porção: 10
dificuldade: fácil
preço: econômico
1 abacaxi grande
2/3 de xícara (chá) de açúcar
1 vidro de leite de coco
1 caixinha de creme de leite
2 caixinhas de gelatina de abacaxi
A palavra “abacaxi” é uma das muitas que herdamos de nossos índios. Ela permanece quase imutável há mais de cinco séculos. Deriva da junção dos termos tupis i’bá (fruto) e kati (que exala cheiro agradável). Trocando em miúdos, ibacati > ibacaxi é fruto cheiroso. O substantivo foi inicialmente documentado nos escritos de Anchieta, que o coletou entre os primeiros indígenas com quem estabeleceu contato em Itanhaém. Outras tribos, mais ao sul, chamavam ao mesmo fruto “naná”, conferindo-lhe o significado literal de “fruta gostosa”. Daí o ananás, usado como sinônimo de abacaxi no francês e em outros idiomas.
Quando Cristóvão Colombo chegou à ilha de Guadalupe, no então chamado Novo Mundo, o abacaxi lhe foi oferecido em gesto de hospitalidade e boas-vindas. Em razão do julgamento apressado dos estrangeiros, a fruta foi considerada da família dos pinheiros, sendo então chamada “piña”. Assim até hoje faz parte do léxico dos países de língua espanhola. Já ouviu falar de “piña colada”, aquele coquetel preparado com suco de abacaxi, leite de coco, rum e gelo? Então!
Provavelmente nativo da região que hoje é o Uruguai, o abacaxi foi levado a toda a América pelos guaranis, grandes viajantes, tornando-se espécie cultivada até à América Central e Caribe, antes da chegada dos espanhóis. Botânicos europeus descobriram muito tempo depois, já nos alvores do século XVIII, que aquela fruta considerada única era na verdade uma ou duas centenas de pequenos frutos aglomerados em torno de um mesmo eixo central. Cada “olho’ ou “escama” da casca do abacaxi era um fruto que crescera a partir de uma flor, fundindo-se todos em um grande corpo chamado “infrutescência”(o miolo duro), no topo do qual se formava a coroa.
De fácil cultivo, o abacaxi cruzou os mares do mundo a bordo de galeões e caravelas, chegando para ficar na África, na China, em Java, nas Filipinas e nas índias. Nesses locais, propagou-se com facilidade e rapidez, tendo sido muito bem aproveitado na culinária. Graças à sua coroa espinhenta, passou a ser chamado no feminino “rainha das frutas”. E a ser oferecido nas cortes europeias como símbolo de hospitalidade.
Em nosso país, um dos maiores produtores mundiais, “abacaxi” significa na gíria “algo que não dá bom resultado, coisa embrulhada ou que não presta”, segundo dicionaristas. Esta semântica deriva do visual espinhoso e ressequido, bem como da dificuldade de descascá-lo sem se ferir com suas farpas.
Além do consumo “in natura”, ele se presta à produção de grande variedade de compotas, cristalizados, geleias, sucos, sorvetes, cremes, gelatinas. E sobremesas como esta que hoje apresentamos ao leitor e se encontra no livro de Rodrigo Hilbert, Tempero de Família. Diz ele ser seu doce preferido, especialmente quando feito por sua mãe. É facílimo de preparar. Atente.
Descasque um abacaxi, despreze a parte dura do centro, corte a polpa em pedacinhos. Coloque numa panela e misture com açúcar. Mexa, acrescente uma xícara de água, leve a ferver em fogo baixo por vinte minutos ou até que a calda comece a engrossar. Retire com uma concha parte do líquido fervente e misture-o ao pó de gelatina já à espera em uma xícara. Desligue a chama. Com uma colher ajude a dissolver o pó na calda e o devolva à panela. Agregue o leite de coco. Mexa até amornar. Por fim, acrescente o creme de leite e volte a mexer. Distribua morno em potinhos ou taças ou coloque tudo num pirex, como faz a mãe do Rodrigo. Leve à geladeira por três horas no mínimo, antes de servir.