Faça uma rabanada deliciosa em 20 minutos


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As louças e utensílios usados na produção desta receita foram fornecidas pela Espaço Casa
As louças e utensílios usados na produção desta receita foram fornecidas pela Espaço Casa
Em pleno dia de Natal, esta coluna não poderia chegar às mãos do leitor se não com uma receita prática, gostosa e rápida no preparo para figurar como sobremesa na mesa da festa cristã. Trata-se da rabanada, que os portugueses nos ensinaram a saborear muito antes da chegada dos italianos com seus panetones. Em todas as regiões brasileiras ela está associada ao período natalino, mas no Rio de Janeiro, entre cariocas, é simplesmente insubstituível. 
 
Sobre as origens deste doce é muito interessante ler o que escreveu Luís da Câmara Cascudo, cujo Dicionário do Folclore Brasileiro ainda é a melhor obra erudita sobre cultura popular publicada no século passado. Lembra o escritor que no interior do nosso país, nos rincões mais afastados, é considerado pecado jogar fora o pão, deixá-lo cair e não o recolher, porque este alimento simboliza a vida e resgata a lembrança de Deus na hóstia consagrada. Reaproveitá-lo como doce foi uma solução criativa ainda fora do período das festas de fim de ano. Afinal, bem antes de se firmar a tradição, as rabanadas, com o nome de ‘fatias de parida’, eram preparadas para mulheres debilitadas após o parto. Por sua mescla de carboidratos e proteínas, restauravam as forças das parturientes. Até hoje o hábito se mantém. 
 
A mais antiga referência a esta iguaria encontra-se no primeiro livro de culinária que se conhece, o De Re Coquinaria, escrito por Marco Gavio Apicio, no século 1 de nossa era. Assim ensina o romano: “corte um sigilíneo em fatias grossas. Coloque-as de molho no leite e frite em óleo. Espalhe mel em cima e sirva”. Sigilíneo era o nome do pão feito com aveia em lugar de trigo. 
 
À parte os nomes, o doce é conhecido em diferentes regiões do planeta. No Marrocos seu nome é khobz belbid; na Índia, meetha andewala; na Indonésia, roti telur; nos Estados Unidos, french toast; na França, pain perdu.
 
A mim me parece que os franceses sacaram bem o espírito da rabanada, pois o que chamam pain perdu é o pão amanhecido. É ele a base de toda rabanada. Servi-la simplesmente com açúcar e canela, conforme se pode ver na imagem que ilustra esta página, é uma opção e a que eu prefiro. Nada impede porém que você crie sua versão com calda de vinho, mel ou Porto. 
 
Algo importante a acrescentar é que nossa receita tem bem menos calorias que as tradicionais, pois é assada, ao contrário da maioria que é frita. Elimina-se assim a gordura e até o trabalho de ir fritando aos poucos. Você escolhe uma assadeira grande, onde possa colocar todas as fatias e depois de prontas as transfere para uma bandeja bonita a fim de serem levadas à mesa. 
 
Vamos começar untando uma assadeira grande (porque as rodelas não podem ficar sobrepostas). Em cima do fundo untado coloque uma folha de papel vegetal e unte-o também. Mas se você tem uma assadeira tipo tefal, pode dispensar o papel. Agora corte o pão amanhecido. Pode ser o francês ou de outro tipo. O da foto é italiano. Em seguida bata os ovos, gemas e claras juntas, numa tigela. Perfume com a baunilha. Em outra vasilha, misture bem o leite condensado e o de vaca. Para facilitar despeje a mistura de leites numa assadeira e a de ovos em outra. Distribua as rodelas de pão sobre a mistura de leite, deixe um minuto, vire, deixe outro tanto de tempo. Elas ficarão umedecidas mas não encharcadas. Feito isso, leve-as à outra assadeira com os ovos batidos e proceda da mesma forma: um minuto de cada lado. Estão prontas para serem colocadas na assadeira que vai ao forno, a esta altura já aquecido a 160 graus. Elas assam rapidamente. Fique de olho; quando dourarem na superfície, retire a forma e vire as rabanadas para dourarem o lado que ficou voltado para baixo. Assim que isso se der, estão prontas. Enquanto amornam, misture numa tigelinha três colheres (sopa) de açúcar e uma de canela. Passe cada rabanada pela mistura e organize-as numa travessa bonita para ser levada à mesa. 
 
O tempo é de doçuras. Feliz Natal!
O tempo é de doçuras. Feliz Natal!
 
20  rodelas de pão amanhecido
1 lata de leite condensado
1 xícara de leite de vaca
3 ovos
1 colher (chá) de baunilha
Açúcar refinado
Canela em pó
 
 
porção: 10
dificuldade: fácil
preço: econômico

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