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Ana Paula Veloso: 'serial killer' matou ao menos 4 pessoas

Por Da Redação | São Paulo
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Ana Paula Veloso Fernandes
Ana Paula Veloso Fernandes

A estudante de Direito Ana Paula Veloso Fernandes, de 36 anos, é apontada pela Polícia Civil como suspeita de pelo menos quatro assassinatos cometidos entre janeiro e maio de 2025. As autoridades destacam a frieza e o comportamento calculista da mulher, que teria matado as vítimas por motivos pessoais e, possivelmente, financeiros.

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Os crimes ocorreram em São Paulo e no Rio de Janeiro, conforme apontam os inquéritos conduzidos pelas polícias dos dois estados. O último homicídio atribuído à universitária é o do tunisiano Hayder Mhazres, de 21 anos, com quem ela mantinha um relacionamento. Segundo a investigação, no dia 23 de maio, após o casal sair para lanchar, o jovem passou mal e morreu no condomínio onde morava, no bairro do Brás, na capital paulista.

Ana Paula acompanhou o rapaz até o hospital e foi à delegacia relatar o caso, alegando que ele havia consumido drogas. A versão, no entanto, foi contestada pela família de Hayder. De acordo com a polícia, o crime teria sido motivado pela recusa do jovem em aceitar uma gravidez falsa apresentada por ela. Mensagens encontradas no celular da suspeita mostram que ela chegou a enviar um exame de ultrassom falsificado e a fazer ameaças escritas em árabe. Há ainda indícios de que Ana Paula tentou convencer a Embaixada da Tunísia de que era companheira oficial da vítima para acompanhar o translado do corpo.

Antes de Hayder, a mulher já era investigada por outros três homicídios. O primeiro ocorreu em janeiro, quando Marcelo Hari Fonseca, de 51 anos, foi encontrado morto em Guarulhos. A própria Ana Paula ligou para a polícia afirmando sentir um “cheiro estranho” vindo da casa onde os dois viviam. Apesar da suposta preocupação, imagens mostram a suspeita sorrindo ao lado do corpo em decomposição, e ela chegou a dificultar o acesso da família de Marcelo à residência. Posteriormente, confessou o assassinato.

Em abril, outro caso chamou atenção. Maria Aparecida Rodrigues, de 49 anos, foi encontrada morta na Região Metropolitana de São Paulo. Ana Paula apareceu no local usando o nome falso de “Carla”, dizendo que havia saído com a vítima na noite anterior e retornado para buscar roupas doadas. A farsa foi descoberta após o reconhecimento de suspeitos feito pela polícia.

Dias depois, a estudante viajou ao Rio de Janeiro, onde é apontada como responsável pela morte de Neil Corrêa da Silva, de 65 anos. A vítima teria sido envenenada com chumbinho misturado à comida. A filha de Neil, Michelle Paiva da Silva, também foi presa por participação no crime. Diferente dos outros casos, o idoso não tinha relação pessoal prévia com a suspeita.

De acordo com o delegado Halisson Ideiao Leite, que coordena o inquérito em Guarulhos, o perfil de Ana Paula apresenta traços típicos de psicopatia. “É uma pessoa fria, sem remorso, que parece sentir prazer em manipular. O fato de permanecer próxima dos locais dos crimes mostra o controle que buscava exercer sobre as situações”, disse o investigador em entrevista ao jornal O Globo.

As apurações também levantam a hipótese de que os homicídios possam ter sido crimes sob encomenda. A estudante e sua irmã gêmea, Roberta Cristina Veloso Fernandes, presa na mesma operação, seriam responsáveis por oferecer o que chamavam de “TCC — Trabalho de Conclusão de Curso”, um suposto código para execuções pagas. A polícia investiga se o grupo recebia valores de até R$ 4 mil por assassinato.

Presas preventivamente, as irmãs respondem por homicídio qualificado, falsidade ideológica e formação de quadrilha. A Polícia Civil continua apurando se há outras vítimas ligadas às suspeitas.

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