OPINIÃO

E agora, Jair?

Por Fabrício Correia | Escritor, jornalista e professor universitário. Coordenador da cátedra de Diversidade da UNISE/PR
| Tempo de leitura: 1 min
OVALE

e agora, você?

você que é sem graça,

que zombou da morte de milhares dos nossos,

que faz fake news,

que incita o ódio, perdeu?

e agora, Jair?

Está sem foro,

sem discurso,

sem sigilo,

já não pode demolir,

já não pode destruir,

cuspir ainda pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

os tanques não vieram,

as tropas também não,

apenas alguns incautos que ainda ouvem o som daquela flauta de Hamelin

a mentira não virou verdade

e tudo acabou

e todos fugiram

e tudo mofou,

e agora, Jair?

E agora, Jair?

Suas palavras jocosas,

sua ira febril contra os divergentes,

sua gula por leite condensado,

sua reserva de cloroquina,

sua gana da imprensa livre,

seu telhado de vidro,

sua incoerência,

seu ódio — e agora?

Com a caneta ainda na mão

quer mudar a história,

mas a tinta acabou;

quer partir como herói,

mas haverá justiça e não vingança;

quer ir para a casa,

não há mais lar.

Jair, e agora?

Se você gritasse,

se você gemesse,

se você tocasse

um trecho de Lohengrin,

se você dormisse,

se você cansasse,

se você se arrependesse...

Mas você não se arrepende

você é nulo, Jair!

Sozinho no escuro de sua alma

sem as heresias do puxasaquismo de valdomiros, malafaias, macedos e felicianos

sem o Deus, do acima de tudo

sem o cercadinho

para inflar o ego

sem a motocicleta

que usa sem capacete,

você ainda marcha, Jair

Jair, para onde?

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