Ingredientes:
½ quilo de farinha de trigo
250 gramas de manteiga
4 ovos
1 tablete de fermento para pão (30 gramas)
1 colher (sopa) de açúcar
½ xícara (chá) de leite morno
½ xícara (chá) de água morna
1 gema
1 pitada de sal
Citações apócrifas não são apanágio do FaceBook, onde li outro dia a conhecida frase de Monteiro Lobato (“Um país de faz com homens e livros”) atribuída a Caio Fernando Abreu(!) e no dia seguinte, um célebre comentário de Montaigne ( “As palavras pertencem metade a quem as fala e metade a quem as ouve”) com assinatura de Simone de Beauvoir(!) É mais que um desrespeito; é uma leviandade.
Da mesma forma, mas em primeiro lugar nos impressos, uma frase que não foi criada por Maria Antonieta, a rainha de França decapitada pela Revolução Francesa em 1789, é insistentemente mencionada como se tivesse sido dita por ela no clamor do movimento popular que derrubou a Bastilha e depois a Monarquia. Ela teria sido enunciada quando um emissário do rei Luís XVI, enviado a Paris para sentir o pulsar da revolta, retornou a Versailles e disse aos soberanos que as pessoas, aos milhares, gritavam nas ruas que passavam fome, que não tinham pão. Maria Antonieta teria comentado: “Se não têm pão, que comam brioches!”
Ela poderia até ter dito, mas plagiando o que Jean Jacques Rousseau escrevera onze anos antes no seu Confissões, uma espécie de biografia publicada em 1782: “enfim, eu me lembrei do momento ruim de uma princesa a quem disseram que os camponeses não tinham pão, tendo ela respondido: “que comam brioches!” Maria Antonieta gostava muito de chocolates, e não tanto de livros, registraram biógrafos. Mas alguma leitura fazia e é possível que tenha lido a frase que Rousseau atribui a um personagem. Lembrando-se dela, a autrichienne (como a chamava o povo num trocadilho infame) a teria usado num momento de natural nervosismo, com o presságio ruim de que sua cabeça estava fadada à guilhotina, em cujo aperfeiçoamento se empenhava naquele momento o médico Guillotin. Este, também contrariando os falsários ou farsantes, não morreu guilhotinado e sim de causas naturais. Era outro o Gulillotin que subiu ao patíbulo no período do Terror, onde foram condenados à pena máxima mais de 2 mil pessoas.
Mas o que é brioche? Em primeiro lugar, palavra francesa e de gênero feminino. Mas vá você pedir “uma” brioche na padaria para ver o risinho de escárnio da balconista que poderá até corrigir: “um” brioche! Sim, o uso já está sedimentado, todos empregamos o masculino para nos referirmos aos pãezinhos redondos, fofos e adocicados, que na França só encontram páreo nos croissants. Em nossa cidade as padarias vendem bons brioches, abrasileirados na forma mas igualmente bem leves e muito gostosos. Os originais têm uma bolinha em cima que os caracteriza e muitas vezes são polvilhados com açúcar de confeiteiro.
Se você tiver gosto pela cozinha e sentir vontade de prepará-los, segue a receita. Ficam diferentes na textura, um pouco mais densa que os da padaria. Coloque a água morna numa tigela e sobre ela esfarele o fermento, a colher de açúcar, a colher de farinha de trigo. Não mexa, apenas deixe levedar durante 15 minutos. Os microorganismos do fermento entrarão em ação e garantirão depois o crescimento da farinha. Em outra tigela misture a farinha, a manteiga amolecida, os ovos, o leite e o fermento levedado. Misture bem e trabalhe a massa com a mão até ficar lisa. Cubra com um pano e deixe descansar em lugar abafado, que pode ser o forno de seu fogão- desligado, é claro. Se você tiver um cantinho ensolarado na cozinha, melhor ainda. No verão a massa cresce mais depressa; quando a temperatura está mais fria, demora um pouco mais. Retire um pedaço de massa, faça uma bolinha e coloque num copo com água. Quando essa bolinha subir, significa que a massa cresceu. Retire do lugar onde ela estava crescendo, coloque numa superfície lisa e enfarinhada (o mármore da bancada da pia, por exemplo) e sove por uns dez minutos. Deixe descansar outros dez minutos. Faça um rolo com a massa e corte pedaços de 5 cm. Forme pequenas bolas, coloque em forminhas untadas para empada, se desejar enfeite o centro com uma bolinha de 1 cm de diâmetro. Deixe descansar novamente em lugar abafado por mais 30 minutos, cobertas com pano de prato. Quando estiverem crescidas, pincele com gema misturada a uma colher de água. Neste momento pode-se polvilhar um pouquinho de semente de gergelim. Leve a assar em forno quente (180 graus) por cerca de 20 minutos ou até que fiquem douradas. Retire do forno, deixe amornar, desenforme e polvilhe açúcar. Rende 12 brioches, que você pode servir com café, chocolate ou chá.