O montante utilizado pelo governo José Saud (MDB) para adquirir dois imóveis para a Secretaria de Educação seria suficiente para construir pelo menos 14 creches em Taubaté e zerar a fila de espera por uma vaga nas unidades de educação infantil no município.
No fim de 2021, em duas aquisições que só vieram a público após os negócios serem fechados, a Prefeitura gastou R$ 53,1 milhões para comprar dois prédios para a pasta.
Em um dos negócios, o município pagou R$ 31,2 milhões para adquirir duas áreas no bairro Piracangaguá, que somam 138 mil metros quadrados. Em uma das áreas funcionava a antiga ADPM (Associação Desportiva da Polícia Militar). A outra área é vizinha ao extinto clube.
Na outra negociação, a Prefeitura pagou R$ 21,9 milhões no prédio da antiga Escola Saad, um colégio particular que iria encerrar as atividades. O imóvel tem 13,4 mil metros quadrados.
Em outubro de 2022, a Prefeitura publicou edital para a construção da primeira creche do governo Saud, no bairro da Estiva. A unidade, que terá seis salas de aula e capacidade para 130 crianças, irá custar no máximo R$ 3,64 milhões, sendo R$ 3,07 milhões do governo estadual e R$ 570 mil do município – o valor global ainda deve ser reduzido na concorrência entre as empresas que disputarão o contrato.
COMPARATIVO.
Mesmo tomando como base o valor máximo da licitação da unidade da Estiva, o montante gasto na compra da antiga ADPM e da antiga Escola Saad seria suficiente para construir 14 creches do mesmo porte – e ainda sobrariam R$ 2,14 milhões.
Essas 14 creches representariam mais 84 salas de aula, que poderiam atender 1.820 alunos – segundo dados fechados em setembro, a fila de espera por uma vaga nas unidades da educação infantil da rede municipal tem 1.659 crianças.
No prédio do antigo Saad, a Prefeitura usa três salas para o infantil, com 47 crianças matriculadas, e 10 salas para o fundamental, com 179 alunos.
Na antiga ADPM, a Secretaria de Educação quer construir uma creche com capacidade para atender 376 crianças, mas não há previsão sequer de quando será aberta a licitação.
Embora a fila de espera seja a maior desde novembro de 2018, a Prefeitura alegou que pretende zerar o déficit até o fim desse ano, com medidas como “readequações de espaços físicos, ampliações de prédios escolares e reforma em salas de aulas que estavam desativadas desde 2019”.
Comentários
5 Comentários
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Toniolo Neto 28/10/2022Saud é um safado. Não sabe nada de gestão de cidades e esta usando é abusando da verba pública pra beneficiamento próprio e de seus comparsas, usa todos órgãos pra seu rebanho, fez da SEMOB uma secretaria pessoal que atende só suas demandas e ignora a demanda pública, está tentando desviar o ensino público pra comparsas, faz fotos falsas com o mesmo carto da GCM fingindo operações mas é só pose pra foto, enfim, ele não deverá c9nseguir chegar até o final do mandato com tanta falcatrua. -
Eugênio Geraldo Andrade 25/10/2022Durante campanha era visível -notadamente no debates-que o então candidato não conhecia nem mesmo seu plano de governo. Tinhamos a ex-vereadora Loreny,com boas propostas e 3 anos de gestão pública e Salvador,ex-prefeito, que também demonstrou conhecimento e propostas viáveis para sair da mesmice /provincianismo.Mas Taubaté preferiu a irritante \"pauta de costumes\" ao invés da competência, e agora a cidade colhe os frutos. -
Elozeu 24/10/2022Esta admistração é muito ruim.nos taubateanos não merecemos isto.precisa ser trocados os secretarios e o prefeito.pense nisso, -
Pollyana 24/10/2022Alguém surpreso? Tenho falado, publicado sobre isso há meses. Intensifiquei inclusive com a notícia de término das matrículas para ensino médio municipal a partir de 2023. Nunca foi falta de dinheiro para zerar a fila por vaga em creche. Está clara a dificuldade da atual administração em fazer gestão com base em evidências, em prioridades e sobretudo com responsabilidade e seriedade. -
CARLOS VAGNER PEREIRA DIAS 24/10/2022Eu não entendo esses políticos. Ao invés deles optarem pelas prioridades (Neste caso, seriam as creches), eles optam por comprar prédios públicos. Tempos atrás, li uma reportagem sobre um projeto de uma ponte estaiada também em Taubaté. Aqui em São José isso já deu pano pra manga e ainda dá. E povo né, leva fumo!!!!