CLIMA

Temperaturas máximas aumentam até 3 graus em São José nas últimas décadas

Urbanização acelerada e perda de vegetação nativa provocaram o surgimento de ‘ilhas de calor’ dentro da cidade

Por Xandu Alves | 17/11/2023 | Tempo de leitura: 2 min
São José dos Campos

Divulgação / Charles Moura / PMSJC

Avenida Tívoli, na região central de São José, uma das vias mais arborizadas da cidade
Avenida Tívoli, na região central de São José, uma das vias mais arborizadas da cidade

Estudos conduzidos por pesquisadores apontam aumento de até três graus nas temperaturas máximas em São José dos Campos ao longo das últimas três décadas e o surgimento de ‘ilhas’ de calor dentro da cidade. Tais pontos tiveram urbanização acelerada e perderam grande parte da vegetação nativa.

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O impacto no clima pela troca de áreas verdes por asfalto, concreto e estruturas metálicas, usadas na construção de casas e fábricas, pode ser observado no estudo feito pelos pesquisadores Leidiane Andrade, Leticia Souza, Jojhy Sakuragi e Ruy Castro.

Elas analisaram fotos aéreas e imagens em infravermelho captadas por um avião Bandeirante que fez voos diurnos e noturnos para mapear as zonas mais quentes de São José dos Campos.

O trabalho foi premiado no Congresso Brasileiro de Sensoriamento Remoto e contou com apoio da Univap (Universidade do Vale do Paraíba) e do IEAv (Instituto de Estudos Avançados), órgão do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial).

Os pesquisadores concluíram que o crescimento urbano acelerado causou “grande impacto no clima urbano como o desconforto térmico, agravado pelas construções que dificultam a renovação do ar, a canalização de córregos e a diminuição da área verde”.

Além disso, o aumento do calor na cidade modifica a circulação dos ventos e a umidade. Materiais impermeáveis como asfalto e concreto fazem a água da chuva evaporar do solo rapidamente, reduzindo o resfriamento.

Segundo o meteorologista e professor Jojhy Sakuragi, do Laboratório de Meteorologia da Univap, que orientou o trabalho das pesquisadoras, os resultados revelam que São José sofreu uma “disparada de temperatura” e que a cobertura vegetal é “imprescindível para minimizar os efeitos deste aquecimento”.

SOLO

Com mestrado de sensoriamento remoto pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a geógrafa Daniela França avaliou as mudanças da cobertura do solo em São José e os consequentes impactos climáticos comparando dois períodos da cidade: os anos 1970 e 2004.

Ela usou imagens de satélite da época e dados atmosféricos para simular as condições de temperatura em ambos os períodos. Descobriu que São José ficou cerca de três graus mais quente em 30 anos no registro das temperaturas máximas.

“O aumento da urbanização e a perda de vegetação tiveram impacto na temperatura, na circulação dos ventos, nas chuvas e no processo de resfriamento”, disse.

ÁRVORES

A melhor sombra do mundo está aos pés de uma árvore, segundo o meteorologista Sakuragi. Ele explicou que as árvores perdem água durante o processo de captação de gás carbônico e isso faz com que o ambiente ao redor delas fique mais úmido e, consequentemente, mais fresco. “As árvores transpiram para produzir energia e resfriam o ar ao redor delas”, disse.

Quer a prova? Compare a sombra de uma árvore com a de um telhado. “A primeira é muito mais fresca”, afirma Sakuragi. Portanto, investir no plantio de árvores é a melhor maneira de equilibrar o clima em uma cidade.

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