IDEIAS

Produção natural ganha mercado

Livre de agrotóxicos, o processo requer novas práticas constantemente

Por Marcelle Justo | 26/01/2024 | Tempo de leitura: 2 min

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Ilustrativa
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O que é o vinho natural? É a bebida de produção orgânica ou biodinâmica sem intervenções químicas no solo, no fruto e na vinícola. A definição do enólogo Edgar Luis Giordani, da Vinum Terra, de Monte Belo do Sul (RS), faz parecer simples a produção. Está aí o primeiro engano.

Livre de agrotóxicos, o processo requer novas práticas constantemente. “A natureza está mudando e nós precisamos de inovações, como por exemplo, fazer biodinâmica de cobertura, para vencer a resistência dos patógenos (como fungos) que estão mais resistentes com o aquecimento”, explica Edgar.

“Na Vinum Terra, fazemos zero intervenção química,  não trabalhamos com insumos enológicos. Nossa levedura vem do próprio vinhedo, porque ela tem que expressar o território. Qualquer intervenção, muda o perfil do  produto final”, defende.

A 1.200 quilômetros de distância, em São Bento do Sapucaí (SP), na Serra da Mantiqueira, o engenheiro agrônomo Rodrigo Veraldi, da vinícola Entre Vilas, repete com suas palavras a ideia do produtor gaúcho. “Uma uva sem resíduos de fungicidas pode fermentar com as leveduras espontaneamente”, vibra.

Teimoso declarado, o engenheiro conta ter ido contra todas as opiniões e obtido êxito com sua plantação de vitis vinífera de 2005. “Apesar da opinião geral ser que o verão chuvoso impediria as frutas crescerem, usei uma técnica inovadora para a época: o plantio com auxílio de túneis plásticos (mini estufas), pensando na proteção das videiras ao excesso de umidade. Usei um formato que já usava para cultivar framboesas e acabou tendo um resultado muito bom. Ao longo dos anos, pude perceber que as parreiras cresciam muito bem e sem doenças, mesmo em anos mais chuvosos. Assim, com o passar do tempo, percebi que não precisava usar fungicidas ou qualquer outro defensivo agrícola. As uvas ficam muito sadias e livres de resíduos químicos na colheita!”

O entusiasmo dos produtores é medido pela própria produção, pois a tendência é a expansão.  “Ao contrário de quem trabalha quimicamente,  na biodinâmica, as videiras vão crescendo  lentamente e se estruturando. Têm vida longa”, explica Edgar.

Na Entre Vilas, as garrafas serão vendidas em restaurantes da região e lojas especializadas. “De forma gradativa, estamos colhendo cada vez mais uvas. Sendo possível então ampliar nossa produção para algo em torno de 10 mil garrafas. Em 2024, estamos com novos projetos de ampliação da produção e queremos destinar parte de nossa produção ao mercado, já que até agora quase 100% fica para o consumo do restaurante da vinícola”, comemora Rodrigo, que se vê num mercado promissor, apesar do consumo ainda ser incipiente.

“Creio que à medida que houver maior expressão no mercado, haverá mudança na legislação para que se regulamente o setor.”

Defensor deste tipo de agricultura e produção, Edgar joga luz sobre as certificações que existem no mercado de vinhos e chama a atenção do consumidor na hora da compra.

“É preciso ter o certificado de uva orgânica, e não essas definições de mínima intervenção. O mais difícil é produzir a fruta. Se não temos uva no ano, não temos vinho. E, para produzir, é preciso muito estudo, dedicação”, finaliza o enólogo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do SAMPI

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