300 anos de prisão e hoje em um presídio federal em Brasília.
“O Estado deveria garantir a segurança de todos aqueles que um dia enfrentaram o crime organizado, e correm risco de vida. Então, a questão é o pós, não o durante. Essas pessoas que você nominou foram mortas e já estavam aposentadas [Pedrosa e Ruy], e não tinham qualquer segurança do Estado”, completou Castilho.
OVALE Cast contou com a participação do editor-chefe de OVALE, Guilhermo Codazzi, e do repórter especial Xandu Alves. O episódio está disponível nos canais de OVALE no Youtube Spotify, além das redes sociais e no site do jornal.